Educação dos filhos à luz da doutrina espírita – algumas considerações

        Atualmente acompanhamos com interesse os muitos debates, questionamentos, dúvidas e comentários sobre a educação dos nosso filhos. Muito é mostrado e debatido nas mídias sociais com o intuito de esclarecer sobre assunto tão importante para todos nós.

        Nesta linha de busca de compreensão do tema, selecionamos alguns textos da vasta bibliografia Espírita para nos auxiliar nas reflexões.

 

        Em “o Livro dos Espíritos”, encontramos a conhecida pergunta (e resposta) :

 

“19 Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se melhorar nesta vida e de resistir à atração do mal?

        Um sábio da Antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.”

 

        Conhecer a si mesmo é um processo educativo. Importante para identificarmos nossos avanços em termos de crescimento espiritual, procurando verificar as nossas dificuldades e seguir adiante na jornada evolutiva.

        É processo individual e coletivo. Envolvendo a sociedade e, no seu cerne, a família.

        Espíritos em evolução, nossos filhos contam conosco e solicitam o nosso apoio. É o Mestre Jesus quem nos orienta:

       

“Apresentaram-lhe então algumas crianças; a fim de que ele as tocasse, e, como seus discípulos afastassem com palavras ásperas os que lhas apresentavam,  Jesus, vendo isso, zangou-se e lhes disse: Deixai que venham a mim as criancinhas e não as impeçais, porquanto o reino dos Céus é para os que se lhes assemelham. Digo-vos, em verdade, que aquele que não receber o reino de Deus como uma criança, nele não entrará. E, depois de abraçar, abençoou-as, impondo-lhes as mãos.” (Marcos 10:13 a 16)

 

        No processo educativo, o convite é para abraçar nossas crianças, ofertando-lhe o melhor que pudermos para que tenham as condições de aproveitarem de melhor forma a sua reencarnação.

        É ainda o convite para  que  nos mantenhamos na condição de  “ser criança”, no sentido da busca permanente do aprendizado e na confiança naqueles que estão conosco na atual jornada terrestre e em nossos mestres, encarnados e desencarnados.

        Lembrando que somos ainda crianças, do ponto de vista espiritual, muito necessitados de orientação segura. De Educação.

        Nos preocupamos com a Educação que daremos aos nosso filhos (em vistas também das nossas experiências) e cuidamos, em geral, da escola, da ampliação de conhecimentos, da cultura. Isto é normal. Temos que fazer o melhor neste campo.

        No entanto, precisamos observar um aspecto que Allan Kardec aponta no comentário à questão 685, de “O Livro dos Espíritos”, a Educação Moral:

 

 

“ Há um elemento, que se não costuma fazer pesar na balança e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria. Esse elemento é a educação, não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos, porém, à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, à que incute hábitos, porquanto a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. “  (grifos nossos)

 

        É preciso que levemos o  ensinamento dos princípios Espíritas para nossas crianças. Que elas tenham autonomia para a sua formação e crescimento espiritual.

        Não bastarão os livros. Eles são e sempre serão importantes. Além de todos os outros materiais e meios, eletrônicos ou não, que nos são colocados à disposição para adquirirmos conhecimento. São formas diversificadas de leitura. Somos convidados a dar exemplos cotidianos para aqueles que conosco compartilham a jornada evolutiva. Certamente, os nosso filhos nos observarão. E, para nosso bem e nosso aprendizado,  irão cobrar que tenhamos a vivência desses princípios. E, neste momento, estamos também realizando nosso processo educativo, pois o esforço será no sentido de colocarmos em prática tudo aquilo que dizemos e acreditamos.

        No período da infância, este processo educativo é importantíssimo, como podemos destacar  em “O Livro dos Espíritos”:

 

“383 Qual, para este, a utilidade de passar pelo estado de infância?”

        Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”

 

        Este processo de aprendizado do Espírito, no período infantil, é bem destacado em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, no  “Capítulo VIII - Bem-Aventurados os que têm puro o coração”:

 

        “4 Pois que o Espírito da criança já viveu, por que não se mostra, desde o nascimento, tal qual é? Tudo é sábio nas obras de Deus. A criança necessita de cuidados especiais, que somente a ternura materna lhe pode dispensar, ternura que se acresce da fraqueza e da ingenuidade da criança.  Para uma mãe, seu filho é sempre um anjo e assim era preciso que fosse, para lhe cativar a solicitude. Ela não houvera podido ter-lhe o mesmo devotamento, se, em vez da graça ingênua, deparasse nele, sob os traços infantis, um caráter viril e as ideias de um adulto e, ainda menos, se lhe viesse a conhecer o passado.

        A partir do nascimento, suas ideias tomam gradualmente impulso, à medida que os órgãos se desenvolvem, pelo que se pode dizer que, no curso dos primeiros anos, o Espírito é verdadeiramente criança, por se acharem ainda adormecidas as ideias que lhe formam o fundo do caráter. Durante o tempo em que seus instintos se conservam amodorrados, ele é mais maleável e, por isso mesmo, mais acessível às impressões capazes de lhe modificarem a natureza e de fazê-lo progredir, o que torna mais fácil a tarefa que incumbe aos pais.”

 

        No Livro “O Consolador”, Emmanuel destaca a importância do período infantil:

 

“109 — O período infantil é o mais importante para a tarefa educativa?

— O período infantil é o mais sério e o mais propício à assimilação dos princípios educativos.

        Até aos sete anos, o Espírito ainda se encontra em fase de adaptação para a nova existência que lhe compete no mundo. Nessa idade, ainda não existe uma integração perfeita entre ele e a matéria orgânica. Suas recordações do Plano espiritual são, por isso, mais vivas, tornando-se mais suscetível de renovar o caráter e estabelecer novo caminho, na consolidação dos princípios de responsabilidade, se encontrar nos pais legítimos representantes do colégio familiar. (...)”

 

 

        O Espiritismo é rico manancial de ensinamentos para todos nós e em especial para nossa Educação Moral e na orientação para os processos educativos. Vejamos  Emmanuel no Livro “Taça de luz”, no Capítulo “26 – Educação”:

 

“Meus amigos, a Terra é nossa escola milenária e sublime.

Jesus é o Nosso Divino Mestre.

O Espiritismo, sobretudo, é obra de educação.

Façamos da educação com o Cristo o culto de nossa vida, para que a nossa vida possa educar-se e educar com o Senhor, hoje e sempre.”

 

        Lembremos a missão que nos é colocada quando recebemos nossos filhos. Em “O Livro dos Espíritos” encontramos:

 

“582 Pode-se considerar como missão a paternidade?

        É, sem contestação possível, uma verdadeira missão. É ao mesmo tempo grandíssimo dever e que envolve mais do que o pensa o homem, a sua responsabilidade quanto ao futuro. Deus colocou o filho sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem, e lhes facilitou a tarefa dando àquele uma organização débil e delicada, que o torna propício a todas as impressões. Muitos há, no entanto, que mais cuidam de aprumar as árvores do seu jardim e de fazê-las dar bons frutos em abundância, do que de formar o caráter de seu filho. Se este vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem.”

 

        Muitas vezes, por não nos preocuparmos com a Educação Moral, vamos nos equivocar na educação de nosso filhos.

        André Luiz, no livro “O Espírito da Verdade”, no Capítulo “16 – Educação”, vai nos chamar a atenção para importantes pontos do processo educativo:

 

“Os desvios da infância e da juventude refletem os desvios da madureza.   Aproveitamento do estudante, eficiência do mestre.

        Maternidade e paternidade são magistérios sublimes. Lar, primeira escola; pais, primeiros professores; primeiro dia de vida, primeira aula do filho.

        Pais e educadores! Se o lar deve entrosar-se com a escola, o culto do Evangelho em casa deve unir-se à matéria lecionada em classe, na iluminação da mente em trânsito para as Esferas superiores da Vida.

 

        Espíritos Imortais, em processo evolutivo, nossos filhos contam conosco. Esperam de nós a influência positiva para que sigam adiante. Eles recebem e esperam a nossa influência.  Sobre este aspecto, vamos encontrar em “O Livro dos Espíritos”:

 

“208 Nenhuma influência exercem os Espíritos dos pais sobre o filho depois do nascimento deste?

        Ao contrário: bem grande influência exercem. Conforme já dissemos, os Espíritos têm que contribuir para o progresso uns dos outros. Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Constitui-lhes isso uma tarefa. Tornar-se-ão culpados, se vierem a falir no seu desempenho.”

 

        Nossos lares são escolas. Todos nós aprendemos. E não podemos delegar, aos educandários a missão de educar nossos filhos, do ponto de vista moral. Novamente Emmanuel, no livro “O Concolador” nos diz:

 

110 — Qual a melhor escola de preparação das almas reencarnadas, na Terra?

— A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter.

        Os estabelecimentos de ensino, propriamente da mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem.

        Na sua grandiosa tarefa de cristianização, essa é a profunda finalidade do Espiritismo evangélico, no sentido de iluminar a consciência da criatura, a fim de que o lar se refaça e novo ciclo de progresso espiritual se traduza, entre os homens, em lares cristãos, para a nova era da Humanidade.

 

        Tenhamos muita tranquilidade em apresentar a Doutrina Espírita a nossos filhos. Fazê-lo desde a tenra infância, sem esperar que tomem esta decisão quanto tiverem maturidade. O período propício, como já destacado acima, é o da infância.

        Sobre este assunto, no livro “O Consolador”, Emmanuel nos orienta:

 

113 — Os pais espiritistas devem ministrar a educação doutrinária a seus filhos ou podem deixar de fazê-lo invocando as razões de que, em matéria de religião, apreciam mais a plena liberdade dos filhos?

— O período infantil, em sua primeira fase, é o mais importante para todas as bases educativas, e os pais espiritistas cristãos não podem esquecer seus deveres de orientação aos filhos, nas grandes revelações da vida. Em nenhuma hipótese, essa primeira etapa das lutas terrestres deve ser encarada com indiferença.

        O pretexto de que a criança deve desenvolver-se com a máxima noção de liberdade pode dar ensejo a graves perigos. Já se disse, no mundo, que o menino livre é a semente do celerado. A própria reencarnação não constitui, em si mesma, restrição considerável à independência absoluta da alma necessitada de expiação e corretivo?

        Além disso, os pais espiritistas devem compreender que qualquer indiferença nesse particular pode conduzir a criança aos prejuízos religiosos de outrem, ao apego do convencionalismo, e à ausência de amor à verdade.

Deve nutrir-se o coração infantil com a crença, com a bondade, com a esperança e com a fé em Deus. Agir contrariamente a essas normas é abrir para o faltoso de ontem a mesma porta larga para os excessos de toda sorte, que conduzem ao aniquilamento e ao crime.

        Os pais espiritistas devem compreender essa característica de suas obrigações sagradas, entendendo que o lar não se fez para a contemplação egoística da espécie, mas, sim, para santuário onde, por vezes, se exige a renúncia e o sacrifício de uma existência inteira.

 

 

        Façamos a nossa parte. Eduquemos a nós mesmos. Eduquemos nossos filhos. Assim teremos uma Planeta Terra cada vez melhor, voltado para o Bem.

        Finalizando, recorremos a  Allan Kardec, que no Capítulo “Credo Espírita” do livro “Obras Póstumas”, afirma:

 

“É pela educação, mais do que pela instrução, que se transformará a Humanidade.”

Felipe Estabile Moraes

estabile@uol.com.br

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