Divulgamos mais uma parte do material referente as reflexões sobre o Estudo do Evangelho. sds fraternas  Beto Costa/FEEAKMINAS

4 - Exemplos de interpretações de passagens Evangélicas à luz da Doutrina Espírita

 

4.1.  A Parábola do Semeador

 

3 -  Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear.

4 - E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;

5 - e outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda;

6 - mas, saindo o sol queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se.

7 - E outra caiu entre espinhos, e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto.

8 - E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e produziu trinta, outra sessenta e outra cem.

 

A interpretação de Jesus:

 

14 - O  que semeia, semeia a palavra.

15 - E os que estão junto do caminho são aqueles em que a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada em seus corações.

16 - E da mesma sorte os que recebem semente sobre pedregais, os quais, ouvindo

a Palavra, logo com prazer a recebem;

17 - mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois sobrevindo

tribulação, ou perseguição por causa da palavra logo se escandalizam.

18 - E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra;

19 -  mas os cuidados deste mundo; e os enganos das riquezas e as ambições doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.

20 - E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, uma a trinta, outro a sessenta, outro a cem, por uma.

(Mc 4: 3 - 9; 14 - 20)

 

 

4.2.  Allan Kardec - Interpretação à Luz da Doutrina Espírita

 

A FIGUEIRA QUE SECOU

 

12 E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome;

13 E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos.

14 E Jesus, falando, disse à  figueira:

Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto.

20 E eles, passando pela manhã, viram que a figueira se tinha secado desde as raízes.

21 E Pedro, lembrando-se, disse-lhe:

Mestre, eis que a figueira, que tu amaldiçoaste, se secou.

22 E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus;

23 Porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito.

 

(Mc 11:12 - 14; 20 - 23)

 

 

A interpretação de Kardec à Luz da Doutrina Espírita: A figueira que secou é o símbolo dos que apenas aparentam propensão para o bem, mas que, em realidade, nada de bom produzem; dos oradores que mais brilho têm que solidez...

Simboliza também todos aqueles que, tendo meios de ser úteis não o são; todas as utopias, todos os sistemas ocos, todas as doutrinas carentes de base sólida."

( O  Evangelho Segundo o Espiritismo - cap. XIX, itens 8 e 9)

 

 

 

4.3.   A Interpretação de Emmanuel

 

“E ele Lhes disse: lançai a rede para a banda direita do barco, e achareis.”

 

( João, 21: 6 )

 

 

 

  • ESPIRITO HUMANO - "pescador" dos valores evolutivos, na escola regeneradora da Terra.
  • BARCO - a posição de cada um.
  • REDE - de interesses.
  • BANDA DIREITA - da Verdadeira Justiça.

 

(Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, Caminho, Verdade e Vida, cap. 210)

 

 

 

4.4. O  Sermão da Montanha

 

 

“Mas tu quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai, que vê secretamente, te recompensará.”

( Mateus, 6: 6 )

 

 

Encontramos a respeito do assunto referencias nos seguintes livros: Livro da Esperança (cap. 88); Palavras de Vida Eterna (cap. 172); Alguns Ângulos dos Ensinos do Mestre (cap. 51).

Neste versículo, o tema principal é a prece.

Nele Jesus nos ensina a maneira correta de orar.

 

“Quando orares”: nos fala do tempo - quando se deve orar? Em que circunstâncias? Devemos orar no inicio do dia, pedindo proteção a Deus; à noite, para merecermos o repouso físico, ocasião em que nos afastamos do corpo através do sono, e melhoramos o aproveitamento espiritual; diante dos perigos que nos ameacem e todo o momento de necessidade. Devemos orar sempre que o nosso coração pedir.

Aproveitando o assunto, pode-se fazer um estudo mais detalhado em torno da “oração”, a exemplo de como orar, por quem pedir, a quem pedir, o que pedir e demais questões relacionadas com a oração.

 

“entra no teu aposento”: o possessivo “teu” personifica o aposento. Ele o modifica, conferindo-lhe uma característica pessoal, íntima. O “aposento” aqui é individual. Significa que, ao orar, é preciso que a pessoa volte para dentro de si, buscando a Deus na intimidade do próprio coração, através do amor ao próximo que nele deve estar presente.

 

“e fechando a tua porta”: é a porta da mente. Não permitir a entrada de idéias estranhas. Introspecção. Meditação. Pensamento voltado a Deus no campo íntimo.

 

“teu Pai que está em oculto”: é Deus na consciência de cada um. Ele está em toda criação. “Deus não se mostra, mas se revela através de suas obras”. (A Gênese) Deus, estando presente na nossa intimidade, deverá naturalmente estar em oculto. A expressão “teu Pai” confirma isto. O Pai é de todos, mas cada um o sente segundo sua própria condição evolutiva. Em outras partes do Evangelho, encontramos as expressões “meu Pai”, “vosso Pai” ou “nosso Pai”, ditas por Jesus, quando ele queria se referir a grupos afins, diferentes ou a si próprio, respeitando sempre a diversidade evolutiva de cada um.

 

“vê secretamente”: é conseqüência de Deus estar sempre na nossa consciência.

 

“recompensará”: na forma de paz e tranqüilidade espiritual. Coragem, forças, paciência, resignação são recursos que a Providência Divina jamais nega a qualquer que lhe pede. Não existe prece sem resposta, é o que Jesus nos ensina em Lc. 11 : 9 (...) “Pedi, e dar-se-vos-á-; buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á;”. Esta recompensa se acha também vinculada à lei de causa e efeito. Vejamos: “Quem recebe um profeta em qualidade de profeta, receberá galardão de profeta; e quem recebe um justo em qualidade de justo, receberá galardão de justo.”         

(Lc 10:41).

Ninguém recebe qualquer galardão ou recompensa se não fizer jus  à ela. Deus concede a todos os seus filhos segundo suas necessidades individuais.

 

 

4.5.   A Candeia do Corpo

 

“A candeia do corpo é o olho. Sendo pois o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas se for mau, também o teu corpo será tenebroso”.

(Lc 11 : 34)

 

Neste versículo, encontra-se uma clara alusão ao perispírito.

“Candeia” significa pequena lâmpada alimentada por óleo e que fica suspensa para oferecer mais iluminação. No caso em questão, a candeia, simbolicamente falando, é a fonte de onde promanam os pensamentos e ideais do espirito. O “olho” então, estaria situado na intimidade do próprio espirito, sede da nossa inteligência e da nossa vontade. Como ele precisa de um ponto de referência para que ocorra a visão, temos no perispírito, ou corpo espiritual, este referencial. Sendo o espírito bom e puro, naturalmente estará irradiando luzes que se irão incorporar ao seu perispírito, tornando-o luminoso. Caso contrário pertencendo o espírito a uma categoria inferior, seus pensamentos serão maus, o que resultará em trevas envolvendo o seu perispírito. Como vemos, através da chave que a Doutrina Espírita nos oferece fica mais fácil a interpretação do Evangelho.

(O Cristo em Nós, cap. 2)

 (Nas Pegadas do Mestre, cap 134)

 

 

4.6. O Paralítico de Cafarnaum 

 

“A ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.”

 

(Mc. 2 : 11)

 

Dentre os Princípios Fundamentais da Doutrina encontramos “Jesus” aqui presente. Nós podemos também estar na posição do paralítico que foi curado, que foi conduzido no leito em que ele jazia, por intercessão de amigos (versículos 3 e 4 do mesmo capítulo). Encontra-se nesta passagem profundo ensinamento para a nossa reflexão. É o que diz respeito à imobilidade mental. A paralisia no campo físico é indicio de acomodação espiritual. Aqui entra a lei de causa e efeito, refletindo no corpo as mazelas do espírito.

 

“A ti te digo" : Esta é uma ordem dada por Jesus. Isto acontece conosco quando tomamos determinadas decisões sugeridas pelo Cristo interior, a nossa vontade aí é o fator determinante desta atitude.

 

“Levanta-te” : o verbo “levantar” guarda um sentido positivo. Se apresenta no imperativo, indicando uma ordem a ser cumprida. Levantar-se requer da pessoa coragem, firmeza, fé e confiança em Deus. A ordem é dada pelo Cristo, mas a ação é nossa. Quem ficará de pé somos nós. É possível que alguém nos dê a mão para conseguirmos nos por de pé.

 

“Toma o teu leito e vai para tua casa”: mais uma vez encontramos aqui a lei de causa e efeito. Tomar o nosso leito é carregar as nossas “cruzes” (Mt. 16:24), conforme indicativa do Mestre no versículo citado. A palavra “teu” significa que o leito é pessoal, pertencente à própria pessoa. Está relacionado com o que construímos para nós. Tomar alguém o seu leito significa movimentar-se, trabalhar, fazer o bem, quitar-se perante a Lei. “Vai para tua casa” quer dizer: muda a tua posição vibratória; é voltar-se para dentro de si através da prece e da reflexão, a fim de não cometer os erros que te levaram a adquirir a  “paralisia”.

O verbo “ir” indica ação. Levantar-se, tomar o leito e ir para a casa simbolizam uma seqüência de atitudes positivas que devem ser adotadas por quem deseja resolver seus problemas sob a orientação de Jesus.

É o mesmo caso do homem que tinha uma das mão mirrada. Jesus quando o curou, disse-lhe:

“Estende a tua mão. E ele estendeu, e ficou  sã como a outra.”   (Mt 12:13)

 

A lei de causa e efeito mais uma vez se apresentava para aquele homem. Provavelmente, ele deve ter adquirido aquele problema em virtude do egoísmo ou outra situação qualquer menos feliz, que requeria dele estender a sua mão ao próximo. Atendendo ao convite de Jesus, ele abriu a sua mão, estendendo o socorro amigo a aqueles que lho solicitavam. Somente desta maneira, sua mão poderia se tornar sã como a outra.

 

4.7. Sede Perfeitos

“Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.”

(Jesus - Mt 5:48)

 

 

“Sede vós pois” : Jesus indica, com Sua autoridade, o que é bom, pois a evolução é mais conveniente para nós. É o que vai realmente se dar, pois a Evolução é lei inderrogável, queiramos ou não. Importante, por isso, aproveitar tempo e oportunidade, adotando organização e métodos na melhora administração da vida, dispondo-nos a seguir a orientação Dele, a fim de que esta proposta, contando com a atuação decisiva de progredir no Bem, possa nos assegurar, no campo íntimo, a harmonia que podemos visualizar na Obra do Criador.

“perfeitos, como é perfeito”: Jesus estabelece uma comparação. Meditando nela, chegamos à conclusão que não podemos admitir um fim, um ponto final no processo de aperfeiçoamento. Ele é constante, crescente, eterno. Como ponto de referência da perfeição para a criatura, Jesus apresenta a do Criador. Por muito que façamos, as perspectivas estarão sempre ampliadas no encaminhamento para a perfeição.

Tal fato não encontra respaldo no desânimo. Define a amplitude da Providência Divina a assegurar a continuidade do aprendizado que traz em sua estrutura os valores suficientes ao entendimento e sustentação da vida em suas manifestações de Amor. Não há limite nem restrições de bênçãos e alegrias espirituais para aquele que jornadeia confiante para Deus.

“o vosso Pai”: o Criador segundo o nosso entendimento.  As  metas  só  podem  ser estabelecidas dentro do que conhecemos. Jesus, no caso, não disse: “Meu Pai”, porquanto o Pai de Jesus - embora sendo o mesmo - foge, na sua dimensão, ao nosso alcance. Sem dúvida, na medida em que progredimos, dilata-se a capacidade de percepção, não apenas na horizontalidade do conhecimento, mas, também, na verticalização do sentimento e da intuição. O Deus que concebemos permanecerá, sempre, Sábio e Justo a nos envolver pelos caminhos que percorremos. No entanto, nesse mesmo percurso vamos conquistando visão clara, habilitando-nos a compreendê-lo de modo cada vez mais sublimado.

 

“que está nos céus”: “Céus” no plural, a expressar o bem, o belo, o bom, na consciência e no coração das criaturas. O verbo estar, encontrasse no presente: “Está nos céus”. Por isso, Deus é onipresente, isto é, manifesta-se em todas as faixas do Universo onde a evolução palpita oculta ou ostensiva, latente ou desperta. Do verme ao anjo, pode ser detectada a presença d'Ele, garantindo o equilíbrio nas bases de Seu Amor, valendo ressaltar que o “inferno” não é mais que reflexos transitórios das criaturas encarnadas ou desencarnadas, que ainda se acomodam às linhas de seu pretérito, das quais não se animam desprender, enovelados nas teias do egoísmo.

 

(Grupo Espírita Emmanuel, Luz Imperecível, cap.28 - “Aperfeiçoar-se”)

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Respostas a este tópico

Excelente! Estes exemplos demostram a forma de estudo mais adequada para se entender a mensagem do Cristo! 

Obrigada!

Este curso e uma benção da
Espiritualidade.
Angela Carneiro da Cunha

Muito esclarecedor!

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