Mulheres Sujeitai-vos a Vosso Marido Parte 4

 

Os leitores rápidos do Novo Testamento, refiro-me àqueles que leem apenas superficialmente e tentam tirar conclusões a respeito do que leem como se fossem definitivas, são os que têm usado estas anotações de Paulo para o tacharem de machista; pois têm visto em suas colocações um incentivo à subserviência da mulher.

Talvez estes jamais tenham lido com atenção o versículo 25 deste capítulo 5 da carta que ora comentamos. Nele o apóstolo propõe uma tarefa ao homem muito mais difícil do que havia proposto à mulher. Isto analisando como eles o fazem apenas o sentido literal.

Diz o converso de Damasco: maridos amai vossas mulheres…, e nós perguntamos, o que é mais difícil para nós em nosso atual estágio de evolução, submeter-se ou amar? Obedecer, ou viver na liberdade plena do amor?

Obedecer, mesmo que com muita dificuldade temos feito em nosso dia a dia. Assim fazemos em relação ao pai, ao chefe, às injunções da vida, aos superiores de um modo geral[1]. E amar, em algum momento temos expressado este sentimento com profundidade?

E percebamos que Paulo orienta aos maridos que amem suas mulheres, mas não com qualquer amor, pois diz: como Cristo amou a igreja, isto é, a assembleia, a humanidade, e continua: e entregou-se (a si mesmo) por ela.

Portanto, o que Paulo exige dos homens é um amor total, integral, à sua mulher. Um amor tão grande que o capacita a se entregar por ela, a dar a própria vida por ela, como Cristo fez pela humanidade.

E a partir destas colocações podemos dizer que o autor deste texto é machista? Se for, penso que todas as mulheres do mundo, que tenham um mínimo de sensibilidade, vão querer ter ao lado um companheiro machista como Paulo.

Já dissemos, esta relação marido/esposa é a representação da relação de Deus com a humanidade, da Aliança feita por IHVH com o povo de Israel.

Assim, podemos representar Deus pelo elemento masculino e a humanidade como sendo o elemento feminino. Para que haja uma comunhão sexual perfeita é preciso que Deus (elemento masculino) fecunde a humanidade (elemento feminino).

A fecundação é um ato de amor em seu momento positivo (ativo): maridos, amai vossas mulheres, enquanto que no momento opositivo (passivo) a mulher é fecundada pelo, isto é, recebe, submete-se ao, seu marido.

Isto é muito mais profundo do que podemos supor com uma simples leitura deste texto; não diz respeito só a uma relação entre sexos opostos, mas fala-nos do próprio processo educacional.

O mestre quando ensina a seu aluno, o conferencista quando em conferência, representam o momento positivo, masculino, está fecundando o aluno ou a assembléia que ouve. Esta por sua vez na função receptora é feminina, submete-se àquele que a ensina. Lembrando Paulo, esta é a relação entre Cristo e a assembléia (humanidade). Todavia o mestre ou o conferencista estão por sua vez numa posição feminina em relação aos Espíritos que os intuem, ou como dizem outro grupamento religioso, ao Espírito Santo, que neste caso é masculino, pois é quem fecunda, ensina, ama, dá de si em favor do outro.[2]

Deste modo, sejamos humildes, aprofundemos nossa faixa de entendimento que na maioria das vezes é tão acanhada. Reconheçamo-nos pequenos e aprendamos com o apóstolo. Como já pudemos notar pelo andamento deste texto, ele que tinha por líderes de comunidades várias mulheres, jamais podia desenvolver a ideia de subserviência destas em relação aos homens, mas sempre um respeito mútuo conforme expressa o próprio texto já comentado:

Submetei-vos uns aos outros no temor de Cristo.

Muitos podem alegar que estamos exagerando em nossas interpretações deste texto paulino, porém toda esta carta é um convite à unificação através do Cristo, que encabeça todas as coisas[3]; e cabeça da igreja, isto é, da reunião de pessoas que comungam com o seu Evangelho[4], e corpo desta comunidade. Os que estavam separados, são agora tornados próximos.[5]

Outros versículos poderiam ser citados para fundamentar nossa exposição, porém, não é objetivo deste trabalho senão fazer uma releitura de Paulo demonstrando que em suas anotações nada há que justifique a sujeição da mulher ao homem num sentido de que esta lhe é inferior. Diferentes são (cf. O Livro dos Espíritos, questão 822, item A), porém não há entre eles relação de inferioridade e superioridade.

Aqueles que quiserem aprofundar mais sobre este tema, que estudem estas cartas versículo por versículo como muitas comunidades cristãs de várias épocas fizeram, os que assim fizerem só terão a ganhar; nós, porém para encerrarmos nossos breves comentários sobre este trecho da epístola, nos ocuparemos apenas dos versículos 31 e 32 deste capítulo 5 da Carta aos Efésios:

Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher, e serão uma só carne. É grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e a sua Igreja.

Paulo não apenas cita o Gênesis, 2: 24, ele explica o texto e propõe novas abordagens.

Para iniciar ele diz que é grande este mistério. Mistério é uma verdade profunda (Baumert, 203), é algo que desafia o nosso entendimento, está além de nossa capacidade de compreensão.

Na citação do Gênesis ele vê uma profecia no que diz respeito à união de Cristo e de sua comunidade, é o casamento perfeito, a comunhão de homem e mulher representando a integração da humanidade em Deus, a realização da Aliança.

Nesta relação não há sujeição de nenhuma das partes, ambas estarão em pé de igualdade tornando-se uma carne. É o amante e o amado em perfeita comunhão; lembrando Jesus, quando, segundo as anotações de João disse:

Eu e o Pai somos um[6].

 Ou ainda:

…para que todos sejam um. Como tu, Pai, estás em mim e eu em Ti, que eles estejam em nós... para que sejam um, como nós somos um.[7]

Lembrando ainda que esta citação feita por Paulo, do Gênesis, espelha a relação existente antes da queda, quando era plena a harmonia do éden. O domínio do homem sobre a mulher só surgirá mais adiante com o rompimento da Aliança (Gênesis, 3: 16), o que mais tarde os religiosos chamariam de pecado.

É a revelação do mistério.

Dito isto damos por encerrada esta parte buscando ainda avançar no entendimento de outros textos do mesmo Paulo.



[1] Apesar de não este o sentido do submeter-se desejado por Paulo

[2] Por este motivo Deus é Pai (masculino), pois é Irradiador Sempre, Eternamente doador, fecundante, não pode ser acrescentado em nada. Apesar de em sua essência não ser nem masculino nem feminino, pois masculino e feminino limitam, e Deus é o Ilimitado.

[3] Efésios, 1: 10

[4] Ibidem, 1 22

[5] Ibidem, 2: 13; veja ainda Baumert, pág. 200.

[6] João, 10: 30

[7] João, 17: 21 e 22

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Respostas a este tópico

Amigo Claudio Fajardo, acompanhei durante as suas  quatro postagens os seus estudos "Estudando Paulo de Tarso" e observando as suas conclusões nada tenho a contestar (quem sou eu para isso), PARTINDO DO SEU RACIOCÍNIO LÓGICO embasado nos seus conhecimentos.

Apreciei de verdade, até me contrariando quando da segunda postagem reclamei (precipitadamente) antes do término da sua apresentação; porém não posso deixar de comentar que o prezado amigo usou deliberadamente (?) o título dos estudos, Mulheres Sujeitai-vos a Vosso Marido, pois saberia que cansadas de serem subjugadas por séculos, as mulheres, como eu mesma fiz, correriam a contestar seus argumentos antes de serem expostas todas as suas considerações, e isso cá para nós não foi muito "caridoso" de sua parte, convenhamos.

Abrçs e parabéns pelo trabalho.

TENHO POUCO CONHECIMENTO.COLOCOU ESTE TEMA POR SER USADO NA ÉPOCA. MAS É DURO,COMO FOI

COLOCADO ACIMA,MACHISTA. É QUESTÃO DURA SAULO ATÉ CONVERTER EM PAULO, FOI MUITO DÍFICIL.

ENTENDI,MAS QUERO ESTUDAR MAIS OS TEXTO.

OBRIGADO,POR PARTICIPAR DESTE ESTUDO.

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