O que você pensa a respeito da Democracia, do Facismo, e do Comunismo? - Visão de um Espírito

O que você pensa a respeito da Democracia, do Fascismo, e do Comunismo?

Utilizando esse minifúndio espaço, vimos repercutir brilhante palestra feita pelo Espírito Nilo Peçanha,  7º Presidente do Brasil no período de 14/06/1909 a 15/11/1910, através da mediunidade de Chico Xavier.

Embora a mensagem tenha sido ditada em 1935, seu conteúdo abre ângulos interessantes para os dias atuais.

Convidamos o leitor desse blog, para estudá-la, à luz da Doutrina Espírita que traduz o Evangelho do Cristo para a gloria imortal.

Ave, Cristo!

Carlos Costa

*******

DEMOCRACIA - FASCISMO - COMUNISMO

DUAS MENSAGENS DE NILO PEÇANHA SOBRE O MOMENTO POLÍTICO BRASILEIRO

Se difícil e inoportuna se torna aos espíritos a ação de se imiscuir nos problemas atinentes à iniciativa necessária dos homens, nada os impede de oferecer aos que ficaram na liça, despendendo energias na mesma atividade que constituiu o característico de suas existências sobre a face da Terra, auxiliando assim aos que avançam pela estrada evolutiva, os cabedais de suas experiências, única riqueza que lhes ficou das temporalidades desse mundo.
Todos quantos amaram o Brasil, ofertando-lhe a vida, no que ela possuía de melhor, é claro que não poderiam permanecer indiferentes aos problemas da coletividade nacional. Uma questão grandiosa demais pela sua complexidade e importância deve preocupar a quantos se
encarregaram do governo do povo para o povo; a política nacional infelizmente não vem encarando as suas obrigações austeras como se faz mister. No letargo que os poderes da fôrça propiciam, ouvindo empolgada os cantos de sereia do partidarismo e do individualismo perniciosos, vem olvidando os seus máximos deveres, as suas obrigações mais sagradas.
É óbvio que no Brasil da atualidade a única fórmula governamental adaptável às conveniências do país, para que as massas permaneçam isentas dos sacrifícios de toda a natureza, tem de ser baseada nas linhas democráticas, preparando-se a nacionalidade pela educação dentro da
ordem para a evolução do futuro. Entretanto, o extremismo vem solapando o edifício das nossas instituições, espalhando doutrinas anarquisadoras, copiando os programas dos outros esquecendo-se de que ainda não nos dignamos examinar, em mais de cem anos de nossa independência jurídica, as realidades nossas, as questões visceralmente brasileiras, alheios ao ambiente que reflete as feições idiossincráticas do nosso povo.
Não temos realizado mais que aquelas “travessuras do símio” de que nos falava Rui Barbosa nas suas célebres afirmações. O nosso país já atravessou o período em que se tornava mister a tradução e a adaptação dos costumes e leis alheias. Faz-se preciso encarar as nossas necessidades
de perto, sem as imitações burlescas dos países que instauraram o governo forte pós-guerra e do comunismo que a Rússia se habituou a fabricar apenas para a exportação.
A situação do Brasil atual é de angústia, tanto no terreno econômico-financeiro como nos bastidores da administração que se vem conduzindo com a mais lastimável ausência de tirocínio nos problemas referentes às classes produtoras e trabalhistas.
Urge abandonar os velhos sistemas de faciosismo eleitoral, encarando as questões nacionais nas suas mínimas facetas.
País essencialmente agrícola, o Brasil tem de voltar as suas vistas para a sua imensa extensão territorial, multiplicando os conselhos técnicos da agricultura, velando carinhosamente pelos seus problemas. Ninguém pode contestar que os ministérios se tenham desviado das suas elevadas
finalidades e que se venham dissociando na desorganização. Todos os seus serviços são perfeitos, todos os seus aparelhos são utilíssimos.
Contudo sobre eles está a suposta onisciência governamental. Não bastam conciliábulos da política administrativa para a criação de leis exequíveis e benfeitoras da coletividade. Acima de tudo é necessário estudar-se uma das mais importantes questões de psicologia política. Faz-se preciso
interessar as classes, captar a adesão do povo a essas leis, seduzir as massas com a exposição dos seus altos benefícios. Todos os regulamentos e leis criados para o povo tornam-se desnecessários desde que se não saiba interessá-lo, desprezando desse modo o largo potencial de suas
energias para a sua perfeita execução. As leis estiolam-se e desaparecem quando não são bafejadas pela homologação popular.
Nos dias que passam, é urgente a renovação das leis agrárias, intensificando-se a reprodução, fomentanda-se a indústria, regulando eficazmente a balança comercial na nacionalidade, quer seja solucionando o enigma do transporte e das questões tarifárias dentro do país, ou fundando no estrangeiro os mercados dos nossos produtos.Esses problemas grandiosos têm sido relegados a um plano inferior pelos nossos administradores, os quais infelizmente arraigados aos sentimentos de personalismo vivem apenasmente para as grandes oportunidades.
Faz-se necessário melhorar as, condições das classes operárias antes que elas se recordem de o fazer, segundo as suas próprias deliberações, entregando-se à sanha de malfeitores que sob as máscaras da demagogia e a pretexto de reivindicações, vivem no seu seio para explorar-lhes os
entusiasmos vibrantes que se exteriorizam sem objeto definido. A maioria das nossas realidades por enquanto estão dentro dos problemas da assistência social, descurada por grande parte dos governantes. Os que vivem preconizando os partidos novos, apregoando o mesmo faciosismo de
sempre, se esquecem de que a nação precisa antes de tudo do livro e da higiene, das obras de assistência sob todos os seus aspectos.
Todavia, o que poderemos esperar? Mais vale uma experiência que cem conselhos – diz o brocardo popular.
Quando aí andávamos a mesma venda nos obscurecia os olhos.
Procuremos contudo apresentar o fruto dos nossos trabalhos passados que equivale a um patrimônio sagrado de experiências.
Deus ilumine o Brasil, permitindo que ele cumpra a sua missão sublime, como pátria do Evangelho, no concerto das nacionalidades.
Nilo Peçanha
(Recebida em Pedro Leopoldo a 31 de julho de 1935)                                                                             ************************************************************************************
Se for certo que, fìsicamente, todas as nações representam em si o patrimônio comum da Humanidade, eliminando-se o sentimento dos regionalismos, injustificáveis, em virtude do laço de fraternidade que une todas as criaturas, ante a vontade soberana de Deus, é certo igualmente
que determinadas coletividades, mesmo no plano espiritual, colaboram em favor do progresso dos núcleos humanos a que se sentem escravizadas pelos mais santos laços afetivos no complexo grandioso das afinidades raciais. Não poderão portanto constituir nenhuma surpresa os nossos
propósitos de personalidades desencarnadas, tentando imprimir um novo surto ao pensamento de evolução do povo brasileiro, concitando todos aqueles que se encontram nos bastidores da política administrativa à solução dos nossos problemas de ordem econômica e social.
Colaboramos, sim, com todos, não obstante as condições de invisibilidade da nossa ação, procurando influenciar na esfera de nossas possibilidades relativas a prol da solução objetiva das grandes questões que assoberbam a nacionalidade. Mais que nunca necessita o Brasil
voltar-se para o estudo, para a necessária análise do seu infinito reservatório de economias, abandonado por alquiles a quem compete um estudo metodizado de plano amplo de ação em favor das nossas realidades, genuìnamente nossas, extremes de qualquer atuação estrangeira. Observando-se os nossos institutos políticos e econômicos, reconhecemos que quase nada adiantamos além das cópias das normas que nos ofereciam outros povos, dentro de sua existência coletiva, radicalmente diversa da nossa, em suas modalidades multiformes. Nas questões do direito, da administração, dos regulamentos, nada temos feito senão adaptar as más adaptações de tudo quanto observamos nos outros.
Seria preciso criarmos um largo movimento de brasilidade, não para a arte balofa dos dias atuais que aí correm de bandeirolas ao vento, proclamando nossas ridicularias indígenas, mas um sentimento essencialmente brasileiro, saturado de nossas realidades e necessidades inadiáveis.
Infelizmente tivemos a fraqueza de nos apaixonarmos pelas teorias sonoras, acalentando os homens palavrosos, conduzindo-os aos poderes públicos, endeusando-os, incensando-os com a nossa injustificável admiração, olvidando homens de ação, de energia, que aí vivem isolados,
corridos dos gabinetes da administração nacional, em virtude de sua inadaptabilidade às lutas da política do oportunismo e das longas fileiras do afilhadismo que vem constituindo a mais dolorosa das calamidades públicas do Brasil. Precisávamos para a solução de nossos problemas
mais urgentes, não de copiar artigos e regras burocráticas, mas firmar pensamentos construtores, que renovassem os nossos institutos de ordem social e política, hoje seriamente ameaçados em suas bases, justamente pelo descaso e inércia com que observamos as exposições das teorias
falsas e errôneas para a esfera do governo, as quais infiltrando-se no âmago das coletividades, preparam os surtos dos arrasamentos.
Nem sempre liberdade significa prosperidade. Dar muitas liberdades a um povo que se ressente de necessidades gravíssimas, inconsciente ainda de suas responsabilidades, falando-se de um modo geral, é fornecer armas perigosas para a destruição da vida desse mesmo povo. No Brasil,
sobram as regalias políticas e as liberdades publicas. Tudo requer ordem e método. As coletividades brasileiras fazem mais questão do direito da higiene, do conforto necessário, do pão e da escola que do direito irrisório do voto, dentro das lutas de clã e no ambiente viciado dos partidos.
O povo brasileiro tem colhido inúmeras ilusões nas experiências coletivas, conquistadas, muitas vezes, à farsa de sangue, nos seus deploráveis movimentos revolucionários. Revolução implica, em si, destruição de tudo quanto está feito. Mais prudente seria que pudéssemos observar constantemente a evolução geral, conseguindo norteá-la para um caminho de benefícios generalizados para a coletividade. Infelizmente esses movimentos em nosso país objetivam unicamente o individualismo dos políticos ambiciosos e a hegemonia dos Estados em detrimento das outras unidades da Federação. Movimentos revolucionários em nossa terra representam lutas dolorosas onde as ações ficam encerradas nas palavras das praças públicas, onde as massas sofredoras e anônimas guardam os mesmos enganos de sempre. Seria ideal que os brasileiros se
unissem para a cruzada  bendita do reerguimento da nacionalidade, conscientes de seu valor próprio, prescindindo as influências estrangeiras, realizando, construindo a pátria de amanhã, cujo futuro promissor constitui uma larga esperança para a Humanidade. Do próprio Nordeste,
cheio de flagelados e desiludidos, poder-se-ia fazer um oásis. Aí temos os homens do pensamento e da ação, realizadores práticos, corajosos, que atacariam, de pronto, os problemas maia fortes de nossa economia, preservando-a, metodizando-a para o bem-estar da nação. Mas onde se
conservam essas criaturas do sentimento e do raciocínio que as melhores capacidades caracterizam? Justamente, quase todos, por nossa infelicidade, se conservam afastados da paixão política que empolga a generalidade dos nossos homens públicos; com algumas exceções, a nossa
política administrativa, infelizmente, está cheia daqueles que apenas se aproveitam da situação, para os favores pessoais e para as condenáveis pretensões dos indivíduos. O sentimento da solidariedade das classes, do amparo social, que deveriam constituir as vigas mestras de um instituto de governo, são relegados para um plano inferior, a fim de que se saliente o
partido, a pretensão, o chefe, a figura centralizadora de cada um, em desprestígio de todos.
É dessa orientação nociva que se vem derivando o mal-estar das classes produtoras e proletárias, no Brasil, predispondo-as a um estado de incompreensão altamente prejudicial à execução dos programas econômicos e políticos. E daí, a necessidade de uma compreensão mais profunda por parte do governo que deverá, rebuscar no cadinho das análises minuciosas, os menores problemas das classes, para resolvê-los, antes que elas, perigosamente, se abalancem a resolver por si mesmas.
Nesse trabalho de orientar os nossos homens do governo, estamos todos nós empenhados, todos os que, do plano espiritual, não obstante a ausência da indumentária carnal, vivem pugnando por um Brasil mais forte, unido e mais feliz.
Nilo Peçanha
Do livro Palavras do Infinito. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

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