Todos temos ouvido muitas notícias sobre catástrofes, especulações sobre o fim de mundo que ocorreria em dezembro de 2012 e, daqui para diante, a apreensão e os rumores tendem, é claro, a se intensificar. Já vivemos diversos outros momentos assim – a passagem do cometa Halley e a virada e o Bug do Milênio foram apenas as mais recentes – e esse alarmismo sem qualquer base cientifica não nos deveria perturbar mais.

Mas o fato é que nos atinge, pois todos nós fomos preparados antes dessa encarnação para uma importante mudança e o nosso inconsciente nos diz que o momento é sério. Além disso, os estudiosos da cultura e do calendário Maia, assim como de diversas outras culturas antigas, dizem que, se simplesmente não existe qualquer alusão a fim de mundo, a idéia de transição está colocada. Nisso, aliás, eles coincidem com os mensageiros espirituais – em “Trabalhadores da Última Hora” cap. XX do ESE “Um espírito amigo” também nos fala em transformação da humanidade – e mesmo com o Apocalipse, que não aponta para a destruição do planeta nem para a extinção total da espécie humana.

O próprio Jesus nos evangelhos nos fala de um tempo onde seria feita a separação dos peixes, do joio e do trigo, a apartação das ovelhas e dos bodes ou, sem maiores simbolismos, que numa família um seria levado e o outro deixado. Se não é o fim do mundo, para que tantos alertas? Para bem entender tal questão, e a gravidade do momento por nós vivido, é preciso propor uma visão de perspectiva mais ampla sobre a criação e sobre a história da humanidade na Terra.

Em estudo publicado nessa semana, astrônomos estimaram em dezenas de bilhões os planetas que eles chamam de habitáveis na Via Láctea, nossa galáxia. Aceita-se, por outro lado, a estimativa de que haja, no “universo observável” cerca de cento e setenta bilhões de galáxias. A multiplicação de um número pelo outro gera um terceiro tão grande que nem se usa o termo referente a tal grandeza. Por que, num Universo tão vasto, somente a Terra seria escolhida para ser habitada? Estatisticamente, parece muitíssimo provável que existam outras humanidades no Universo, independentemente de crermos ou não na existência de discos voadores.

Por outro lado, a construção de gigantescos monumentos na Antiguidade, especialmente as pirâmides, sempre desafiou a comunidade científica. Há analistas, inclusive, que entendem que mesmo a humanidade atual, com todo seu impressionante aporte tecnológico, não seria capaz de tal empreendimento hoje. Teria regredido a humanidade? Quem seriam esses seres capazes de tal empreendimento? Por que a humanidade, há séculos, parou de construir tais monumentos?

Segundo dois livros dignos do máximo respeito pela comunidade espírita – Exilados de Capela, de Edgar Armond, e A Caminho da Luz, de Emmanuel/ Chico Xavier – houve um tempo, ao início da jornada propriamente humana na Terra, provavelmente na passagem do planeta do estágio de planeta primitivo para mundo de expiação e provas, em que nossa humanidade recebeu levas de espíritos migrantes de outro planeta, os quais ajudaram a formar nossa humanidade, enxertando com seu desenvolvimento biológico e seu conhecimento científico a humanidade primitiva que aqui habitava.

Ocorre que num planeta distante também ocorria uma transição. Vivera por muito tempo seu estágio de Provas e Expiações e transitava para o estágio de Mundo de Regeneração. Uma parcela de sua população, no entanto, não se mostrou capaz de acompanhar tal mudança por possuir uma “perna” de sua evolução bem desenvolvida, a do conhecimento científico, e outra atrofiada, a do senso moral. Obedecendo ao próprio senso comum que nos diz que “em terra de cego quem tem olho é rei”, para a humanidade terrena esses migrantes planetários foram não só reis, mas gurus, generais, sacerdotes, mestres, deuses, o que responde a pergunta feita em famoso livro, em que Erich Von Daniken questionava em seu título “Eram os deuses astronautas?”.

Eram imigrantes, marcados por um conhecimento incrível para a época, assim como por uma saudade inexplicável, e que, algumas encarnações depois já haviam, em sua maioria retornado ao planeta de origem por haver realizado a iniciação moral que não foram capazes na vivência mais suave do estágio mais desenvolvido. Deixaram um legado fundamental no desenvolvimento da Terra, mas também uma lacuna científica não preenchida pela humanidade remanescente.

Pois bem, nesses anos todos, jamais ficou nossa humanidade sem seus cuidadores e mestres espirituais. Eram todos enviados de uma mesma Governadoria e apenas diferenciaram-se porque precisavam atender a povos com características e estágios diferentes. Tolos são seus seguidores por pretenderem estabelecer uma competição, guerras mesmo, para imporem a pretensa superioridade do seu condutor espiritual, prática que percorre as diversas religiões e civilizações do globo.

No último estágio do ciclo de Provas e Expiações da própria terra, o próprio Governador da Terra veio ao planeta, na figura de Jesus Cristo, parecendo entender, que o trabalho mais importante não deve ser delegado a ninguém, mas sim realizado pessoalmente, no qual anunciou, como visto, que estaria próxima nova transição da Terra. Pois bem os últimos dois mil dos vinte mil anos de provas e expiações transcorreram e a transição já está em curso, tendo ainda encarnada uma importante parte da humanidade ligada à Terra: nós.

Tendo ouvido tantos mestres espirituais, e mesmo o próprio Governador e seus seguidores por tantos séculos, sabendo agora que os melhores alunos não mais precisaram encarnar, mas que nós ainda estamos aqui, como devemos nos considerar? Se alunos que repetiram de ano três ou quatro vezes são considerados multirrepetentes, nós, que ainda estamos aqui depois de vinte, trinta encarnações, podemos nos considerar o que?

Por isso é tão grave nosso atual momento. Se tivéssemos filhos que tivessem ido muito mal na prova do primeiro bimestre por estarem distraídos com lazeres, prazeres e poderes, assim também no segundo, no terceiro e no quarto bimestres mas que ainda a escola, com extrema generosidade, resolvesse inseri-los na recuperação, com a chance de uma prova final, nós os deixaríamos distrair novamente?

Pois no Brasil, possuímos uma bonita música que é dada por muitos como muito sábia, que diz em seu refrão: “O acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”. Outra, igualmente de sucesso, pede “Deixa a vida me levar, vida leva eu”, cantada e composta por um alcoólatra inveterado muito criativo e carismático que se suicida aos olhos de todos. Será que estamos preparados ou ao menos nos preparando para a prova?

As preocupações das pessoas nesse tema são quanto à forma e à data em que o mundo vai “acabar”. De um lado, como vimos, as datas fatídicas passam e o mundo não acaba, e mesmo assim novas datas surgem. De outro, ora dfende-se que o mundo acabará com fogo, ora com água, ora com terremotos e maremotos. E os cataclismos ocorrem – e sempre ocorreram por toda a nossa história – e o mundo igualmente não acaba. Mas, voltando à nossa metáfora escolar, se seu filho passasse o último mês antes da prova final preocupado apenas com o tipo de prova que seria dado, ou com a data em que seria marcada, o que você o aconselharia a fazer? Evidentemente você lhe diria que estudasse, pois esses detalhes não são o mais importante.

Pois o mundo espiritual vem nos dizer que não só o mundo não vai acabar, mas que a transição não se concluirá em 2012. Mas, por outro lado, ninguém garante que você não morrerá amanhã e sua situação se defina. O fato é que, enquanto você está vivo, isto só ocorre porque há um sentido em sua permanência, há uma oportunidade a ser aproveitada.

Mas qual é a matéria a ser estudada? Nada se pode querer acrescentar, no aspecto moral, à mensagem do Cristo que nos orienta a um aprendizado no amor, orientando-nos a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Estudar e praticar os evangelhos, e transformar-se com tal estudo, é o caminho, “conhece-te a ti mesmo” e “orai e vigiai” são máximas fundamentais para tal estudo-prática-transformação.

Quem irá atender ao convite feito pelo Senhor da Vinha? Quem mesmo nesse chamamento da última hora, ainda vai preferir ficar na praça, distraído?

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