O Espírita e a Política: uma reflexão a respeito das manifestações em redes sociais

O Espírita e a Política: uma reflexão a respeito

das manifestações em redes sociais

Vladimir Alexei

Belo Horizonte, das Minas Gerais,

07 de abril de 2018

 

Um dos maiores espíritas que reencarnaram no Brasil, foi político renomado: Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti. No mesmo período – final do século XIX – encontraremos Anália Franco como membro do Partido Republicano, fato que ela sabia separar, com distinção, de sua militância social e educativa. Cairbar Schutel assumia o posto de vereador pela primeira vez em 1889, Eurípedes Barsanulfo na pequena Sacramento, também dedicou-se à política, dentre muitos outros.

Ignorar a presença de políticos, cientistas, acadêmicos, empresários e filósofos no meio espírita, ao longo de sua existência, seria uma injustiça histórica. Figuras ilustres como Lins de Vasconcelos e Frederico Figner, empenharam suas vidas e suas respectivas fortunas à divulgação do Espiritismo. Envolviam-se em terreno delicado ao propor levar um pouco mais de luz, de esclarecimento ao povo mais necessitado.

Se recuarmos um pouco mais no tempo, veremos que o movimento que ocorreu no Brasil, espelhava aquilo que havia começado na França quando intelectuais, artistas, políticos e acadêmicos fizeram coro ao trabalho de Allan Kardec na propagação doutrinária. A França que abrigou Voltaire e Rousseau, precisou de conflitos armados para fazer com que a democracia se instaurasse. Segundo o historiador Will Durant, o movimento democrático nasceu do “dinheiro e da pólvora”.

Onde queremos chegar? Que falar sobre política e fazer política é tão natural quanto necessário. O que tem chamado a atenção, nas redes sociais, é a falta de compromisso com que a política tem sido compartilhada, inclusive, por espíritas. Assemelha-se a uma torcida de futebol em que os opostos desfilam provocações cada vez mais ácidas, demonstrando fragilidades preocupantes.

A omissão de instituições espíritas quanto ao cenário político, transformou-se em algo “normal”, quando lideranças confundem a liberdade de opinião com o laissez faire, no sentido de o que você quiser fazer é problema seu, afinal, não esclarecerem seus profitentes.

Recentemente, um espírita de renome, por seu belíssimo e indiscutível trabalho assistencial desenvolvido em bairro de periferia de Salvador, além de extensa obra mediúnica, foi duramente criticado por posicionar-se a favor da “direita” e daqueles que a imprensa tem noticiado como “pessoas de bem”. É a opinião dele e deve ser respeitada, assim como devemos respeitar a opinião daqueles que pensam diferente, como os que se colocam de “esquerda”.

Aliás – apesar de toda a crítica que essa reflexão receberá –, combina mais com o espírita o posicionamento de esquerda do que da situação. Por que? Porque o progresso social, a partir do progresso individual com acesso à educação e melhores condições de vida deveria ser uma plataforma de trabalho do espírita, de acordo com seus recursos e posicionamento social. As Leis Morais em O Livro dos Espíritos podem elucidar melhor esse pensamento.

O que tem ocorrido é uma confusão dantesca entre o agente de corrupção e a corrupção. A corrupção é uma das manifestações do egoísmo humano, quando, em detrimento ao bem comum, opta-se por levar vantagens pessoais, sem pensar no progresso que poderia realizar se agisse da forma diferente. O “instrumento de escândalo” (o corrupto) é refém de suas escolhas, arregimentando compromissos de ordem espiritual cada vez mais sérios e que deveria ser motivo para profundas reflexões de nossa parte: acaso estamos isentos de erros, mazelas e dificuldades de toda ordem? Eleger um “salvador” que não seja o “Modelo e Guia da Humanidade” é procurar amparo para legitimar ideias egoístas.

Os instrumentos que hoje avaliam a corrupção, também se beneficiam dela, de maneira que, seu senso de justiça nem sempre é capaz de sobrepor o posicionamento político de “situação-oposição”, obnubilando o julgamento de condenar.

Quem está certo? Quem está errado? Camille Flammarion, no túmulo de Allan Kardec proferiu discurso que se notabilizou por considerar Kardec o “bom senso encarnado”.

Um amigo, de esquerda, com profundo bom senso – em todos os campos da vida, admirável, diga-se de passagem – sempre nos diz que “os extremos devem ser evitados”.

Não tenho vinculação a nenhum partido político. Fui eleitor tanto de esquerda quanto de direita ao longo dessa jornada terrena. Procuro, como livre pensador, analisar prós e contras, ainda que contrariem as opiniões dos amigos. No máximo, evito discutir e tentar “impor” meu ponto de vista para que as discussões não se exaltem além do ambiente fraterno em que começaram. Busco vislumbrar qualidades na oposição e situação para escolher candidatos e seus respectivos projetos para solucionar os problemas do país. Acertamos e erramos em nossas escolhas, mas não transformamos nosso posicionamento pessoal em motivo para brigas, contendas e desavenças, sejam no meio espírita ou fora dele.

Que o espírita se posicione favorável ou contra determinada corrente política, mas que sua forma de se posicionar seja pautada nos princípios doutrinários que, na atualidade, ele consegue praticar. Não sejamos nós, espíritas, motivo de escândalo, incentivando a proliferação de ideias contrárias ao que a Doutrina Espírita nos orienta, seja de esquerda ou direita: o contraditório é saudável no processo de aprendizado!

“Aos homens progressistas se deparará nas ideias espíritas poderosa alavanca e o Espiritismo achará, nos novos homens, Espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo.” (Allan Kardec)

Autor:

Vladimir Alexei é orador espírita na cidade de Belo Horizonte/MG e colaborador da Rede Amigo Espírita

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Respostas a este tópico

Vladimir Alexei  boa tarde meu irmao aqui estamos sempre devatendo os nossos pontos de vista  sempre nunca confundir nossa posicao com a posicao daques que nos sao contrarios  na politica somente falta o bom censo i humildade para com os seus sobredinados  ai esta aganancia que projudica muitos  que nao deveriam de agir assim mas libre abitrio de cada um  abc 

De fato. Dizer que o espírita não deve se envolver com política, pode significar uma omissão irresponsável. Porque é com exemplos e atos que mostra que se é espírita e não exibindo O Livro dos Espíritos, assim como não é exibindo a Bíblia que se mostra que se é cristão. O problema tem sido separar as coisas e resistir ao assédio das forças do mal, ao espírito de associação política contaminado pela corrupção sistêmica que se instalou organicamente no Estado após a chamada esquerda assumir o poder. O Sr. não quis citar o nome mas com tanto detalhe, nem precisaria. Divaldo Franco exemplifica o que crê. E o exemplo e tão ou mais eloquente do que do que suas obras literárias e suas exposições. Assim deveria ser um político. 

Realmente no calor das paixões que as discussões políticas tem acontecido é necessário realmente fazer um reflexão sobre os sentimentos nem sempre compatíveis com as reformas que o Evangelho nos propõe. Fui uma das que fiquei estarrecida com as declarações de Divaldo .Mesmo  compreendendo seu direito as  escolhas , a surpresa foi  por conta do tom claramente  sectário e direcionada a um só grupo político que ele deixou entrever.  Passou a mensagem no meu falho e pequeno entendimento que havia uma conspiração representada pelas forças da esquerda no Brasil. O que me lembrou o discurso da organização de ultradireita católica TFP, que vive espalhando teorias da conspiração, mas só com a esquerda.Mas tenho tentado ser fiel a caridade e no "suportai-vos uns aos outros."

Como aprendi no com o evangelho o socialismo primitivo claro no os atos dos apostolos.4:32. Nunca li Karl Max ou outros expoentes comunistas ou socialistas, Para mim é estranho um espírita defender teses e politicas  que estão associadas a mais exclusão . Mas entendo que não tenho direito de julgar suas opções como quero ser respeitada nas minhas . Porém já vi ser defendido na casa espírita, que bandido bom é bandido morto além de outras pérolas e me pergunto, parafraseando César Augustus: até tu espírita?

Todos nós temos direito de nos indignarmos diante de tantas contradições das Instituições deste país.

 Dentro do manto que nos cobre  teremos que nos prevenir nessa mrsma razao de ser Espirita i politica  se Deus nos deu o libre abitrio de escolheremos verdade mas com humildade i saveduria de nao criaremos intritos  com outros sobre aquilo que nao queremos para nos  i feliz daquele que e politico i trabalha com humildade  para o seu proximo  i nunca calcar  o seu semelhate  i isso nao acontece com muitos hoje   desta politica somente resta  atender as leis SDivinas que nos encinam amar  o proximo como a nos mesmos 

Boa tarde!

É verdade que devemos respeitar os pontos de vista de todos mas, omitir-se é tarefa que não nos cabe!

Quando se observa o termo esquerda no Brasil deve-se observar que o termo está contaminado por ideologias nocivas ao ser humano e principalmente a princípios familiares e até cristãos! 

Exemplifico defender o direito de cada um ter liberdade de opiniões, escolhas e ver seu mérito reconhecido são atitudes de direita! Pois a esquerda cada vez mais fez opções por pessoas descompromissadas com o bem do ser humano e do país!

A cartilha de destruição dos valores morais e tradicionais que construíram a sociedade moderna está sendo implementada com total desrespeito a opinião da maioria! Hoje o que se vê é uma cultura estimulando a desunião seja por raça, credo, opções sexuais, posição social tudo baseado em pessoas que defendem arduamente a esquerda!

Somos responsáveis por construir uma sociedade melhor para todos e não apenas para uns! Divaldo verbalizou o que grande parte da sociedade pensa mas, por ser contrário a essas correntes foi tremendamente criticado! Que cada um reflita sem paixões e imagine-se na sociedade que se prega tomando como exemplo os países como a Venezuela, Cuba, China onde a liberdade se resume ao que o partido define ser como tal!

Meu Caro Vladimir Alexei.

Muito louvável este teu artigo, por ensejar profundas reflexões sobre as mazelas que eu particularmente preciso corrigir, sendo que uma das quais se expressa infelizmente pela omissão, cujo sentido se dá de forma tão variada, principalmente por se tratar de um hábito que mantemos ainda secretamente arraigados na alma e que nos faz permissionários em causa própria das mais deploráveis e mesquinhas condições de fuga perante nossos deveres, por nos julgar isentos da observação alheia. Aí então nos omitimos não só nas ações políticas com as quais poderíamos contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos nossos irmãos, sempre respaldando a justiça. Nos omitimos no trabalho, burlando horários, ritmos de produção; nos omitimos como cidadão, ao furar uma fila em local público; quando auferimos vantagens nos serviços públicos, distribuição de medicamentos em regime de gratuidade, recolhimentos de impostos quase sempre em detrimento dos menos afortunados; nos omitimos no trânsito, ultrapassando ou estacionando em locais não permitidos etc...; nos omitimos em casa quando enganamos esposa e filhos em favor do nosso lazer... nos Centros Espiritas, conscientes de que ninguém nos observa fugimos vergonhosamente das mais comezinhas responsabilidades sociais e morais; nos omitimos até mesmo quando assumimos no seio destas sociedades, simplesmente por ostentação, cargos para os quais não temos o mínimo preparo.

É louvável o texto, também por desnudar nossa condição moral infinitamente inferior àquela com a qual nos apresentamos, (lembrando aqui o episódio ocorrido, envolvendo um dos baluartes contemporâneo da Doutrina Espirita, mencionado no texto...) pois bastou que ele emitisse um ponto apenas de sua opinião particular, não de forma usual, para que muitos de nós fossemos sintonizados e arremessados a condição moral de cada um, desviando quase que totalmente do assunto central, e em obediência ao próprio ego nos posicionamos totalmente contrário,  manifestando laivos de intolerância como a dizer que somente a nossa opinião particular devesse ser ouvida, por se tratar da única verdadeira, esquecidos completamente de que Jesus sim é o nosso Real Governo, que tudo que nos ocorre, tem o seu juízo, porque Ele sabe perfeitamente o que precisamos, se é desse ou daquele administrador, corrupto ou não.

Portanto somos livres para emitir ou omitir nossas opiniões, não porém eximir-se das consequências, se queremos realmente nos tornarmos úteis ao meio em que vivemos, devemos antes de tudo voltar nossa consciência para o nosso Pai Celestial, confiar integralmente aos cuidados e direção de Jesus Cristo, e principalmente fazer o dever de casa, que é extirpar as mazelas (corrupção) que trazemos escondidas dentro de nós.                                           

     

Em qualquer situação temos que colocar o respeito em primeiro lugar, se ainda não conseguimos colocar o amor, conforme Jesus recomendou. As vezes me surpreendo com criticas radicais dos irmãos espíritas a outros irmãos. Ainda julgamos impiedosamente e nos comprometemos com sentimentos de baixa vibração como a raiva. Temos muito a caminhar e, nos esquecemos que nossos equívocos estão escondidos, por misericórdia divina de nós mesmos. Mas a esperança nos move e, estamos caminhando para um mundo mais fraterno.

Candidatos a cargos eletivos se camuflam e podem subir ao monte da autoridade e do poder, porém, enganam o povo e o esquecem depois. Aborto, não.

http://paespirita.blogspot.com/2018/07/curto-circuito-cognitivo-esp...

“O pior analfabeto é o político. Ele não houve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. Esse analfabeto se orgulha dizendo que odeia política. Mas é da sua ignorância política que nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista e corrupto.”

A frase “não devemos misturar espiritismo e política” esconde insuficiências e deficiências?

https://espirito.org.br/artigos/pergunte-ao-candidato-sobre-o-abort...

A pessoa argumenta contra o aborto, mas vota em adeptos da “morte in útero”.

Como explicar a incoerência?

No Brasil, um dos primeiros atos pró-aborto foi assinatura do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, onde havia o compromisso de legaliza-lo no Brasil.

Em Abril de 2005, foi apresentado à ONU um documento com o compromisso de legalizar o aborto durante o mandato presidencial. A descriminalização do aborto foi diretriz do programa de governo incluindo o segundo mandato.

Em setembro de 2009, foram condenados, por infração contra a Ética Partidária, dois deputados federais, da base aliada, por terem se posicionado contra o aborto.

Em junho de 2012, o governo declara que o sistema de saúde acolheria mulheres que desejassem fazer aborto e as orientaria na utilização correta dos métodos. O argumento foi que é crime praticar o próprio aborto, mas não é crime orientar uma mulher na sua realização.

No ano seguinte, 01 de agosto, foi sancionada a Lei 12.845. Que 2013! Que agosto! Que desgosto!

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