HÁ AMOR NO QUE VOCÊ FAZ?

“Quanto mais eu escrevo, mais as palavras aparecem. Quanto mais eu vivo, mais a vida me esquece.

Quanto mais eu choro, mais as lágrimas descem. Quanto mais eu amo, mais a esperança cresce!” – Lugo Gaul

           

Começamos 2020, meus queridos amigos e a saudade já apertava o peito por mais um dedinho de prosa com vocês. Refletia sobre o que abordaria neste primeiro texto do ano. Seria muito oportuno falar em planejamento, metas e escolhas. E para falar sobre organização do futuro, pensei sobre o que almejei.

Eu amo ser pai e há alguns anos senti que deveria adotar 7 crianças. Encontrei uma companheira que aceitou o desafio e me deu ainda dois filhos biológicos. Não consigo descrever o que senti quando nasceu meu primogênito; foi um amor tão grande que nunca havia sentido por nada ou por ninguém. E, contudo, paternidade/maternidade é algo que se aprende na prática. A teoria pode ajudar, mas é no contato com o pequeno mundo da criança que vamos aprendendo agir: errando e acertando.

Por que tocar na questão de meus filhos? Porque isso tem um vínculo direto com o que idealizei para o meu futuro aos 21 anos de idade. Dizem que a única certeza que temos na vida, é a morte; no meu caso, carrego também como certeza, realizar a união dessas crianças sobre minha tutela.

É lógico que escolher uma meta, requer planejamento e o entendimento que pagamos por qualquer escolha que venhamos a fazer (pagamos também por não fazer). Planejamentos a longo prazo sofrem interferência de vários fatores, e muitas coisas que sonhamos podem acontecer bem diferente do que havíamos imaginado. Indiferente a qualquer mudança do que é periférico, o que não se deve mudar é o projeto principal. Se temos certeza, que aquele é o nosso caminho, devemos envidar todo tipo de esforço para que ele saia do mundo das ideias e tome corpo. Entrementes, vale ressaltar que a vida poderá nos dar sinais de que o caminho está equivocado – aqui caberá grande senso de maturidade e renúncia. Às vezes, o melhor é dar um passo atrás para não perdemos tudo o que já foi conquistado. Recordo-me de um diálogo que tive com meu amigo Ricardo Mello. Ele afirmava que quando estamos no caminho errado, é como se estivéssemos dirigindo no acostamento (tem pedras, buracos, o carro sofre mais solavancos); já quando estamos no caminho certo é como se estivéssemos dirigindo no rodovia – no asfalto (isso não quer dizer que não teremos dificuldades, mas sentiremos uma diferença enorme entre as dificuldades da rodovia e do acostamento).

Sem perdermos o foco, vale ressaltar que o mais importante que o destino é a trajetória. É preciso aprender com as lições que nossas escolhas nos trarão. Não poderemos esquecer jamais o que nos motivou a seguir pelo caminho escolhido. E, acima de tudo, entender que é preciso uma dose de amor em tudo o que fizermos – estará aí toda a diferença. Como a maioria de vocês, meus/minhas amigos/as leitores/as, sabem, sou um homem de fé. E quando me perguntavam como eu poderia ter nove filhos (eu ainda era soldado da Força Aérea Brasileira, jovem sonhador e com um futuro incerto), pagando todas as contas e dar a eles o suficiente para viverem dignamente; eu sempre respondia: O que fazer, eu sei (adotar)... o como é com DEUS. Acredito em forças cósmicas que conspiram ao nosso favor, basta que alinhemos o nosso pensamento com o que é bom e belo e tudo mais virá no tempo certo.

É imperioso que você estude sua existência e veja o que lhe é mais precioso, o que deseja alcançar ou se tornar. Ato contínuo, é criar estratégias que lhe possibilite tornar real seu sonho (nesse momento é preciso estudar suas fraquezas e identificar tudo aquilo que pode lhe sabotar). Após essas etapas, será necessário dar um passo de cada vez na direção de seus objetivos. Não poderá perder de vista, a meta; nem se esquecer do preço a pagar, bem como dos riscos que poderão surgir para lhe afastar do seu castelo de sonhos. Feito tudo isso, mister se faz que escrevamos em letras garrafais em uma placa que deve ser colocada nos lugares que mais permanecemos: PONHA UM PUNHADO DE AMOR EM TUDO O QUE VOCÊ FAZ!

Se não tivermos bem claro em nossas mentes, essa última frase, corremos o risco de sofrer muito ao longo da jornada. Quando as situações mudarem, quando as pessoas partirem, quando as dificuldades nos visitarem, quando o planejamento for por água abaixo, quando chegar a hora de pagar o pedágio das escolhas – nosso coração se partirá e a sombra da dúvida irá escurecer o nosso céu da esperança e do sonho.

Infelizmente, confundimos o amor com o desejo ou a paixão. O amor tão ricamente cantado em verso e prosa, ainda é muito mal-entendido por nós, criaturas humanas. Porém o amor verdadeiro nos plenificará e nos sustentará nos momentos de provações e lutas. Rememoro que Chico Xavier disse certa vez: ´Devemos colocar uma gota de verdade em um litro de amor!’ Para alcançarmos os corações alheios será preciso muito amor, imagina para alcançarmos nossos sonhos?

Para concluirmos, citaremos o trabalho de Experiência de Quase Morte (EQM) da Doutora Elisabeth Kluer-Ross – a mãe da Tanatologia. Em suas pesquisas, com os paciente que foram considerados mortos e voltaram a vida, todos que se lembravam de suas experiências extracorpóreas afirmavam ter ouvido a seguinte pergunta: ‘Quanto amor você distribuiu na Terra?´

Se partirmos amanhã e ouvirmos essa pergunta, qual será nossa resposta?

Que as reflexões possam nos fortalecer e trazer de dentro de nós, o que há de melhor.

            Paz e luz a todos e até a próxima.

NELSON XAVIER

Consultor em Desenvolvimento Humano / Pedagogo

Facebook: https://www.facebook.com/XNELSON10

E-mail: xnelson@barbacena.com.br / Instagram: @xnelson10

 

 

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Respostas a este tópico

‘Quanto amor você distribuiu na Terra?´ - Pergunta inquietante.

Excelente reflexão você traz, Nelson. Obrigada.

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