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O furacão Matthew

Temos acompanhado as notícias sobre novo furacão que se formou e vem atingindo o Caribe e os Estados Unidos. Batizado com o nome Matthew, já produziu mais de novecentas mortes e devastação física incalculável.

“Para entender como esses fenômenos ocorrem, é necessário compreender a origem das chuvas, que se dá em dois estágios: primeiro, a vaporização das águas; depois, a condensação desse vapor, caindo novamente em forma de água. Quando isso ocorre nas águas quentes do oceano, com temperatura acima dos 27ºC, furacões podem ser formados.

Em geral, esse aquecimento das águas acontece em zonas tropicais, isto é, entre os Trópicos de Câncer e Capricórnio, por isso, o fenômeno é classificado como ciclone tropical. Nessas latitudes, a água transforma-se em vapor e sobe aquecida do oceano para as nuvens, deixando a região atmosférica, próxima à superfície do mar, com uma pressão menor. Isso faz com que o ar frio, que possui uma pressão maior, invada o espaço desocupado pelo vapor que subiu. Com isso, o ar frio também se aquece e sobe em movimentos circulares.

Já na alta atmosfera, o ar quente esfria-se e transforma-se em nuvem, formando um sistema de nuvens e ar em movimento. O calor do oceano e da água que evapora faz com que os ventos acelerem-se cada vez mais, formando uma corrente de ar que se desloca em um movimento circular, dando a aparência de cone para o furacão.” (1)

Trata-se, portanto, de efeito natural relativo às condições físicas do planeta, que são subordinadas à Lei Natural, que por sua vez é a Lei de Deus. (2)

A propósito da destruição causada, consequência natural do fenômeno, A Doutrina Espírita nos esclarece:

“A destruição é uma lei natural?
– É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar. O que chamais destruição é apenas transformação que tem por objetivo a renovação e o melhoramento dos seres vivos. (3)

Por que, ao lado dos meios de conservação, a natureza colocou ao mesmo tempo os agentes destruidores?


– O remédio ao lado do mal, já dissemos, é para manter o equilíbrio e servir de contrapeso. (4)

Com que objetivo os flagelos destruidores atingem a humanidade?


– Para fazê-la progredir mais depressa. Não dissemos que a destruição é necessária para a regeneração moral dos Espíritos, que adquirem em cada nova existência um novo grau de perfeição? É preciso ver o objetivo para apreciar os resultados dele. Vós os julgais somente do ponto de vista pessoal e os chamais de flagelos por causa do prejuízo que ocasionam; mas esses aborrecimentos são, na maior parte das vezes, necessários para fazer chegar mais rapidamente a uma ordem de coisas melhores e realizar em alguns anos o que exigiria séculos. (5)

Há uma ordem natural que induz o Espírito ao progresso na convivência com a fenomenologia material, e lhe compete se desenvolver conforme se espera:

Os flagelos não seriam para o homem também provas morais que os submetem às mais duras necessidades?

– Os flagelos são provas que proporcionam ao homem a ocasião de exercitar sua inteligência, mostrar sua paciência e sua resignação à vontade da Providência, e até mesmo multiplicam neles os sentimentos de abnegação, de desinteresse e de amor ao próximo, se não é dominado pelo egoísmo. (6)

É dado ao homem evitar os flagelos que o atormentam?
– Sim, em parte, embora não como se pensa geralmente. Muitos dos flagelos são a consequência de sua imprevidência; à medida que adquire conhecimentos e experiência, pode preveni-los se souber procurar suas causas. Porém, entre os males que afligem a humanidade, há os de caráter geral, que estão nos decretos da Providência, e dos quais cada indivíduo sente mais ou menos a repercussão. Sobre esses males, o homem pode apenas se resignar à vontade de Deus; e ainda esses males são, muitas vezes, agravados pela sua negligência. (7)

Já sabemos que a atividade humana impacta diretamente no meio físico do planeta, com consequências que já estão sendo mapeadas pela inteligência humana, e esta tem produzido estudos e teorias a respeito. Uma delas é a Hipótese Gaia:

“A hipótese Gaia foi elaborada pelo cientista inglês James Lovelock no ano de 1979, e fortalecida pelos estudos da bióloga norte-americana Lynn Margulis. Essa hipótese foi batizada com o nome de Gaia porque, na mitologia grega, Gaia era a deusa da Terra e mãe de todos os seres vivos.

Segundo a hipótese, o planeta Terra é um imenso organismo vivo, capaz de obter energia para seu funcionamento, regular seu clima e temperatura, eliminar seus detritos e combater suas próprias doenças, ou seja, assim como os outros seres vivos, um organismo capaz de se autorregular. De acordo com a hipótese, os organismos bióticos controlam os organismos abióticos, de forma que a Terra se mantém em equilíbrio e em condições propícias de sustentar a vida.

A hipótese Gaia sugere também que os seres vivos são capazes de modificar o ambiente em que vivem, tornando-o mais adequado para sua sobrevivência. Dessa forma, a Terra seria um planeta cuja vida controlaria a manutenção da própria vida através de mecanismos de feedback e de interações diversas.

Um dos argumentos utilizados pelos defensores dessa hipótese é o fato de que a composição da atmosfera hoje parece depender principalmente dos seres vivos. Sem a presença dos seres fotossintetizantes (vegetais) o teor de gás carbônico (CO2) na atmosfera seria altíssimo, enquanto que nitrogênio (N2) e oxigênio (O2) teriam concentrações muito baixas. Com a presença dos seres fotossintetizantes, a taxa de CO2 diminuiu, aumentando consideravelmente os níveis de N2 e O2 disponível na atmosfera. Essa redução do CO2 favorece o resfriamento do planeta, já que esse gás é o principal responsável pelo efeito estufa, influenciando muito na temperatura do planeta. Segundo esse argumento, a própria vida interferiu na composição da atmosfera, tornando-a mais adequada à sobrevivência dos organismos.

Embora muitos cientistas concordem com essa hipótese, outros não a aceitam, discordando da ideia de que a Terra seja um “superorganismo”. Um dos argumentos utilizados por esses cientistas é que não só os fatores biológicos moldam o planeta, mas também fatores geológicos, como erupções vulcânicas, glaciações, cometas se chocando contra a Terra, que modificaram e ainda modificam profundamente o aspecto do planeta.

Discordando ou não, a hipótese Gaia nos chama a atenção para as relações existentes entre os seres vivos e o meio ambiente, e principalmente para as relações existentes entre nossa espécie e os demais seres vivos. Dessa forma, utilizemos essa hipótese para refletir sobre os impactos que as nossas atividades estão causando no planeta Terra.” (8)

Com isso, diante das catástrofes naturais que ocorrem em nosso planeta, temos dois posicionamentos a tomar, o primeiro, socorrer material e espiritualmente nossos irmãos vitimados, onde quer que se encontrem, e o segundo, desenvolver a inteligência produzindo estudos com consequências práticas, para que se evite, tanto quanto nos seja possível, novos flagelos destruidores.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências:
(1) http://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/como-se-formam-os-furac...;
(2) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 614;
(3) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 728;
(4) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 731;
(5) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 737;
(6) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 740;
(7) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, item 741;
(8) http://brasilescola.uol.com.br/biologia/hipotese-gaia.htm

Autor:

Antônio Carlos Navarro  é membro da Rede Amigo Espírita, estudioso e palestrante espírita. Trabalhador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier em São José do Rio Preto - SP.

e-mail: antoniocarlosnavarro@gmail.com

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