O Pensamento Comum para Unir os Espíritas


Orson Peter Carrara (Matão/SP)

 

      Divergências à parte, sempre fruto dos estágios de amadurecimento e entendimento da proposta espírita, onde estarão unidos os espíritas? Em que ponto deverão apoiar-se para se encontrarem num pensamento comum?

      Há uma receita para este desejado encontro!

      Antes de apresentá-la, consideremos:


  1. Existem polêmicas sobre este ou aquele ponto. Elas geram desentendimentos, desuniões e até antipatias pessoais. Posturas incoerentes com a Doutrina.
  2. Há publicações de livros espíritas em grande escala na atualidade. Neste ponto há excessiva preocupação com a qualidade (nem sempre recomendável) das publicações e a imprensa perde precioso espaço preocupada em combater, quando deveríamos somente semear e construir. Na verdade, nesta área, aquilo que pode ser inútil e repetitivo para uns pode ser de grande utilidade para outros, levando-se em contas os diferentes estágios humanos. O que não serve para um pode ser necessário para outro. Tudo tem sua utilidade, mesmo aquilo que não alcance os estágios da razão e do bom senso. Sempre em razão dos níveis evolutivos. Isto não invalida o esforço que todos devemos perseguir para colocar a Doutrina, em toda a sua grandeza, nas atividades espíritas a que nos dediquemos. A própria trajetória humana, no processo evolutivo, mostra isso, misturando seres em diferentes degraus de intelecto e moralidade.
  3. Qualquer tentativa de imposição ou constrangimento de idéias está distante da proposta espírita.
  4. Ninguém tem o direito de arvorar-se como "dono da verdade". Somos todos aprendizes. Podemos estar absolutamente certos e coerentes num ponto, mas absurdamente distantes da Doutrina em outro ponto. Sempre fruto do amadurecimento e entendimento que temos com relação aos postulados doutrinários.
  5. As diferentes posturas de prática espírita refletem o conhecimento dos integrantes ou dirigentes dos grupos, cujo universo pode ser analisado sob qualquer ângulo que se queira. Ora, isto é absolutamente natural numa Doutrina altamente democrática e respeitadora das diferenças individuais.
  6. Os estágios destoantes, de aberrações doutrinárias, incoerentes com a genuína Doutrina Espírita, na verdade preparam futuros trabalhadores e iniciam muita gente nos conhecimentos sobre a imortalidade e comunicabilidade dos espíritos, mesmo que por agora de maneira muitas vezes até escandalosa. São estágios de treinamento, abrindo caminhos. No futuro, serão concordes com a orientação doutrinária.
  7. A preocupação com a defesa em favor da Doutrina é desnecessária. A Doutrina fala por si e se os espíritas conscientes estudarem e colocarem em prática o que o Espiritismo traz, esta semeadura fará a defesa. Claro que devemos esclarecer de maneira permanente, usando os veículos de comunicação disponíveis, mas para semear o bem e nunca para atacar.
  8. Os esforços de união dos espíritas, atendendo aos apelos da Espiritualidade, devem merecer nossa melhor atenção, pois que somente eles são instrumentos capazes de sanar as dificuldades trazidas pelas fraquezas humanas e pelos diferentes níveis de entendimento doutrinário.
  9. Uma coisa é a assimilação dos ensinamentos espíritas pelos espíritas. Outra coisa é a ação que esta assimilação produz nos espíritas, já que todos provêm de formação distinta, de maturidade emocional e psicológica diferente e, claro, de entendimento intelectual também diferente.
  10. Todo desentendimento gera atrasos no programa doutrinário, adia o planejamento estabelecido por Jesus para o progresso da Humanidade e portanto tem caráter prejudicial para os que se intitulam cristãos e para a tão comentada e esperada era da Regeneração.

      Os convites de união entre os espíritas traduzem esforços para os propósitos do Cristo e precisamos pensar nisto, para não adiarmos tais propósitos.

      Onde, pois, estarão unidos os espíritas?

      Eis a receita: Ela está contida em O LIVRO DOS MÉDIUNS, cap. XXVII, item 302. A resposta é de O ESPÍRITO DE VERDADE e indica: "(...) A unidade se fará do lado onde o bem jamais tiver sido misturado ao mal; será desse lado que os homens se reunirão pela força das coisas, porque julgarão que aí está a verdade. Anotai, aliás, que os princípios fundamentais são os mesmos em toda parte, e devem vos unir num pensamento comum: o amor de Deus e a prática do bem. Qualquer que seja, pois, o modo de progressão que se suponha para as almas, o objetivo final será o mesmo, e o meio de atingi-lo é também o mesmo: fazer o bem; ora, não há duas maneiras de fazê-lo. Se se levantam dissidências capitais, quanto ao próprio princípio da Doutrina, tendes uma regra certa para apreciá-las, e essa regra é esta: a melhor doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que tem mais elementos para conduzir os homens ao bem; eu vos certifico, é a que prevalecerá".

      Vençamos, pois, esta tendência de combater idéias alheias e caminhemos para semear, construir, colocando no coração, em primeiro lugar, o amor de Deus e a prática do bem.

      Porém, a propósito das distorções e desentendimentos, breve consulta ao O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, no capítulo XXI - HAVERÁ FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS (no item 8), nos dará a informação de que:

      "(...) aqueles que envia para propagar a sua santa doutrina, e regenerar seu povo, serão, a exemplo do Mestre, brandos e humildes de coração acima de todas as coisas; (...) Lembrai-vos de que cada criatura leva na fronte, mas nos seus atos sobretudo, o cunho de sua grandeza ou da sua decadência.(...)" E depois no item 9: "(...) concluí que o verdadeiro missionário de Deus deve justificar a sua missão de superioridade, por suas virtudes, por sua grandeza, pelo resultado e pela influência moralizadora de suas obras.(...)"

      Não fica mais fácil, por aí, procurar os caminhos do entendimento através do amor e tolerância uns para com os outros, aos invés de ficarmos a digladiar...?!

 

Orson Peter Carrara (Matão/SP)

Escritor e orador espírita. Constultor Editorial residente em Matão/SP

e-mail: orsonpeter@yahoo.com.br

Blog: http://orsonpetercarrara.blogspot.com/


 


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Respostas a este tópico

Orson, bom dia, é isso mesmo, fazer o bem sem olhar a quem ! O exercicio do perdão e do amor ao próximo como a nós mesmos, devem ser nossas regras de conduta sempre ... Interessante notar, que no mundo que vivemos, nesse atual estágio de mudanças anunciadas, aquêle que ousa destoar da maioria, muitas vêzes provoca reações dissidentes, porém como bem diz o ESPIRITO DE VERDADE o verdadeiro cristão se destaca da multidão pela sua autoridade moral, quando consegue vencer a sí próprio, seu ego e vaidades ... Nos sentimos que o que fazemos, é uma gôta no oceano, mas o oceano seria menor se essa gôta faltasse ! Como muito bem alguém nos disse, acho que foi Ermance Dufaux; Reforma íntima não é exterminar o mal em nós, mas fortalecer o bem que está adormecido em nossa consciência ...

Orson por favor, faça contato, tenho 2 livros prontos para editar, gostaria de sua opinião e ajuda, trata-se de psicografias, relatos de casos vivenciados no exercicio da mediunidade ...  Reinaldo 011- 4335-38-81

 

 

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