O que aconteceu com a diversidade das mediunidades nas reuniões mediúnicas espíritas?

O que aconteceu com a diversidade das mediunidades nas reuniões mediúnicas espíritas?

Ligia Inhan

Escritores, pensadores e pesquisadores de diferentes regiões do mundo e em distintas épocas têm testemunhado a respeito do fenômeno mediúnico. Aparições de Espíritos, objetos que se incendeiam espontaneamente, transporte de pessoas, são só alguns dos muitos casos registrados.

Esse texto busca levantar uma reflexão a respeito da falta de diversidade da prática mediúnica nos centros espíritas.

Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, descreve um quadro sinóptico das diferentes espécies de médiuns. O Codificador afirma categoricamente: “[...] a mediunidade apresenta uma variedade infinita de matizes, que constituem os médiuns chamados especiais, dotados de aptidões particulares, ainda não definidas, abstração feita das qualidades e conhecimentos do Espírito que se manifesta.” (a partir do item 185 e seguintes, grifo nosso).

Ele faz uma distinção bem clara na análise apresentada: a separação do Espírito que se apresenta e o instrumento pelo qual ele se comunica, e utiliza uma comparação entre a qualidade de um instrumento musical e a escolha de um artista competente.

Desse modo, o Espírito pode escolher trabalhar com um ou outro médium em função do gênero de comunicação que queira transmitir e isso independe de qualquer habilidade ou conhecimento consciente do médium. Aliás, esta característica é um dos meios de se checar a autenticidade das comunicações mediúnicas.

Salienta o codificador, que o médium não pode esperar que possua uma ampla gama de tipos de mediunidade, mas se deve entender a natureza do médium, da mesma forma como que se estuda o Espírito, “pois são esses os dois elementos essenciais para a obtenção de um resultado satisfatório”.

Por fim, outro ponto interessante é ressaltado: a intenção do médium, “o sentimento mais ou menos louvável de quem interroga”. 

Kardec então relaciona uma variedade impressionante de mediunidades, segundo o modo de execução, o nível de desenvolvimento da faculdade, o gênero de comunicações, dentre outras categorias classificatórias.

No entanto, a FEB vem orientando há décadas o desenvolvimento da mediunidade do tipo de psicofonia nos materiais didáticos para cursos de mediunidade:

“É importante destacar que a psicografia não é a forma mediúnica mais indicada para o atendimento de Espíritos necessitados ou portadores de declarada perturbação espiritual. A psicofonia é, sim, a mediunidade de escolha, favorecendo o diálogo e o auxílio mais efetivo ao comunicante sofredor. Contudo, vale assinalar que os benfeitores espirituais se manifestam, usualmente, tanto pela psicografia quanto pela psicofonia” (Apostila Mediunidade Estudo e Prática. Módulo II, p. 125). (http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2014/05/Estudo-e-pratic...)

Mas porque a preferência pela psicofonia se Kardec dá preferência à psicografia? Segundo o Codificador, “a escrita tem sobretudo a vantagem de demonstrar de maneira mais material a intervenção de uma potência oculta, deixando traços que podemos conservar, como fazemos com a nossa própria correspondência (O Livro dos Médiuns, item 152).

Podemos perceber esse viés pelas obras do Espírito André Luiz, psicografadas por Chico Xavier. A obra Nos domínios da mediunidade apresenta seções mediúnicas clássicas, com 10 a 12 médiuns, nas quais as comunicações são feitas através da psicofonia.

Mas há tipos de mediunidades diferentes. No capítulo 3, apresenta os quatro médiuns: Eugênia, com a psicofonia consciente intuitiva; Anélio, clarividência, clariaudiência e psicografia; Antonio Castro, psicofonia sonambúlica e de desdobramento; e Celina com clarividência, clariaudiência, psicofonia sonambúlica e de desdobramento.

Há dois pontos interessantes a serem acrescentados aqui: 1) ao que parece, as descrições das reuniões mediúnicas contadas a partir das obras deste Espírito evidenciaria que essa prática já havia se tornado o meio mais comum de intercâmbio com os espíritos, as chamadas “reunião para fazer caridade”, no atendimento prioritário aos Espíritos infelizes. Saber porque houve essa troca de preferências da mediunidade poderia ser um interessante campo de estudos para pesquisadores espíritas no futuro. Por outro lado, não se sabe se a prática já havia sido disseminada desta forma, ou se foi a partir das obras de André Luiz que se estabeleceu um padrão para as que foram criadas após.

2) Alguns leitores poderiam lembrar que a mediunidade de psicografia ficaria mais restrita aos médiuns missionários, cujo papel seria na divulgação, produção de conteúdo espírita e dar continuidade ao precioso intercâmbio espiritual benfeitor.

No entanto, Kardec analisou comunicações de médiuns dos mais diversos matizes, grau de instrução e nível social. Trabalhou diretamente com adolescentes, que não tinham nenhum papel importante a ser desenvolvido para a humanidade individualmente, mas tinham sim, coletivamente. O valor da Codificação Espírita está justamente na diversidade de médiuns, mediunidades, Espíritos e origens.

Kardec ressaltou inúmeras vezes que o desinteresse e o nível moral eram os únicos critérios que conferiam veracidade das comunicações e fez questão de dispensar os nomes de médiuns nas mensagens publicadas, que tinham sido analisadas pelo conteúdo e pelo nome do Espírito, quando este o depunha.

Ao contrário, a dependência de médiuns exclusivos leva ao sério risco de messianismo, pois parece que somente indivíduos sozinhos, com suas missões exclusivas, possuem credenciais para continuar a progressão do conhecimento espírita. Longe de serem especiais, necessitam da assistência de um grupo coeso e, o bom senso aconselha, quanto mais médiuns dedicados e com níveis semelhantes de capacidade e moralidade de um grupo, melhor para esse ou aquele que possa vir a se sobressair.

Essa questão parece ter consequência sobre o desenvolvimento/aprimoramento da mediunidade da psicofonia como forma exclusiva de comunicação dos espíritos. Mas mesmo esta modalidade possui uma ampla gama de matizes que interferem na comunicação.

A título de um testemunho, durante mais de duas décadas frequentando reuniões mediúnicas, fui percebendo a uniformização das comunicações e das mediunidades sem que os médiuns e dirigentes dessem conta dessa deterioração. Sem risco de errar, 100% dos Espíritos comunicantes eram do mesmo nível dos médiuns, falando basicamente das mesmas tragédias, desilusões e desesperanças.

Essa percepção pode estar relacionada com a metodologia de atendimento. A conversa entre esclarecedor e comunicante se assemelhava a uma espécie de Twitter mediúnico: o Espírito se apresenta com algumas poucas frases, que o médium deveria controlar, o esclarecedor respondia sobriamente e em cinco, no máximo 10 minutos, nesta mesma linha de atuação, e na sequência o Espírito era dispensado para os cuidados dos Espíritos benfeitores.

Alguns médiuns se sentiam desconfortáveis com esses esclarecimentos, mas as justificativas eram sempre as mesmas: “isso é só um primeiro socorro”; “a reunião mediúnica é só um pronto-socorro”. Mas mesmo em um pronto-socorro humano há evolução das práticas, aperfeiçoamento das ferramentas e avaliação constante. Aparecem casos extremos e outros menos, há variações no atendimento, mesmo porque o pessoal qualificado melhora suas habilidades com estudo e com a prática.

Algumas dessas dificuldades poderiam ser resolvidas durante a avaliação, que seria o momento ideal para expor-se livremente no grupo, no intuito de entender o que ocorreu durante os transes, imediatamente após as manifestações. O grupo poderia entender as características próprias da mediunidade e das comunicações e quais poderiam ser as técnicas de diálogo que melhor se adequassem aos atendimentos.

No entanto, muitas vezes, no lugar da avaliação, o que ocorria era uma espécie de pacto de silêncio, incluindo os médiuns e esclarecedores. Práticas como essas podem levar a um círculo vicioso, gerando um campo prolífico para o animismo, ou mesmo a mistificação, inconsciente ou não.

Hoje, com os recursos de vídeo e gravação, não há como alegar a falta de instrumentos para avaliação das reuniões mediúnicas.

A prática da avaliação séria e detalhada auxiliaria na distinção entre progresso e estagnação e evitaria um posterior insucesso nos atendimentos aos Espíritos, particularmente no caso deobsessões perigosas dos Médiuns e esclarecedores. Kardec é enfático neste ponto e aconselha peremptoriamente a participação dos médiuns nas reuniões de estudos específicas para fazer a avaliação das comunicações, conforme está no capítulo Reuniões e Sociedades Espíritas, item 329 de O Livro dos Médiuns. Todos os destaques são nossos.

“As reuniões de estudo são ainda de grande utilidade para os médiuns de manifestações inteligentes, sobretudo para os que desejam seriamente aperfeiçoar-se e por isso mesmo não comparecem a elas com a tola presunção da infalibilidade. [...] Graças ao isolamento e à fascinação, podem facilmente levá-lo a aceitar tudo o que quiserem.”

“Nunca repetiríamos demasiado: aí está não somente uma dificuldade, mas um perigo. Sim, podemos dizê-lo um verdadeiro perigo. O único meio de escapar a ele é submeter-se o médium ao controle de pessoas desinteressadas e bondosas, que, julgando as comunicações com frieza e imparcialidade, possam abrir-lhe os olhos elevá-los a perceber o que não pode ver por si mesmo. Ora, todo médium que teme esse julgamento já se encontra no caminho da obsessão. Aquele que pensa que a luz só foi feita para ele já está completamente subjugado. Leva-se a mal as observações e as repele, irritando-se com elas, não há dúvida quanto à natureza má do Espírito que o assiste.”

Neste sentido, quando pegamos o exemplo de vida espírita de Yvonne do AmaralPereira, percebemos que parece haver um verdadeiro abismo entre o que se pratica hoje, como que ela praticava em centros onde frequentou.

No livro À Luz do Consolador, capítulo 5, ela revela: “Nunca desenvolvi a mediunidade, ela apresentou-se por si mesma, naturalmente, sem que eu me preocupasse em atraí-la, pois, em verdade, não há necessidade em se desenvolver a faculdade mediúnica, ela se apresentará sozinha, se realmente existir, e se formos dedicados às operosidades espíritas” (grifo nosso).

Mais à frente, ela ainda desabafa: “Em certa época de minha vida, no Rio de Janeiro, morei sozinha em um pequeno apartamento [...]. Havia oferecido minha colaboração espírita e mediúnica a alguns centros espíritas. Não fui aceita por nenhum. A burocracia repelia-me" (grifo nosso).

Nas reuniões mediúnicas, ela foi psicógrafa, especialista em receituário e produção de livros; psicofônica, com a especialidade no atendimento aos casos de obsessão e suicidas; de efeitos físicos, com as especialidades de materializações, receituário e passes para curas; e também foi médium oradora, entre outros tipos ainda a serem estudados através das suas próprias obras.

Finalizando, percebe-se hoje que as rotinas estabelecidas por cursos,a título de assegurar uma disciplina de comportamento, acabam por focar excessivamente a mediunidade psicofônica, não abrindo espaço para os médiuns perceberem outras formas de comunicação. Uma variedade de mediunidade como as de Yvonne Pereira jamais seriam sequer percebidas pelos médiuns, seja pela falta de autoconhecimento, seja pela falta de avaliação, seja porque os cursos são voltados para a massificação da mediunidade.

A disciplina moral do Evangelho é mais do que a disciplina material, cujas práticas têm se assemelhado às das empresas e dos escritórios do mundo.

Mais uma vez, Yvonne fornece uma resposta adequada:

“Conservei-me sempre espírita e médium muito independente, jamais consenti que a direção dos núcleos onde trabalheibitolasse e burocratizasse as minhas faculdades mediúnicas. [...] Para isso, aprofundei-me no estudo severo da Doutrina, a fim de conhecer o terreno em que caminhava e conservar com razão a minha independência. No entanto, observei a rigor o critério e os horários fixados pelos poucos centros onde servi, mas jamais me submeti à burocracia mantida por alguns” (À Luz do Consolador, capítulo 6).

Estamos na era da comunicação digital que atravessa o mundo em segundos e a comunicação mediúnica está restrita ainda à psicofonia, na sua mais simples manifestação.

Fomentar a diversidade da mediunidade é auxiliar na evolução das comunicações mediúnicas, que consequentemente fará progredir os atendimentos e as reuniões.

Autora: 

Ligia Inhan, trabalhadora da Sociedade Espírita Primavera, em Juiz de Fora - MG

ligia.inhan@gmail.com

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Respostas a este tópico

É um bom alerta para os médiuns.

  Reflitamos essas colocações acerca da pouca atenção que as Casas Espíritas dispensam à diversidade das expressões da mediunidade na perspectiva dos médiuns novatos; o quão lhes é dificultoso pela inexperiência, especialmente se lhes ocorrer que algo que sentem/percebem "mediunicamente" não se enquadra no "perfil administrativo/doutrinário" do Centro que frequenta....

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