E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra; abençãode Deus pode ser entendida como o coroamento da evolução definindo o fim de um ciclo. Todavia, da parte da criação para Deus significa um maior compromisso. Tendo adquirido qualidades no encaminhamento de seu progresso, o homem passa a ter o dever de agir multiplicando estas conquistas. O frutificai e multiplicai-vos não é só no sentido biológico, seres inferiores da criação também podem assim fazer, mas além disto uma multiplicação de potenciais. O homem é responsável por ajudar no processo evolutivo das demais criaturas a ele inferiores. E só assim fazendo, capacita-se a receber em si a bênção efetivando a conquista como algo implementado em sua intimidade.

É chegado deste modo, ao momento da evolução consciente, em que não mais sendo totalmente dirigido, o humano passa a gerenciar o seu próprio destino. Evoluir é também aumentar esta possibilidade de gerenciamento pelo despertar da consciência. E pela própria experiência vamos aprendendo que esta importante liberdade aumenta na medida em que espontaneamente cumprimos nosso dever elegendo o Bem do outro como fator fundamental para o nosso próprio enriquecimento.

Quando tal se dá, a terra, seja a íntima de nossos corações, ou da própria comunidade em que vivemos, torna-se cheia dos valores realmente representativos de comunhão com o Pai que assim designou para que fosse.

Dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. Já comentamos texto muito semelhante a este, dois versículos atrás, não sendo portanto, importante, repetir sem necessidade.

Resta apenas acrescentar que neste domínio sobre nossas próprias inferioridades, que são as imperfeições que nos fazem mover sobre a terra, ou seja, estar preso ao solo impedindo-nos de alcançar melhor condição espiritual, podemos ver nos peixes do mar e animais nosso psiquismo inferior, animalizado, sobre o qual temos de exercer domínio. O animal que move sobre a terra fala-nos dos interesses que dirigem ou fazem mover o mundo transitório, são os desejos e paixões da carne.1

As aves dos céus simbolizam nosso campo mental; é a necessidade do domínio sobre a mente. O homem evangelizado é aquele que domina a onda mental do mundo, e a sua própria, vinda do subconsciente fruto das experiências vividas de forma irrefletida.

Sobre este tema o apóstolo Tiago compreendendo esta necessidade mais profunda do ser nos informa que a espécie humana até conseguiu algum êxito no domínio sobre as feras, aves, répteis e animais marinhos, mas que sobre a “língua”, que justamente é um órgão que expressa nossa condição espiritual, não conseguiu sucesso em domá-la, ela é um mal irrequieto e está cheia de veneno mortífero2.

E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.

Neste versículo temos uma questão de grande importância que é a da alimentação do homem.

Fisicamente podemos dizer que de certo modo o homem é o que ele alimenta, se alimenta bem tem boa saúde, se não, adoece com mais facilidade.

Como temos dito a nossa interpretação dos textos bíblicos tem de buscar o sentido reeducativo para o Espírito imortal; Jesus veio com o objetivo de trabalhar no homem os valores do Espírito, daí a importância de comentarmos estes textos à luz do Evangelho do Cristo, o que significa que temos a necessidade de em cada ponto buscar o sentido espiritual e transformador das anotações.

Assim, vamos priorizar o que diz respeito à alimentação espiritual.

É importante a colocação bíblica de que a erva que dê semente e a árvore em que há fruto que dê semente é que seriam dadas para o alimento do homem.

Nós temos priorizado as ervas e os frutos significando tudo o que tem substância - mesmo se for de natureza animal - em nossas preferências alimentares. E temos buscado colocar o alimento para dentro suprindo nossas necessidades de vitaminas, proteínas, calorias, etc.. Porém espiritualmente o processo é inverso, nós nos alimentamos do que sai de nós. O verdadeiro alimento do Espírito é o amor, e o que é o amor? Não é algo que se exterioriza de nossa intimidade profunda?

Vejamos que a orientação é que nos alimentássemos de erva e fruto que deem semente, ou seja, tanto faz erva ou fruto, o mais importante é a semente. Concluímos assim, que o verdadeiro alimento é a semente.

Ela representa tudo que tem a capacidade de evoluir, pois em si nada produz se não passar pelo processo de desenvolvimento e transformação. Confirma-se assim que o melhor alimento é o que sai. Desta forma, se preocupamos com o nosso efetivo progresso espiritual, em todas as faixas devemos priorizar o que podemos realizar. É sempre a necessidade operacional voltando para nos dizer do quanto é fundamental aplicar o conhecimento transformando-nos em seres sempre melhores e renovados.

Eis que o semeador saiu a semear…3; Deus não trabalha na essencialidade com o fruto, Ele dá a semente para que com ela possamos cultivar nossa própria libertação. Do mesmo modo somos responsáveis com o que semeamos, pois já foi falado que o Bem do outro é o que verdadeiramente nos faz ficar bem.

A expressão eis que vos tenho dado mostra-nos que em todo encaminhamento da vida foi assim, que será sempre assim, a Lei é Unidade, e este é o processo de funcionamento do Universo. Se queremos o nosso aperfeiçoamento e como tal nosso equilíbrio, ajustemos a este mecanismo universal, não fui eu quem disse isto, o texto é claro: e disse Deus…

Compreendemos desta forma o porquê dos sofrimentos; podemos de certa forma afirmar que preferimos evoluir pela dor já que nos foi dada a opção de escolha e optamos pelo alimento indevido. Tudo por que passamos nada mais é do que um processo de digestão complicado, ora é uma diarréia, outras vezes uma prisão de ventre, uma dor de estômago ou de fígado. Importa-nos porém tomar consciência de que o processo de saneamento de todas estas dificuldades está em nossa mão, pois cabe a cada um de nós, no mínimo, saber escolher os alimentos devidos. No afã de auxiliar, lembramos a todos as palavras de Jesus:

Eu sou o pão da vida.4

E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.

Não há muito o que comentar sobre este versículo visto já termos nos comentários dos anteriores exposto a respeito.

Importa-nos aqui apenas salientar que animal da terra, ave dos céus, réptil da terra, expressam o princípio inteligente em vários momentos distintos de sua evolução, definindo que, mesmo na faixa hominal, há vários graus de manifestação evolutiva dos Espíritos.

Assim, em um mundo diverso como o nosso existem convites para nos alimentarmos de vários modos. Se no plano físico há diferenças de sabores e gostos, o mesmo podemos dizer na esfera do Espírito que se alimenta de forma mais sutil.

Portanto, temos de nos ajustar àquilo que verdadeiramente desejamos e assim selecionar a onda mental que nos alimenta. Em tudo, na literatura, nas conversas, na televisão ou no cinema, há nutrição espiritual. Uns, mesmo psiquicamente, gostam de algo mais materializado, outros o que promove o Espírito. De nossa parte é prudente selecionar o melhor de acordo com nosso objetivo, sabendo entretanto, compreender aqueles que por menor discernimento espiritual ainda se encontram amarrados à retaguarda, sem assim julgá-los. Muitas vezes, existem nestes um sentimento nobre e uma alegria de viver que estamos longe de alcançar. Selecionar sim, elitizar não.

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.

Temos aqui o findar do dia sexto. Este dia é assim a consolidação do que estava sendo feito nos momentos anteriores. Importa-nos aprender que a santificação do sábado, que será o tema do início do próximo capítulo, deverá ser feita dia a dia, em cada momento que passa. Só chegamos ao sexto dia se trabalharmos adequadamente nos anteriores. Em cada um vemos a expressão ”e viu Deus que era bom” definindo que devemos realizar bem em cada momento e assim construir a qualidade do todo.

A etapa terminará no sétimo dia, entretanto, cabe aqui um cuidado especial com este sexto lance, pois esta consolidação de que falamos representa um momento de grande importância para o prosseguimento do processo.

É como aquela prova final do ano letivo que trabalha o conteúdo aprendido no decorrer de todo período. Em matéria de promoção espiritual representa oportunidade de aferição de valores, será uma verdadeira crucificação dos antigos hábitos que devem ser eliminados para a efetiva conquista de nobres virtudes que se manifestarão na ressurreição do Espírito.

Estamos passando por uma fase de evolução planetária que define bem este “sexto dia”. Notamos que em nosso atual momento tudo é permitido, não há mais um padrão único de conduta, a moda, os hábitos, a própria ética, tudo é questionado, criticado, para que surja um novo paradigma em todas as áreas do conhecimento e de comportamento.

São as aferições por que devemos passar visando nossa promoção a uma nova etapa, daí a necessidade de vigilância, de seleção, e de optar com segurança pelo caminho correto que vá nos levar à harmonia que desejamos.

Em cada lance anterior se fizemos bem foi muito bom, entretanto agora é nos exigido um pouco mais, o controle de qualidade é mais exigente. A expressão e viu Deus que era muito bom define esta necessidade de fazer ainda melhor, sugerindo também que se trabalhamos nossa individualidade com atenção e carinho, agora é hora de aplicar tudo o que conquistamos em favor de toda comunidade, de ampliar nosso serviço.

Não é à toa que mesmo no mundo laico se trabalha uma idéia de voluntariado e globalização, há a necessidade de servir e trabalhar com grupos cada vez maiores promovendo a partir de cada um, de nosso pequeno grupo, e ampliando cada vez mais nosso círculo de convivência, aquela profecia de “um só rebanho e um só pastor” onde cristianizados elegeremos Jesus e o Seu Evangelho como norteadores de nossa evolução.

1 Cf. Gálatas, 5: 16

2 Cf. Tiago, 3: 7 e 8

3 Mateus, 13: 3

4 João, 6: 48

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