Eu, João, que também sou vosso irmão e companheiro na aflição, e no Reino, e na paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo.

João escreveu o Apocalipse num momento de grande dificuldade da igreja cristã nascente, ela estava sendo altamente perseguida pelo império romano.

Alguns estudiosos tentam situar este momento histórico no governo de Nero, no final da década de 60 do primeiro século, mas o mais provável é que tenha sido durante o governo do imperador Domiciano por volta do ano 95 de nossa era.

Foram dois períodos de grande turbulência e sacrifícios para os Cristãos, mas parece-nos que a datação mais próxima do final do século é a mais correta.

Ao usar a expressão vosso irmão, às igrejas, está dizendo do caráter universal da revelação o que é característico da essência da mensagem cristã, pois Deus é Pai de todos inclusive de Jesus nosso Irmão Maior.

Depois temos uma bela colocação por parte do apóstolo: companheiro na aflição, que caracteriza o seu profundo entendimento da mensagem, pois o a Boa Nova do Cristo define que serão considerados participantes do Reino, não os que tiverem conhecimento intelectual, nem os que forem detentores de poder temporal, e nem mesmo os que tiverem amigos próximos de Deus, mas sim os que fossem trabalhados no campo íntimo com expressões de amor e de um sentimento renovado no Bem.

Companheiro de aflição define uma participação naquele processo de luta e nos desafios comuns aos adeptos da Nova Revelação, era sofrer junto, sorrir e chorar, ser um igual, irmão de todos.

Paciência de Jesus-Cristo; temos aprendido ser a paciência a Ciência da Paz, e que esta só é alcançada com a “eficiência da pá” que é um instrumento que sugere trabalho contínuo para produzir virtude.

A paciênciaé fruto de amadurecimento espiritual, de conquista do Espírito no campo da moral; o paciente é um pacificador, pois promotor da paz. Paciência de Jesus-Cristo é a somatória de todas estas virtudes formalizadas pelo testemunho pessoal da criatura na experiência reeducativa, não é só sacrifício, mas produção de valores que dignificam e tornam os seres melhores.

João estava na ilha chamada Patmos, que quer dizer “meu destruidor”. Patmos localizava no Mar Egeu, na Ásia Menor. A mensagem do Apocalipseé a da vitória do bem sobre o mal que se consubstancia na volta de Jesus. Jesus nasce quando Maria, sua mãe, se faz “serva do Senhor”, apagando-se, para Ele vir ao mundo. A mensagem de sua volta se dá justamente numa ilha que significa “meu destruidor” mostrando-nos a necessidade da desativação de nosso caráter pessoal, personalismo. Só através desta descaracterização do apóstolo no campo pessoal através do testemunho autêntico é que a Revelação pôde vir, o mesmo se dará no campo íntimo de cada um. Lembramos ainda que a autoria pessoal de João para o Apocalipsenão é unanimidade, podendo, inclusive esta autoria “incerta” nos sugerir justamente isto, ser preciso que Ele, Cristo, cresça, e que o eu, personalismo, diminua.

…por causa da palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo; a palavra de Deus é expressão da Lei de Deus. O autor de Hebreus diz que ela é:

viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.1

Ela penetra, transforma, educa aquele que a recebe e a compreende segundo as disposições do espírito. Entretanto, aquele que ainda não se despertou para a necessidade reeducativa do Ser que sobrevive ao trespasse físico, ou para aquele que insiste em perder suas possibilidades por aprisioná-la na letra que mata, ela incomoda a ponto de, através da violência tentar aniquilar todos aqueles que dela usam como instrumento de promoção espiritual.

Estes, os que vivem pelo testemunho de Jesus-Cristo, ão, como João foi, expulsos pelos interesses do mundo, exilados do contexto por incomodarem o poder transitório. A palavra de Deus é o que da a motivação para o plano aplicativo que se faz representar pelo testemunho de Jesus-Cristo.

Por ela discernir os pensamentos e intenções do coração, afere com verdade aquele que a recebe ou a rechaça, tendo, todavia, no desenrolar dos tempos, uma posição sempre positiva de ajuste do Ser aos Desígnios do Eterno; por ser a verdade que liberta através da suavidade do amor realizado ou da dor saneadora das enfermidades do sentimento.

10 Eu fui arrebatado em espírito, no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,

Eu fui arrebatado em espírito; podemos ver aí a atuação mediúnica. João foi arrebatado, isto é, foi projetado a uma situação, a um lugar, na dimensão espiritual.

Acontece o mesmo com muitos médiuns, seja numa reunião mediúnica ou mesmo fora dela. É o que comumente se chama de “desdobramento”; alguns estudiosos não espíritas têm nominado como “projeção da consciência”. Este vai ser o modo de ação do médium revelador do Apocalipse, ele se desdobra, vê, e narra o que foi a ele mostrado.

Fora do campo mediúnico, e mesmo até nesta área de atuação, podemos ver aí, neste arrebatamento, a necessidade de nos desvincularmos das situações corriqueiras, dos interesses em que estamos imersos, se quisermos receber uma revelação espiritual de maior alcance. Entendendo assim, também, a necessidade de nos projetarmos além dos interesses puramente transitórios para efetivarmos nossa evolução espiritual.

João se capacitou a receber o Apocalipseno final de sua vida física. Alguns fatores colaboraram para isto. Seu amadurecimento espiritual pelo trabalho incessante na área do Evangelho e no atendimento aos necessitados; os sofrimentos naturais por que passou fortaleceram-no espiritualmente, deram a ele embasamento moral; sua fraqueza física, seja pela idade, seja pelos sacrifícios que teve de fazer, se desvinculando do comodismo e do imediatismo humano, também o auxiliaram neste processo de desligamento do mundo da ilusão para uma efetiva penetração no mundo da realidade.

São lições valiosas para todos nós que almejamos uma maior projeção na vida espiritual. Os desafios, as dores, os limites, e as contrariedades, são situações de bastante incômodo, mas na realidade realizam importante tarefa em nossa contabilidade íntima, nos preparam para estarmos em melhor forma no dia do Senhor.

No dia do Senhor; historicamente os estudiosos situam este dia como sendo o domingo, o primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Jesus. Dia este que à maneira judaica de contar iniciava no sábado à noite.

No Judaísmo era o “dia de IHWH”, o dia do julgamento. No entendimento dos primeiros cristãos era o dia da volta de Jesus. Irineu, escritor cristão do segundo século, menciona uma tradição da igreja de que o Messias retornaria durante a Páscoa, e que o dia do Senhor não se refere ao domingo, mas ao primeiro dia da Páscoa2.

No campo íntimo é aquele momento de ajuste ao Plano do Criador, é nossa assimilação e adequação ao pensamento superior. Dissemos anteriormente, é entrar no “tempo de Deus”.

Neste instante é que nos é outorgada a capacidade da revelação, que literalmente é “tirar o véu”; desvendar algo desconhecido, uma nova realidade, por exemplo.

…e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta; a trombeta, “shophar”, era um instrumento feito habitualmente de chifre de carneiro ou de boi; vamos ter também trombetas de prata que serviam só aos sacerdotes. Emitiam um som muito forte capaz de fazer a criatura despertar.

Aqui o que importa é a intensidade do som ouvido e que tinha justamente este objetivo despertar o médium para o que era visto. É bom lembrarmos que muitas vezes vemos algo, mas não nos despertamos para a realidade; quando a audição é sensibilizada este despertamento se faz mais fácil.

É habitual para nos falar do despertamento espiritual a expressão, “tocar a acústica da alma”.

A codificação espírita que é uma grande revelação espiritual foi antecedida por pancadas que, através de barulhos estranhos, despertaram a população para novos fatos de grande poder revelador.

Esta trombeta representa para nós a possibilidade deste despertamento que soa como um grito em nossa consciência chamando-nos a uma nova realidade.

Neste passo é importante percebermos que ele não ouviu um som de trombeta, mas uma grande voz, a trombeta é usada só como comparação para expressar a intensidade com que a voz falava.

No plano em que vivemos a voztem um poder mais objetivo de comunicação, o que define que ele ouviu num plano mais concreto, a vozdizia algo que ele compreendia. A revelação só tem objetivo se ela se adequar ao plano mental daqueles que vão recebê-la, se não for assim, não haverá entendimento e ela perde a função.

Como era uma revelação vinda da Esfera de Deus e de Seu Cristo, ela não era falha, era adequada, vinha através de uma grande vozque o revelador ouviu detrás, e não de frente. Por quê?

Detrás é no lado oposto à nossa frente. Sendo a frente o sinalizador de nossos interesses, pois é para onde estamos voltados, a Mensagem do Cristo vem detrás, pois vem contrariando os interesses comuns do mundo, vem numa dimensão a que não estamos habituados. Por isso o som como que de uma trombeta, para despertar a criatura e ela voltar-se com determinação dando a frente para o Cristo e as costas para o mundo.

1 Hebreus, 4: 12

2 STERN, David H. Comentário Judaico do Novo Testamento, 1ª Ed. Belo Horizonte: Editora Atos, 2007. Pág. 865

Exibições: 1705

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