O Véu Como Símbolo de Autoridade do Homem (1 Coríntios, 11: 3 a 16) 2ª parte

 

(Continuação)

 

 

Passemos adiante...

Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.(Almeida)

toda mulher que, ao orar (em voz alta) ou falar profeticamente (na reunião) soltar seu cabelo, desonra seu cabeça ( a saber, o homem); pois é como se ela tivesse sido raspada. (Baumert)

Aqui temos que trabalhar com os símbolos.

A mulher tem representado em nossa simbologia, o sentimento; o homem a razão. Em se tratando da mulher cristã, aquela já convertida ao Cristo, diríamos que trata-se do sentimento sublimado.

Temos aprendido principalmente em nossas obras espíritas vindas através da pena de nosso querido Chico Xavier, o quanto um sentimento sublimado pode realizar. Basta lembrarmos as experiências de Lívia no Romance Há Dois Mil Anos; Célia, em Cinquenta Anos Depois; Alcione em Renúncia; Matilde em Libertação, entre outras.

Deste modo podemos assim compreender, quando estivermos agindo com base num sentimento sublimado (no texto representado pela mulher), deixemos a nossa razão encoberta (aqui representado pelo seu cabeça, ou seja, o homem); ela (razão) nada terá a acrescentar, pois um sentimento profundo vindo do coração (amor), transcende todas as possibilidades da lógica e da razão. Não há como contabilizar um ato de amor.

Observemos, não estamos aqui dizendo que não devamos levar a razão em conta quando agimos no campo do sentimento, não é isso, a razão e o sentimento conjugados são dois componentes a serem equilibrados. Porém aqui Paulo, através da simbologia da mulher cristã nos fala de um sentimento sublimado, o que vai para muito além de nossa capacidade de quantificação.

Olhe que aqui temos um outro ponto a ser trabalhado, porém, isso faremos mais adiante quando formos falar do silêncio da mulher nas reuniões de estudo (1 Timóteo, 2: 8 a 15). É o fato de à mulher ser dada a oportunidade de profetizar ou orar em voz alta nas reuniões. Isso comentaremos depois.

Voltemos agora sobre a questão do véu como sinal de autoridade para que possamos encerrar esta parte e partirmos para outras dentro deste mesmo texto que são também importantes.

Temos a possibilidade de ter a palavra véu neste texto nos versículos 6, 10, 13 e 15.

Vamos comentar por partes.

No 6 temos:

Katakalupto: cobrir para cima; ocultar ou cobrir o ego da pessoa.

Não se trata propriamente de véu, mas cobrir a cabeça com os próprios cabelos (penteado) como era usado à época, como dissemos anteriormente, pela mulher casada. É uma questão de respeito. Podemos compreender também como ocultar-se em favor do próprio trabalho.

No 13:

Akatakaluptos, com a particular negativa significando não coberto. Aqui dentro do contexto significa o cabelo solto que era usado por mulheres que não se davam ao respeito.

É nesse sentido que Paulo pergunta:

Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? (com os cabelos soltos).

No 10 temos:

Exousia = poder, autoridade.

Sobre Exousian echein, que é a expressão completa, afirma Baumert (173):

significa “receber poder sobre a cabeça, manter a cabeça em disciplina” – e não desordená-la, por exemplo, soltando os cabelos.

E ainda sobre os cabelos soltos há outra informação do mesmo autor (167s):

O pano de fundo da exortação do apóstolo é o fato de que, ocasionalmente, no meio de uma reunião de oração, o cabelo da mulher se soltava quando ela orava em voz alta ou proferia palavra profética. Isso chamava a atenção. Entre os gregos não era desconhecido o fato de um profeta ou profetisa, talvez para relaxar a tensão experimentada durante o êxtase ou para sublinhar o significado de seu papel profético, muitas vezes soltar seu cabelo e gesticular fortemente, de modo que o cabelo – de forma mais ou menos impressionante – voava no rosto ou nas costas.

Assim podemos entender melhor o versículo:

por isso a mulher é obrigada a manter a cabeça decente com base (na presença) de anjos.

Se em determinado ponto fizemos a relação da mulher com o sentimento, aqui não é menos correto relacioná-la com a vaidade. É preciso manter a cabeça decente, em ordem, sob disciplina, e não chamando para si a atenção. O mais importante é a mensagem, e não através de quem ela veio, seja o médium ou o Espírito comunicante.

Se assim não for, os anjos (Espíritos voltados para o bem) abandonam o médium à sua própria sorte, ou à sua própria vaidade. Este não é o espírito cristão de serviço, e Paulo sabedor dessa possibilidade, pois conhecia a natureza fraca do homem, tentava a todo custo evitar a queda de qualidade do movimento em favor do Cristo.

Para encerrarmos este assunto, no versículo 15 temos:

Peribolaion, significando: uma coberta lançada ao redor de, uma envoltura, um manto, ou um véu.

Só aqui literalmente podemos ter véu, porém, de acordo com o contexto talvez o mais correto fosse manto, mesmo assim no sentido de proteção. Pois Paulo diz: pois o cabelo é dado como manto (véu). E um dos objetivos do cabelo, não é principalmente proteger?

Portanto mais uma vez o apóstolo chama a atenção, não é para usar o cabelo como adorno, como honra, mas como proteção. E em termos espirituais, principalmente no âmbito de uma reunião mediúnica, a melhor proteção não é estar em disciplina quanto ao atuarmos de acordo com os princípios do Evangelho?

Portanto, concluindo temos, o véu como sinal de autoridade é em última instância uma subordinação ao Cabeça Primário que é Deus, e como consequência ao Cristo, nada mais do que isto, estejamos sujeitos ao Cristo pela vivência evangélica. Esta é a mensagem primordial de Paulo.

Nos versículos 11 e 12 temos outros pontos importantes a serem comentados:

12.  Da mesma forma, (é) nem mulher sem homem nem homem sem mulher no Senhor;

13.  pois, assim como a mulher (Eva) a partir do homem (Adão), assim também o homem (Cristo) por meio da mulher – o todo, porém, a partir de Deus.

Nos versículos anteriores Paulo faz uma abordagem a partir da tradição vigente à época, nestes, ele lança através de um jogo de palavras, uma nova ordem.

Para tal ele usa uma expressão muito importante, no Senhor. É como se ele assim dissesse:

Se antes havia uma relação de dependência da mulher ao seu marido devido à ordem da criação, primeiro o homem, depois a mulher, agora, no Senhor, isto é, em Cristo, há algo mais, nem a mulher é sem o homem, nem o homem sem a mulher. As diferenças continuam existindo, porém diferença não é defeito e sim enriquecimento. Diferença não pode determinar superioridade de um em relação ao outro, mas necessidade de complementação onde cada um colaborando com a sua parte coopera na formação do todo.

Guardemos estas palavras, pois elas são imprescindíveis para o entendimento evangélico: colaboração e cooperação; pois no Senhor não há progresso efetivo sem estas práticas.

Justificando sua exposição, já que é utilizada a história da criação contada no Gênesis capítulo dois para explicar a situação da mulher, Paulo relaciona a mulher a Eva, e o homem a Adão, porém na nova proposta (no Senhor) o homem é Cristo (último Adão1), e a mulher é Maria, a que deu a luz ao Cristo.

Através de Adão entrou o pecado no mundo, o que quer dizer isto?

É quando o homem rompe a aliança com Deus, ou seja, dissocia de Seus desígnios agindo por conta própria sem levar em conta Sua Lei visando exclusivamente o interesse pessoal.

O resgate se dá por meio de Cristo que veio para nos ensinar o caminho de volta ao Pai, caminho esse que é definido justamente pela obediência à Sua Lei

Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.2

Por sua vez Eva foi quem sofreu a influência da Serpente.

Dissemos anteriormente que Adão representa o primeiro grupo de Espíritos que vieram deportados de outro Orbe para auxiliar os autóctones de nossa Terra; e que Eva é a representação do segundo grupo, grupo este já mais sensibilizado a ponto de sofrer influência espiritual da Serpente que seria o terceiro grupo formado por Espíritos que não queriam encarnar, o que mais tarde fazem na figura de Caim.

Eva sofre desta forma uma influência espiritual negativa, o que dentro do vocabulário espírita chamaríamos de mediunidade a serviço das trevas.

Maria realiza justamente o resgate de Eva na medida que faz nascer o Cristo obedecendo a um chamado do plano espiritual superior, ou seja, usa a mediunidade a serviço da Luz.

No primeiro caso temos a mediunidade gerando desobediência levando à queda. No segundo a mesma faculdade sendo usada para a obediência conduzindo à redenção.

Concluindo, o Espírito, Ser inteligente (representado pelo primeiro homem), é levado à queda pelo sentimento desequilibrado (representado pela primeira mulher); a redenção se dá justamente pela mulher (sentimento sublimado) que gera o Cristo (Filho do homem).

A primeira mulher induz Adão (primeiro homem) ao erro; a última mulher (Maria) dá a oportunidade ao último Adão (Cristo) de realizar a redenção3.

Através destes símbolos Paulo conta-nos a história de queda e salvação da humanidade dizendo-nos que tudo vem de Deus, Causa Primária de todas as coisas, para onde tudo deve voltar, confirmando ele mesmo dezenove séculos depois, através da mesma mediunidade santificada que, gravitar para a unidade divina eis o fim da Humanidade; e que isto se daria tendo unidos o sentimento e a razão.4 Ou seja, mulher e homem em Cristo.

1 Cf. 1 Coríntios, 15: 45

2 João, 4: 34

3 Não estaria aí a explicação de 1 Timóteo, 2: 15? Salvar-se-á, porém, dando à luz filhos, se permanecer com modéstia na fé, na caridade e na santificação.

4 Veja O Livro dos Espíritos questão 1009

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