REDE AMIGO ESPÍRITA

Divulgando, Instruindo e Unificando!!!

Pouca gente sabe, mas o médium mineiro Chico Xavier (1910-2002), inspirado por espíritos diferentes, psicografou dezenas de livros infantis.

Dentre esses títulos, a Livraria da Folha destaca a coleção "A Vida Fala", ditado pelo espírito Neio Lúcio. Os volumes da série introduzem as crianças no universo da doutrina espírita.

Conheça parte da coleção de livros infantis escritos pelo maior psi...

"O Burro de Carga" mostra que qualidades como docilidade e a aceitação das responsabilidades são recompensadas, com a confiança e respeito.

 

Em "O Carneiro Revoltado", a história de um animal que se considerava melhor que todos os outros e, por isso, imaginava-se merecedor de atenção e favores especiais do Criador.

Com a história de "A Galinha Afetuosa" o pequeno leitor observa exemplos de valorização das diferenças, respeitando casa um dentro das características próprias da raça, vivência e costumes.

Atitudes que são exemplos de comportamento cristão na família, na sociedade e perante si mesmo, ao colocar em prática o amor incondicional. Abaixo, leia um trecho.

*

 

 

 

Gentil galinha, cheia de instintos maternais, encontrou um ovo de regular tamanho e espalmou as asas sobre ele, aquecendo-o carinhosamente. De quando em quando, beijava-o, enternecida. Se saia a buscar alimento, voltava apressada, para que lhe não faltasse calor vitalizante. 
E pensava, garbosa: — "Será meu pintinho! será meu filho!"

Em formosa manhã de céu claro, notou que o filhotinho nascia, robusto. 
Criou-o, com todos os cuidados. No entanto, em dourado crepúsculo de verão, viu-o fugir pelas águas de um lago, sobre as quais deslizava contente.

Chamou-o, como louca, mas não obteve resposta. O bichinho era um pato 
arisco e fujão.

A galinha, desalentada por haver chocado um ovo que lhe não pertencia à 
família, voltou muito triste, ao velho poleiro; todavia, decorrido algum tempo e encontrando outro ovo, repetiu a experiência.

Nova criaturinha frágil veio à luz. Protegeu-a, com ternura, dedicou-se ao 
filho com todas as forças, mas, em breve, reparou que não era um pintinho 
qual fora, ela mesma, na infância. Tratava-se dum corvo esperto que a deixou em doloroso abatimento, voando a pleno céu, para juntar-se aos escuros bandos de aves iguais a ele.

A desventurada mãe sofreu muitíssimo. Entretanto, embora resolvida a viver só. foi surpreendida, certo dia, por outro ovo, de delicada feição. Recapítulou as esperanças maternas e chocou-o. 
Dentro em pouco, o filhote surgia. A galinha afagou-o, feliz, mas, com o transcurso de algumas semanas, observou que o filho já crescido perseguia ratos à sombra. 
Durante o dia, dava mostras de perturbado e cego; no entanto, em se fazendo a treva, exibia olhos coruscantes que a amedrontavam.

Em noite mais escura, fugiu para uma torre muito alta e não mais voltou. Era uma coruja nova, sedenta de aventuras. 
A abnegada mãe chorou amargamente. Porém, encontrando outro ovo, 
buscou ampará-lo. Aninhou-se, aqueceu-o e, findos trinta dias, veio à luz 
corpulento filhote. A galinha ajudou-o como pôde, mas, em breve, o filho revelou crescimento descomunal. Passou a mirá-la de alto a baixo. Fez-se superior e desconheceu-a. Era um pavãozinho orgulhoso que chegou mesmo a maltratá-la.

A carinhosa ave, dessa vez, desesperou em definitivo. Saiu do galinheiro 
gritando e dispunha-se a cair nas águas de rio próximo, em sinal de protesto contra o destino, quando grande galinha mais velha a abordou, curiosa, a indagar dos motivos que a segregavam em tamanha dor. 
A mísera respondeu, historiando o próprio caso.

A irmã experiente estampou no olhar linda expressão de complacência e 
considerou, cacarejando:

— Que é isto, amiga? não desespere. A obra do mundo é de Deus, nosso 
Pai. Há ovos de gansos, perus, marrecos, andorinhas e até de sapos e 
serpentes, tanto quanto existem nossos próprios ovos. Continue chocando e ajudando em nome do Poder Criador; entretanto, não se prenda aos resultados do serviço que pertencem a Ele e não a nós, mesmo porque a escada para o Céu é infinita e os degraus são diferentes.

Não podemos obrigar os outros a serem iguais a nós, mas é possível auxiliar a todos, de acordo com as nossas possibilidades. Entendeu?

A galinha sofredora aceitou o argumento, resignou-se e voltou, mais calma, 
ao grande parque avícola a que se filiava.

O caminho humano estende-se, repleto de dramas iguais a este. Temos filhos, irmãos e parentes diversos que de modo algum se afinam com as nossas tendências e sentimentos. Trazem consigo inibições e particularidades de outras vidas que não podemos eliminar de pronto.

Estimaríamos que nos dessem compreensão e carinho, mas permanecem imantados a outras pessoas e situações, com as quais assumiram inadiáveis compromissos. 
De outras vezes, respiram noutros climas evolutivos. Não nos aflijamos, porém.

A cada criatura pertence a claridade ou a sombra, a alegria ou a tristeza do 
degrau em que se colocou.

Amemos sem o egoísmo da posse e sem qualquer propósito de 
recompensa, convencidos de que Deus fará o resto.

 

 

*

"A Galinha Afetuosa"
Autor: Francisco Cândido Xavier

pelo espírito de Neio Lúcio 
Editora: FEB

Páginas: 28


Tags: Cândido, Francisco, Lúcio, Neio, Xavier, afetuosa, galinha

Exibições: 356

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