Dona Aparecida Conceição Ferreira nasceu na cidade de Uberaba - MG, no ano de 1914, e desencarnou na mesma cidade natal, na manhã de 22 de dezembro de 2009.

Valorosa enfermeira, exemplo de humildade e amor ao próximo. Conhecida também como Dona Aparecida e “Vó Cida”, trabalhou como enfermeira do setor de isolamento da Santa Casa de Misericórdia, em Uberaba, especializando-se no tratamento de doenças contagiosas.

A decisão inesperada da direção do hospital em que trabalhava, ou seja, dar alta prematura a doze pacientes de pênfigo foliáceo, cujos corpos cobriam-se de dolorosas bolhas, sob a alegação de que o tratamento era longo e dispendioso, mudaria o curso da sua existência.

Era o dia 8 de outubro de 1958. Inconformada com aquela atitude desumana e tomada de compaixão, abandonou o emprego para poder socorrer as pobres vítimas, levando-as para sua própria residência. Na época, a doença era considerada contagiosa e a família e os vizinhos ficaram apavorados. Seu marido e os filhos deram um ultimato: “Ou nós ou eles”. Ela lhes respondeu: “Vocês já estão todos grandes e criados, eles não têm ninguém; eu fico com eles”. Eles então saíram de casa, mas depois voltaram; compreenderam a importância de sua tarefa e passaram a ajudá-la.

Ali, os doentes permaneceram por alguns dias até que a Prefeitura lhe cedeu um pavilhão no Asilo São Vicente, para que pudesse cuidar dos doentes. Embora a cessão fosse por apenas 10 dias, Aparecida permaneceu morando com as vítimas do fogo-selvagem por dez anos e, desde a primeira noite, Aparecida passou a morar com as vítimas.

Em 1959 Chico Xavier mudara-se de Pedro Leopoldo para Uberaba, e, Aparecida premida pelas dificuldades financeiras que enfrentava, resolveu pedir socorro ao conhecido médium, fazendo-se acompanhar de um amigo e de um dos doentes. Entretanto, não pode falar com ele, pois teve que voltar ás pressas porque o seu doente estava muito mal.

Na tarde do dia seguinte, Aparecida teve uma surpresa. Recebeu de um auxiliar de Chico Xavier, dois conjuntos de roupas para cada doente; lençóis, fronhas, pijamas, toalhas de rosto e banho, e ainda, vestidos e um par de sapatos. Ela ficou perplexa. Nem havia conversado com o médium, na época, e cada doente tinha apenas um conjunto de roupas e, após o banho, precisa ficar nu, na cama, enquanto ela lavava e passava as roupas. Sua situação também era precária, pois andava descalça e tinha um único avental.

Um detalhe deixou a enfermeira ainda mais impressionada: os sapatos eram de número quarenta, exatamente o tamanho do seu pé, um exagero para mulheres e um absurdo em relação a sua baixa estatura. Como Chico havia adivinhado?

Na mesma semana, o médium voltou à cena, desta vez ao vivo e em cores. Aparecida tentava arranjar dinheiro para pagar o óleo da cozinha, quando recebeu a visita de Chico Xavier. Ele apareceu sozinho e lhe entregou um envelope. Dentro dele, estavam trezentos cruzeiros, quantia suficiente para saldar a dívida e ainda reforçar a despensa. Ela continuou perplexa. Não acreditava em Espiritismo.

Dona Cida deu mostras reais de ser um Espírito abnegado. Chico Xavier disse-lhe certa vez que ela estava tentando resgatar seus débitos havia muito tempo, mas sem sucesso, até que, desta vez, conseguiu seu objetivo ao reencarnar negra, pobre e cheia de filhos doentes para cuidar. Os insultos, o preconceito e os descasos que ela recebeu foram inúmeros. Mas ela sabia o porquê, visto que em conversas com o Chico, este lhe havia contado que ela na sua última encarnação tinha sido responsável pela morte de muitos “hereges” nas fogueiras da Inquisição. Na atual existência, ela resgatava sua dívida. Os doentes também tratados por ela, tinham obedecido às suas ordens e incendiado os corpos das vítimas.

O trabalho aumentava a cada ano. Em 1960, 187 doentes se amontoavam na enfermaria e em 1961, o número subiu para 363 e o pavilhão do São Vicente de Paulo ficou pequeno demais para abrigar tantos doentes. A enfermeira pôs na cabeça uma idéia fixa: iria construir um hospital. Um conhecido lhe ofereceu um terreno por 300 mil. Aparecida nem pensou duas vezes. Saiu ás ruas com seus doentes para pedir ajuda. Muita gente se apressava em lavar e desinfetar o chão por onde eles passavam, e, apesar de todo o mal estar, ela conseguiu juntar o dinheiro.

Comprou o terreno, cortou as árvores e lançou a pedra fundamental. Estava pronta para começar a obra e nem imaginava que tinha caído numa armadilha: comprara o terreno da pessoa errada. Os proprietários eram outras pessoas e estavam dispostas a processá-la por invasão de propriedade alheia. Pior ainda, ela não tinha um documento para provar o pagamento do terreno. Voltou à estaca zero e pediu uma vez mais socorro ao Chico Xavier.

Bem relacionado, o médium a encaminhou a um corretor de imóveis, que negociou a compra do terreno com os proprietários de verdade. Tudo sairia por 260 mil cruzeiros. Mais calma, ela voltou até o Chico e comunicou; “Vou até São Paulo, porque, dizem; lá é só estender a mão que o povo dá”. Chico lhe perguntou se ela conhecia a cidade e ouvia a resposta: “Sei que fica para lá”, e apontou a direção. Chico então lhe deu um cartão endereçado a um radialista. Aparecida foi à procura dele e encontrou-se com Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados, e teve muita sorte. O empresário colocou à sua disposição suas emissoras de rádio. A campanha beneficente arrecadou 720 mil cruzeiros.

Voltando a Uberaba, Aparecida tomou fôlego e avisou o Chico que iria iniciar as obras. Desta vez, ele foi desanimador dizendo que viria muita tempestade e que ainda não era o momento para iniciar a construção. Aparecida perdeu a paciência e não iria aguardar hora alguma. Comprou 22 mil tijolos e começou a acumular o material. Na semana seguinte, vizinhos pediram tijolos emprestados e nunca mais devolveram. A enfermeira se lembrou do conselho do Chico e sossegou.

Em janeiro de 1962, Chico apareceu com a boa notícia: “Você pode pôr os ovos para chocar, que agora vêm os pintinhos. Não espere pelos poderes públicos, São Paulo é que vai ajudar”. Em 1964, Aparecida voltou à capital paulista para pedir donativos. Com doentes ao redor, ela começou a abordar os transeuntes embaixo do Viaduto do Chá. Resultado: foi presa por mendigar em nome de entidade fictícia. Ficou presa oito dias até provar sua honestidade, com atestados e cartas da Prefeitura, Câmara de Vereadores, juiz e delegado de Uberaba.

De volta a cidade, começou a levantar o prédio e seria vítima de acusações constantes. Diziam que ela ganhava dinheiro à custa dos doentes. A cada nova sala construída, os boatos se multiplicavam. Um dia ela pensou em parar. Ouviu de Chico, já acostumado com a desconfiança geral, uma contra-ordem firme: - “Se desistir, vão dizer que você já roubou o suficiente”.

Certa feita Aparecida estava em São Paulo e numa noite, foi a um Centro Espírita e depois sentiu vontade de sair de fininho. Ninguém a conhecia, mas o presidente da sessão chamou até a mesa a dirigente do Hospital do Fogo-Selvagem, pedindo que ela aplicasse um passe na presidente do Centro, vítima de uma paralisia repentina, que a impedia de andar. Aparecida nem se moveu; nunca tinha dado um passe em ninguém; o sujeito devia estar mal-informado.

No fim da sessão, o mentor espiritual do Centro pedia a ajuda de Aparecida. Ela então tomou coragem e se apresentou. Todos se concentraram em torno da doente e Aparecida sentiu algo estranho nas mãos, no corpo e na cabeça. Sentiu medo, mas mesmo assim, com suas rezas, realizou um “milagre”. A doente se levantou no dia seguinte e se tornou não só sua amiga como também companheira em várias campanhas de assistência aos doentes do fogo-selvagem. A partir desse dia, começou a aplicar passes curadores em seus doentes, com resultados surpreendentes.

O Hospital do Pênfigo viraria Lar da Caridade, e, além de atender vítimas do fogo-selvagem, passou a atender os desamparados em geral. Aparecida se transformou em mais uma devota de Chico Xavier e passou a fazer o tratamento dos seus doentes sob os valores fundamentais – os doentes deveriam trabalhar e estudar com disciplina, para ter melhoras, e passou a reverenciar o aliado: - “Quando Chico vem ao hospital é como se Jesus chegasse”.

Segundo a supervisora do Lar da Caridade, Sayonara Regina Abreu, informou, Aparecida havia sido internada no Hospital São José, fazia poucos dias, com fortes indícios de pneumonia. Ela também já sofria de problemas no coração que, de uns tempos para cá, se tornaram mais freqüentes que o normal.

Na manhã do dia 22 de dezembro de 2009, o país perdeu uma mulher batalhadora, valorosa, que por mais de cinqüenta anos cuidou dos doentes e também das crianças.

Logo que recebeu a notícia do seu desencarne, Divaldo Pereira Franco, disse: “Recebida com júbilos por verdadeira multidão capitaneada pelo irmão Chico Xavier, mais uma estrela retorna ao mundo espiritual, para iluminar a noite das almas errantes e sofredoras da Terra”. . .

Conheça a obra de Dona Aparecida

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FONTE

Texto publicado originalmente na Revista “O Espírita Mineiro” “O Imortal” e posteriormente divulgado na Página do Facebook do Hospital do Fogo Selvagem na data 24/10/2012.

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