Energias do espírito

Joaquim Tomé de Souza*

Não é desconhecido para a maioria dos estudiosos da Doutrina Espírita que as células do nosso corpo físico são mantidas harmoniosamente trabalhando graças às energias hauridas do meio físico (alimentos sólidos, líquidos e gasosos) e do meio espiritual. Esse trabalho harmonioso das células é chamado homeostasia. Há também consenso de que todas as células se comunicam entre si, sejam com as companheiras do meio circundante ou com aquelas distantes, por sinais químicos (ou elétrico, ou eletromagnético, ou magnético) até agora não totalmente conhecidos. Como todas as células estão banhadas pelo líquido extracelular, veículo de condução de todos os sinais químicos, formando o meio líquido interno, não há nenhum compartimento corporal que não saiba o que está acontecendo em qualquer parte do corpo. Qualquer acontecimento em um local, daí a algum tempo (que pode ser segundos ou minutos), todas as restantes células estarão sabendo do acontecido. Uma perfeita síntese da harmonia universal: tudo que acontece em uma parte afeta todas as partes.

Essa homeostasia mantida pelas energias físicas e espirituais é rompida na doença. Qualquer perturbação que rompa essa harmonia funcional é chamada de doença. Se a perturbação é no dedão do pé, por exemplo, em breve tempo, todo o restante do corpo sabe que há uma desarmonia funcional naquele local. Então uma sequência de ações são disparadas automaticamente para tentar sanar o problema e restaurar a harmonia, de maneira hierárquica: local, regional e geral, que são postos em atividades simultaneamente, mas com intensidades diferentes. Nosso corpo tem uma aparelhagem fantástica de auto-reparos. Ela é formada por servomecanismos distribuídos pelo corpo todo. Eles foram constituídos pela ação milenar das necessidades do espírito na incrível viagem da evolução, seja na esfera material, ou na espiritual, em obediência à lei de ação e reação. Neste caso a repetição, no corpo físicio, cria a função no perispírito, incorporando, posteriormente, o processo como uma sub-rotina genética.

Essa máquina de auto-reparos de nosso corpo tem ação limitada. Se não forem implementadas ações externas, ao esgotar a sua capacidade de reparos há a falência do corpo.

Como foi dito, as funções corporais são mantidas pela ação conjunta das energias oriundas do corpo físico e do espírito. As energias do corpo físico, ao que se sabe até agora, são obtidas do metabolismo celular, cujos combustíveis ingerimos na forma sólida, líquida e gasosa. Toda essa implementação do corpo físico para a obtenção de energia tem um padronização espécie-específica, sem muita liberdade de manipulação por nossa vontade.

Entretanto, a energia que vem do espírito tem uma grande faixa de liberdade em sua obtenção, pois, é o espírito que a controla dentro de seu livre-arbítrio. Fazendo uso de sua vontade o espírito pode aumentar, diminuir ou transformar a energia que flui para o corpo vindo dos planos sutis da alma. Quanto mais evoluído é o espírito, maior é sua capacidade de manipulação das forças espirituais. Uma vez que é o espírito quem controla o corpo físico, é também, em ultima análise, a energia espiritual quem garante a homeostasia e, portanto, a saúde corporal. Essa lição já aprendemos há muito tempo: o espírito gera energia e a transmite ao perispírito, que a drena para o corpo.
A capacidade de gerar energia é volitiva. A qualidade da energia capaz de provocar modificação na fisiologia do corpo é escolha do espírito. Pode ser amor ou ódio, humildade ou orgulho, raiva ou paz, ciúme ou desprendimento, enfim, uma série de virtudes ou defeitos morais capazes de gerarem energias que serão drenadas para o corpo físico.

No pequeno grande livro Pensamento e Vida, psicografado por Francisco Cândido Xavier, na lição Enfermidades, Emmanuel nos diz“Toda emoção violenta sobre o corpo é semelhante a martelada forte sobre e engrenagem de máquina sensível, e toda aflição amimalhada é como ferrugem destruidora, prejudicando-lhe o funcionamento”. Nesse entendimento, podemos afirmar que um sentimento de violência gera energia capaz de esmagar as células do corpo físico. Leiam, sobre isso, a lição que o Irmão X nos traz no livro Cartas e Crônicas, na psicografia de Francisco Cândido Xavier, chamada Belarmino Bicas.

A doença ou a saúde são profundamente influenciadas pela qualidade de nossos sentimentos. Não podemos dizer que toda doença seja gerada pelo teor de nossas energias, como nos diz Emmanuel naquele mesmo livro citado e na mesma lição: “Ninguém poderá dizer que toda enfermidade, a rigor, esteja vinculada aos processos de elaboração da vida mental, mas todos podemos garantir que os processos de elaboração da vida mental guardam positiva influenciação sobre todas as doenças”.

Quando estamos sadios e começamos gerar sentimentos negativos, tais como, raiva, ódio, rancor, ciúme, vingança, melindre, mágoa, desgosto, maledicência, egoísmo, impaciência, orgulho, vaidade, etc., disparamos verdadeiros raios mortíferos sobre nossas células e quem sofre primeiro é o nosso órgão mais sensível. Normalmente cada pessoa tem um órgão mais sensível do que os outros. Em algumas pessoas esse órgão pode ser o fígado, ou estômago, ou rins, ou a cabeça, em outras, o pâncreas, ou músculos, ou ossos, ou bexiga, enfim, é totalmente pessoal essa maior sensibilidade orgãnica. Cada um tem seu calcanhar de Aquiles. Aqueles sentimentos podem não causar doenças nesse órgão sensível, mas positivamente ele fica muito mais vulnerável aos agravos externos, ou podem adoecê-lo diretamente com sua geração continuada, pois, há um ditado popular bem conhecido que corrobora isso: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Quando estamos doentes a cultivação de sentimentos tais como, amor, paz, tranqüilidade, paciência, humildade, bondade, fraternidade, caridade, indulgência, alegria, etc., irá gerar energias capazes de restaurar a ordem e a harmonia das funções celulares.

Toda essa capacidade de gerar energias capazes de modificar nossas funções orgânicas está subordinada à vontade do espírito, que irá escolher a qualidade de energia (tipo de sentimento) que quer criar, e a intensidade de sua geração.

Por conseguinte, cada um gera o mundo energético que quer. Analisemos os nossos sentimentos e iremos descobrir qual a qualidade da energia que nossas células estão se alimentando.

Falamos, até agora, somente da atividade mental gerada pelo espírito encarnado e se auto-influenciando. Os espíritos já nos disseram, desde a Codificação, que somos muito influenciados pelos desencarnados, consignando isso no Livro dos Espíritos, questão 459, Allan Kardec pergunta: “Influem os espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?” Os Espíritos da Codificação responderam: “Muito mais que imaginais. Influem a tal ponto, que de ordinário são eles que vos dirigem”.

Há, pois, um intenso intercâmbio de forças nos influenciando sobre nossa saúde ou doença. Os bons espíritos estão constantemente nos auxiliando com energias positivas para nossa manutenção homeostásica, enquanto os não bons estão fazendo o contrário. Somos, pois, bombardeados constantemente por forças positivas ou negativas, buscando nossa intimidade fisio-mento-psíquica. Entretanto, somos também a chave comutadora em permitir ou não que essas energias externas penetrem em nosso ser. De novo, é o sentimento que abrirá ou não nossas portas mentais a tais influências, em obediência a uma lei divina que nos afirma: “o semelhante atrai o semelhante”. Ora, se o nosso sentimento é de raiva, como vamos querer viver em paz? Se meu sentimento é de amor, tenho certeza que o ódio não me atingirá. Os bons espíritos sempre respeitam essa lei quando estão em trabalho de auxílio a alguém; os não bons sempre estão querendo derrogar essa lei, ao tentar corromper as pessoas de bem.

Portanto, caro leitor, quando for buscar um passe ou energização em uma Casa de Oração, gere a energia que quer receber e será intensamente dela plenificado em quantidades inimagináveis. Para conservar essa plena energia recebida é dever de quem recebe continuar gerando bons sentimentos, caso contrário, a força recebida rapidamente se esvai por simples falta de âncora para se fixar.

Em conclusão, somos médicos de nós próprios em busca da saúde espiritual, contando com o auxílio amoroso e fraterno de tantos quantos vibram em nosso clima de ação energética. A saúde ou doença é mera colheita de ações atuais ou pretéritas, mas a nossa vontade e nosso sentimento são ferramentas certas da correção no tempo presente.

A qualidade de nossos sentimentos revela a qualidade de nossa vivência. Sentimento e vontade, cristãmente acionados, são instrumentos de nossa evolução.

Bendita seja essa força de vontade, mas muito mais santa é a vontade de fazer essa força.

* Joaquim Tomé de Souza é médico e professor aposentado da Universidade Federal de Goiás e atual Presidente da AME-GO.

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Respostas a este tópico

Linda postagem, mostra de uma maneira didática, o quanto somos responsáveis, pela nossa saúde e felicidade. É  em nós que tudo inicia, e , é em nós que tudo transparece.

Excelente postagem.

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