CATALEPSIA

 

SONAMBULISMO, LETARGIA E CATALEPSIA

O interesse por este tema começou há muitos anos, quando iniciamos os primeiros estudos das obras espíritas escritas por Allan Kardec. Notamos que o assunto era pouco comentado no cotidiano dos centros espíritas, apesar de ter sido um dos mais estudados pelo codificador da doutrina dos espíritos, e a leitura de obras especializadas, além de outras psicografadas por Ivone Pereira, que já apresentava a estranha característica do fenômeno da catalepsia desde tenra idade, animou nosso intuito. Percebemos nos fenômenos magnéticos uma das mais belas e evidentes provas da existência da alma. As perguntas feitas após a primeira apresentação deste tema nos mostraram a curiosidade que existe sobre ele, bem como o grande número de pessoas portadoras de distúrbios ligados ao sono, dentre eles o sonambulismo.

O empenho do mundo espiritual para demonstrar a realidade da existência da alma para a humanidade é inegável. Desde os primeiros episódios de Hydesville, nos Estados Unidos, até os dias atuais, por meio da Transcomunicação Instrumental, o homem é agraciado com os mais variados meios para compreender seu destino como espírito imortal, de onde veio, o porquê de sua existência e para onde irá após a morte. Pela própria constituição físico-espiritual e como medianeiro entre dois planos, o homem participa dos mais belos fenômenos psíquicos, contribuindo para a demonstração e a confirmação dessas verdades.

No capítulo 14 de A Gênese, Kardec nos diz que existe um outro mundo além das nossas percepções, um universo fluídico que nos envolve, povoado por entidades invisíveis. Nesse mundo, ocorrem fenômenos especiais perceptíveis pela visão e audição do espírito, que escapam aos sentidos impressionados unicamente pela matéria tangível. Em Depois da Morte, Léon Denis afirma que esse mundo dos fluidos, entrevisto além do estado radiante da matéria descoberta por William Crookes, reserva à ciência muitas surpresas e algumas descobertas. É justamente nesse mundo que podemos penetrar, através do estado denominado "sonambulismo".

O MAGNETISMO

Estudada e praticada secretamente, em todos os tempos, entre os povos antigos, os sacerdotes já possuíam profundos conhecimentos sobre a ciência magnética. Desde os magos da Caldéia, os brâmanes da índia, Apolônio de Tiana, Galeno, Hipócrates e os druidas na Gália, todos curavam com o olhar, provocando o sono magnético pelo passe com a imposição das mãos. Remédios eram descobertos durante o sono, quando os próprios doentes indicavam a cura e o tratamento de seus males.

Apesar de nascer na Inglaterra, o magnetismo foi amplamente estudado na França. Inicialmente, ocupou-se do aspecto anestésico, ou seja, a privação geral ou parcial da sensibilidade, estudando-se também a ação de várias substâncias para produzir o fenômeno da catalepsia. Logo, outros fenômenos surgiram espontaneamente, como a "liberdade do pensamento durante a suspensão das faculdades orgânicas", pois este independe dos órgãos; a "visão a distância" a amplitude da visão que transpõe o limite dos sentidos, entre outros. 

Assim, todas as percepções mostraram que há no homem algo mais além da matéria
. Outros experimentadores se referiram ao magnetismo, como Albert de Rochas, que disse: "O hipnotismo, só então estudado oficialmente, representava um vasto e maravilhoso edifício já explorado, em grande parte, pelos antigos magnetizadores". Charcot afirmou que "o hipnotismo é um mundo no qual, ao lado de fatos palpáveis, grosseiros e materiais, ligados sempre à fisiologia, encontram-se outros absolutamente extraordinários, inexplicáveis até então, que não correspondem a qualquer lei fisiológica e permanecem sumamente estranhos e surpreendentes".

Ao que parece, alguns cientistas temiam que os estudos dos fenômenos magnéticos obtidos de indivíduos normais pudessem provocar a existência de um "princípio anímico" no homem. Os cientistas oficiais, geralmente médicos que se ocupavam com o magnetismo, só realizavam experiências com doentes ou inválidos nos hospitais. A irritação nervosa e suas patologias mostravam apenas fenômenos contraditórios e incompletos. Enfim, a ciência dita materialista hesitava em se aventurar sobre esse terreno da psicologia experimental, pois pressentia que estaria diante de forças psíquicas daquela alma, isto é, da qual ela negou a existência.

A ciência do magnetismo possibilita recursos maravilhosos ao homem, devido à imensa ação dos fluidos sobre o corpo humano, já que suas propriedades são variadas e múltiplas. Assim, os grandes missionários curavam apenas com a imposição das mãos e o segredo de seus pretensos milagres nada mais era do que a ação dos fluidos. Estes, obedientes a uma poderosa vontade e um ardente desejo de fazer o bem, penetravam todo o organismo frágil, devolvendo a saúde aos enfermos por sua benéfica influência.

O sono magnético desenvolve novas faculdades e um poder incalculável de percepção nas pessoas. Para Léon Denis, este ser psíquico que, no sono, vê, pensa e age fora do corpo, afirmando sua própria personalidade independente com faculdades superiores às do estado de vigília, é a alma, o princípio inteligente revestido de sua forma fluídica, que não é um resultado das forças vitais e da relação orgânica, mas uma causa livre, uma vontade que age fugindo por momentos de sua prisão, dominando a natureza inteira e gozando integralmente de todas as suas inatas faculdades. Assim, os fenômenos magnéticos demonstram, de modo evidente, não só a existência da alma, mas também sua imortalidade. Caso essa alma se destaque de seu invólucro grosseiro durante a vida terrena, viva e pense fora dele, com maior razão reencontrará a plenitude de sua liberdade na morte.

A importância do sono

Costuma-se dizer que o sono é irmão da morte e realmente o é, representando um dos maiores segredos da existência humana e merecendo nossas observações atentas. Sua causa reside principalmente na alma, na luta constante por sua emancipação ou regresso ao seu mundo de origem. Caracteriza-se pela necessidade que a alma tem de se emancipar. Enquanto esta abandona provisoriamente as partes mais grosseiras do corpo, resta apenas a vida vegetativa. Mas apesar da insensibilidade, todas as funções vitais estão em plena atividade, assemelhando-se às da vida inconsciente das plantas.

Assim, o sono é necessário não só ao homem, mas também ao animal e às plantas. Essa retirada do elemento espiritual do homem é necessária, dadas as condições de constante desgaste. Todo sono é alimento da força vital e o estado de vigília é o seu consumo. A vida vegetativa, abandonada a si mesma e em repouso pela atividade do espírito, pode continuar a trabalhar sem entraves, conforme as leis da natureza. Porém, durante esses momentos, o nosso "eu" não se aniquila, pois, se assim fosse, nosso corpo receberia um outro espírito ou outra alma a cada manhã, em lugar daquela que estaria destruída.

Portanto, retirando seu espírito, ele continua a viver e a agir, conservando o sentimento e a consciência de sua existência tão bem quanto em vigília, sabendo se distinguir perfeitamente dos objetos de suas visões. Cada vez que lembramos de um sonho, achamos que era nosso próprio eu a flutuar entre as imagens de sua fantasia, com um sentimento muito imperfeito de sua individualidade. 

Podemos esquecer os acessórios dos sonhos que produziram uma impressão em nós, durante os quais nosso espírito reagiu fortemente por seus desejos e sentimentos. Assim, poderíamos esquecer que tínhamos os sentimentos de nossa existência, mas não é uma razão para supormos que esse sentimento ou consciência tenha sido suspensa pelo simples fato de não nos lembrarmos mais. Mas quem poderá negar que tenha guardado plenamente o sentimento de sua existência, já que não vê com os olhos e não escuta com os ouvidos?

Outra prova da continuação incessante do sentimento de nossa existência e identidade é a capacidade que o homem possui de despertar por si próprio, em uma determinada hora prefixada por ele. Conseqüentemente, não se pode dizer que, mergulhado em um sono mais profundo, o indivíduo tenha perdido a consciência, o sentimento de sua existência, apesar de não poder manifestá-lo para nós.

DURANTE O DESMAIO 

No caso das síncopes ou desmaios, quando o elemento espiritual se retira em si mesmo, por efeito de uma perturbação passageira e parcial de sua vida vegetativa, o homem não está privado da lembrança, da mesma forma que durante o sono, apesar da ausência de sinais exteriores da existência. Muitas pessoas desmaiadas ou adormecidas conservam, muitas vezes, a lembrança de algumas das visões que tiveram durante este estado que tanto se aproxima da morte.

Às vezes, o corpo se apresenta macilento, frio, privado de respiração e movimento, assemelhando-se a um cadáver, enquanto o espírito, achando-se ainda em comunicação com alguns sentidos, compreende tudo o que se passa ao seu redor, sem poder, como nos casos de catalepsia, exteriorizar qualquer sinal de vida e de reconhecimento.

O ESTADO SONAMBÚLICO

Entretanto, há um outro estado notável do homem que nos prova a atividade ininterrupta do espírito e de seu conhecimento que jamais se perde, mesmo quando, a seguir, não mais o recorda: o estado sonambúlico, em seus mais variados graus. Para a ciência oficial, o sonambulismo é considerado um distúrbio do sono. "Os fenômenos do sonambulismo natural são produzidos espontaneamente e independem de qualquer causa exterior conhecida. Porém, em certas pessoas dotadas de especial organização, tais fenômenos podem ser provocados artificialmente pela ação do agente magnético, encarnado ou desencarnado", explica O Livro dos Espíritos.

Portanto, existem dois tipos de sonambulismo: o magnético e o natural. A única diferença entre eles é que um é provocado e o outro, espontâneo. A palavra sonambulismo é formada por dois vocábulos latinos, "somnus" e "ambulatio", que significam "ação de andar dormindo". Assim, o termo se refere ao estado de emancipação da alma, quando suas faculdades adquirem maior amplitude.

Por muito tempo, acreditou-se que só havia uma espécie de sonambulismo, porém, sabe-se que existem três fases, cada qual assinalada por caracteres físicos próprios: a letárgica, a cataléptica e a sonambúlica.Segundo a doutrina espírita, tanto para o sonambulismo magnético como para o natural, a causa é uma só: um atributo da alma, faculdade inerente a todas as partes do ser corpóreo, e seus limites são os da própria alma, isto é, seu estado evolutivo.

Uma das características desse fenômeno é a visão a distância, uma das mais notáveis e independe do órgão da visão. O sonâmbulo sabe se orientar durante a noite, ler e escrever de olhos fechados e se dedicar aos trabalhos mais complexos. Outros vêem através de corpos humanos, distinguindo seus males e suas causas, lêem o pensamento, penetrando sem o auxílio dos sentidos nos domínios mais íntimos, atingindo as portas de um mundo diferente. Penetram nos mistérios da vida fluídica, entrando em relação com outros seres invisíveis que lhes transmitem conselhos e ensinamentos.

Portanto, o sonâmbulo vê em todos os lugares para onde sua alma possa se transportar, qualquer que seja a distância, além de estar "presente", porque lá está sua alma. Por isso, seu corpo se apresenta aniquilado, privado de sensações, até que sua alma volte a habitá-lo. Essa separação parcial da alma de seu corpo é um estado anormal que pode durar mais ou menos tempo, porém, indefinido. A fadiga que apresenta ao recobrar os sentidos, justifica-se pelo trabalho ativo que realizou. Sua visão não tem sede determinada, observam sem saber o motivo, pois, como espíritos, a visão carece de foco próprio. Este pode estar em centros de atividade vital considerados de maior ligação entre o espírito e o corpo, como, por exemplo, o cérebro.

Os fluidos espirituais constituem um dos estados do fluido cósmico universal e são atmosferas dos seres espirituais, ambiente no qual se passam os fenômenos especiais, perceptíveis pela visão e audição do espírito e que escapam aos sentidos impressionados unicamente pela matéria tangível. Por isso, o sonâmbulo é extremamente impressionável e sujeito às estado sonambúlico, o espírito vê seu próprio espírito e corpo ao mesmo tempo. São dois seres representando duas essências (corpórea e espiritual), que se confundem pelos laços que as unem. Às vezes, sem perceber essa dualidade, o espírito fala de si próprio como se fosse de outra pessoa.

A MEDICINA OFICIAL:

Na medicina oficial, o aspecto terapêutico é escasso no que se refere à letargia e à catalepsia. Seus meios de pesquisa excluem as causas extrafísicas, responsáveis por esses fenômenos. Relatam-se trabalhos experimentais com o uso de certas drogas que podem causar esses fenômenos.

A literatura médica dispõe de trabalhos realizados com adultos, mostrando transtornos incluídos no período noturno (pesadelos, alucinações, sonambulismos) que estão ligados à ingestão de diversos tipos de medicamentos, como antidepressivos, sedativos, anti-histamínicos e hipnóticos , geralmente à noite, ao se deitarem, e em altas doses, inclusive o álcool naqueles que abusam dos estimulantes.

Provavelmente, todas essas drogas agem modificando os estados profundos do sono, aumentando-os ou diminuindo-os conforme o caso. Esses processos opostos mudam o equilíbrio fisiológico do sono profundo, favorecendo um despertar inoportuno, no qual se apresentam os transtornos mencionados. O resultado é a alteração de estruturas como o sistema límbico, responsável pela memória, o sistema reticular e o córtex, diminuindo o estado da consciência.


CATALEPSIA E LETARGIA

O sonambulismo apresenta ainda diferentes graus de fenômenos além do aspecto terapêutico (condição de ver seus próprios males, prescrever medicamentos e recursos para sua cura), como a catalepsia e a letargia (morte aparente). Allan Kardec diz que ambas derivam do mesmo princípio, que é a "perda temporária da sensibilidade e do movimento por uma causa biológica ainda inexplicada". A diferença é que, naletargia, a suspensão das forças vitais é geral e dá ao corpo todas as aparências do morto, ou seja, morte aparente ou estado que representa uma vida oculta, na qual os sinais da vida parecem ausentes e as atividades cardíacas e respiratórias não são percebidas.

Já na catalepsia, a perda de força e a insensibilidade são localizadas, podendo atingir uma parte mais ou menos extensa do corpo, permitindo que a inteligência se manifeste livremente, o que a torna inconfundível com a morte. Segundo o dr. Bezerra de Menezes, existem provas diretas que mostram a existência de um princípio distinto do corpo. As manifestações anímicas por anestesia e as produzidas pelo sono magnético representam as primeiras e intermediam as provas racionais e as verdadeiramente experimentais. Anestesia e sonambulismo produzem os mesmos efeitos e operam do mesmo modo sobre o organismo, produzindo o sono, a inconsciência e o esquecimento, deprimindo o sistema nervoso e levando a insensibilidade.

O sonambulismo hipnótico atua pela força de vontade do magnetizador sobre o mesmo sistema nervoso, criando efeito similar ao do sono e da paralisia. Do sonambilismo magnético, resultam os mesmos fenômenos, gerados por um modo idêntico de ação. Em cada um dos três processos, o corpo sofre um colapso, porém, apesar de não se achar em seus sentidos, o homem está vivo e goza a faculdade de ver, seja de perto ou de longe, descrever tudo que vê e até falar de coisas que desconhece. Se o homem fosse apenas matéria e seu corpo composto só por órgãos materiais, com a suspensão da vida de relação, aqueles tipos de manifestações seriam impossíveis. Contudo, não só os anestesiados, mas também os sonambulizados, os hipnotizados ou os magnetizados oferecem brilhantes manifestações dessa ordem de fenômenos.

Como prova dedutiva do fato experimental, desde as primeiras manifestações espíritas nos Estados Unidos, todos os fenômenos foram cuidadosamente estudados e metodicamente analisados. É deles que colhemos as mais claras comprovações. Pesquisadores como William Crookes, Friedrich Zollner e Charles Richet, entre outros, comprovaram a existência de um princípio tão distinto do corpo que, enquanto este cai inconsciente, o espírito ostenta mais nitidamente a grandeza de suas faculdades especiais.

No livro Recordações da Mediunidade, Bezerra de Menezes indica o estudo das escrituras cristãs, onde podem ser encontradas excelentes descrições dos fenômenos a que nos referimos. Segundo ele, "a catalepsia e a letargia são fenômenos conhecidos pela ciência oficial, julgando que a cura não é de sua alçada. Porém, a ciência psíquica, como também a doutrina espírita, não só os conhecem como se interessam por eles, colhendo ensinamentos e revelações em torno da alma humana, podendo, por isso, curá-los e até evitá-los, como também provocá-los e dirigi-los, extraindo grandes conhecimentos para uma instrução científica e transcendental".

A letargia, como a catalepsia, não é uma enfermidade física, mas uma faculdade medianímica que se torna prejudicial ao seu possuidor como qualquer outra, caso seja incompreendida ou mal orientada. Ambas poderão ser exploradas pela mistificação e pela obsessão de perseguidores invisíveis, degenerando em um estado doentio do perispírito. É uma tendência viciosa das vibrações perispirituais, chegando ao aniquilamento, negando-se ao bom funcionamento físicopsíquico e levando a uma neutralização do fluido vital. O resultado é um estado de anestesia geral ou parcial, a perda da sensibilidade com todas as aparências da morte e até mesmo o início da decomposição física. Restará apenas a consciência vigilante, que, como uma fagulha da mente divina animando a criatura, nunca se deterá em um aniquilamento, mesmo que temporário.

A catalepsia e a letargia são faculdades gêmeas e, se espontâneas, serão como um vício. Consequências imprevisíveis, como a morte e a loucura, podem ocorrer se isso não for corrigido, pois se as células cerebrais forem atingidas frequentemente e por um demasiado tempo, poderão levar também ao suicídio, ao homicídio ou a enfermidades nervosas, como esgotamento, depressão, alucinações etc.

No entanto, se cuidadas por meio do tratamento psíquico adequado, transformar-se-ão em importantes faculdades anímicas, capazes de altas realizações supranormais, oferecendo aos estudiosos um amplo campo de elucidação. O tratamento indicado são os passes magnéticos, transmitidos por médiuns idôneos, não por magnetizadores. Além dessa providência, a intervenção oculta e eficiente da espiritualidade tem evitado que a letargia e a catalepsia se propaguem entre os homens com feição de calamidade.

À "ressurreição" de Lázaro foi a recuperação de uma crise de catalepsia aguda, na qual ele não contava com o fluido vital e suas ligações perispirituais estavam fragilizadas e danificadas. O poder restaurador de Jesus renovou sua vitalidade e fortaleceu as ligações magnéticas, sem o que Lázaro não teria recobrado sua vida.


O CASO BÍBLICO DE LÁZARO

Nos casos citados pelos evangelistas, o de Lázaro se destaca em virtude de sua estranha particularidade. Era uma situação de catalepsia aguda, com relaxamento dos elos vitais pela depressão causada por uma enfermidade, provocando no espírito encarnado o desejo incontido de abandonar a matéria. O fluido vital que anima os organismos vivos foi quase totalmente extinto, as ligações magnéticas do perispírito com o físico estavam fragilizadas e danificadas pelo enfraquecimento das vibrações e da vontade. Lázaro já cheirava mal, o que é comum em casos de crises catalépticas agudas, mesmo quando provocadas, havendo o risco do paciente ser sepultado ainda vivo.

Não fosse o poder restaurador de uma alma virtuosa como a de Jesus se impor aos fatos, renovando a vitalidade animal com seu poderoso magnetismo e fortalecendo as ligações magnéticas, Lázaro não retornaria à vida. Não fossem as fortes ligações magnéticas aproveitáveis e as reservas vitais conservadas pelo perispírito nas constituições físicas robustas, Jesus não se proporia à cura, pois esta seria impossível.

Muitos homens e crianças têm desencarnado assim. Mas por que tal fato é possível diante da lei harmoniosa da criação? E que culpa tem o homem de sofrer tais acidentes se não é ele quem os provoca? Tais acidentes são próprios da evolução, uma expiação. Enquanto o homem não se integrar em sua condição de ser divino, não alçar vôos maiores em seu processo de autoconhecimento, estará sujeito mecanicamente a esse e outros distúrbios. Por outro lado, sendo a catalepsia e a letargia um patrimônio psíquico do homem, não propriamente uma enfermidade, sua ação nem sempre demonstra a inferioridade de seu possuidor. Adestradas, ambas poderão prestar excelentes serviços à causa do bem e, tal como as demais faculdades mediúnicas, servem de pasto para terríveis obsessões caso não sejam bem conduzidas.

Nos estados de catalepsia, apesar de não conseguirmos mover os membros do corpo físico denso, o ser está consciente e seu perispírito parcialmente liberto do corpo.

RESPONSABILIDADE DO HOMEM

Entretanto, o homem não está isento de responsabilidade no caso, tanto nas manifestações prejudiciais como nas úteis. Um espírito encarnado já evoluído poderá cair em transe letárgico ou cataléptico voluntariamente, desfrutar do convívio com espíritos amigos, dedicar-se a estudos profundos, colaborar com o bem e, depois, retornar à carne, reanimado e apto a excelentes realizações. Por outro lado, homens menos evoluídos poderão cair nos mesmos transes, conversar com entidades inferiores e retornar obsediados, predispostos aos maus atos e até inclinados ao suicídio e ao homicídio. Um distúrbio vibratório que gera crises de letargia e catalepsia pode ter várias causas, dentre elas o próprio suicídio em uma existência passada.

Os viciados em álcool e entorpecentes poderão renascer predispostos à catalepsia, devido ao vício de suas vibrações anestesiadas, sendo todos considerados suicidas pelo código da criação. Da mesma forma, quando um médium está em esgotamento ou desatento à própria higiene mental ou moral, poderá ocorrer um distúrbio vibratório agudo, levando a um transe cataléptico gerado pela queda de vibrações. Aí o transe simulará enfermidade grave, embora não a seja propriamente, sendo interpretado como ataque incurável.

A terapêutica psíquica adequada e a renovação mental atuando nas vibrações nervosas atingirão excelentes resultados na correção do distúrbio. As faculdades deverão ser canalizadas para uma justa condição de faculdade anímica, com a atuação espírita propriamente dita. Tudo isso integra uma expiação, pois será o grave efeito de causas igualmente graves.

Tanto a letargia quanto a catalepsia poderão ser transformadas em faculdades preciosas se bem compreendidas e dirigidas pelos homens ou pelos espíritos superiores, porém, raras e perigosas, uma vez que poderão causar a morte se uma assistência poderosa não resguardar o médium. A letargia se presta mais à ação de seu possuidor espiritual. É uma faculdade comum aos gênios e sábios, porém, não constitui um privilégio, agindo sem que eles próprios dela se apercebam, por se efetivarem durante o sono e sob vigilância de espíritos prepostos ao caso. Esses obreiros espirituais terão, nestes médiuns, prestimosos colaboradores para suas tarefas em benefício da humanidade encarnada e desencarnada.

Não devemos temer a catalepsia e a letargia, mas compreender seus mecanismos. Pessoas predispostas podem apresentar crises de sonambulismo nos mais variados graus, porém, os mais profundos são raros atualmente. Eles também podem ser provocados por outras causas, como certos traumas, tóxicos etc, deixando-nos passíveis de apresentar transes sonambúlicos em determinadas circunstâncias de nossas vidas.

Todavia, a advertência dos espíritos superiores e os ensinamentos da doutrina espírita demonstram que ninguém deve provocar ou forçar o desenvolvimento das faculdades mediúnicas, por ser contraproducente, ocasionando novos fenômenos psíquicos e não propriamente espíritas, como a auto-sugestão exercida por pessoas presentes às sessões de experimentações, a hipnose, o animismo e o personismo. (O ideal é a educação da mediunidade em centros que possuem uma base segura para sua orientação).

Que a humanidade se dignifique através de conquistas morais, respeitando as leis de Deus. Só assim poderemos entender os grandes mistérios que a vida nos oferece.

Elisabeth Resende Nicodemos - A.M.E. (Associação Médico-Espírita do Brasil)

Tags: CATALEPSIA, E, LETARGIA, SONAMBULISMO

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