Ante o Convid-19 empreguemos a disciplina mental e os recursos da prece (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

 

"A imaginação é a metade da doença;

a tranquilidade é a metade do remédio;

e a paciência é o começo da cura". (Ibn Sina)1

 

A morte não é o fim, mas a grande libertadora da escravidão carnal, pronunciou Bezerra de Menezes, alertando para que não nos preocupemos em demasia com a presença pandêmica do [coronavírus], cujo momento será mais tarde entendido nas suas razões, nas suas origens e no porquê chegou-nos agora, provocando pânico e dor. 2

Justamente como está ocorrendo nas dioceses da Itália, pois só no dia 20 de março de 2020, houve a morte de 28 sacerdotes católicos diagnosticados com a Covid-19. A maioria atuava na região norte do país. Diante disso, o Papa Francisco preceituou ao arcebispo Francesco Beschi para dar seu apoio aos padres, aos enfermos, aos que cuidam dos pacientes e a toda comunidade católica, pois que estava muito impressionado com o sofrimento que padecem, pela morte solitária, sem a companhia das famílias, tão dolorosa, segundo Beschi. 3

Na contramão dos trágicos episódios chineses e italianos, a Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional brasileiro emitiu nota pedindo a reabertura dos templos para enfrentar o que chamou de “pandemia maligna”. Daí (pasmem!) as igrejas têm passado imunes às recomendações dos governos estaduais e do Ministério da Saúde para suspender eventos com grande aglomeração de pessoas.

Valendo-se disso, as megaigrejas evangélicas como a Universal do Reino de Deus de Edir Macedo, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo de Silas Malafaia e a Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago — todas com milhares de templos espalhados pelo país e cujas sedes têm capacidade para 10 mil pessoas, 6 mil pessoas e 15 mil pessoas, respectivamente, seguem (quais bombas relógio) abertas e com os cultos lotados.

O MPRJ (Ministério Público do Rio Janeiro) entrou com um pedido para que os cultos fossem suspensos, mas a Justiça negou. E nessa onda o pastor e empresário Silas Malafaia esbraveja que só fechará a Assembleia de Deus Vitória em Cristo por determinação da Justiça.

Essa irresponsável atitude de tais igrejas é inquietante, vejamos o que ocorreu   lá na Coreia do Sul, em que uma igreja é responsável por mais de 60% dos casos. O pastor sul-coreano Lee Man-hee, da Igreja Shincheonji de Jesus, se ajoelhou e pediu desculpas durante uma entrevista coletiva, segundo o Metro UK. Porque mais de 60% dos 4 mil casos confirmados no país asiáticos são de fiéis da igreja, sendo 28 mortes. Agora, o pastor é investigado pelo Ministério Público coreano por negligência.4

Lamentavelmente e andando na contramão das atitudes de outros ajuizados governantes o Presidente do Brasil defende aglomerações (bomba relógio) nas igrejas. Na borla do Presidente vão alguns pastores “ungidos” afirmando que a Igreja é lugar de refúgio para muitos que se acham amedrontados e desesperados. Por isso os templos devem estar de portas abertas para receber os abatidos e acolher os desesperados.

A grande preocupação em relação a pandemia é que o número de casos pode aumentar de maneira aterrorizante, em escala geométrica. Este fato sobrecarregará os serviços de saúde (públicos ou privados), com risco de faltar assistência adequada para toda a população. Esta é a razão pela qual as medidas de contenção são essenciais, para tornar mais lenta a instalação desta pandemia e permitir que os serviços de saúde se organizem para oferecer atendimento adequado.

Neste período pandêmico o Espírito Bezerra de Menezes realçou que devemos manter o respeito às leis, buscando a precaução recomendada pelas autoridades sanitárias. 5 Os espíritas devemos seguir as recomendações dos órgãos oficiais, Ministério da Saúde do Brasil e Organização Mundial da Saúde. Nas casas espíritas os trabalhos de atendimento espiritual abertos ao público devem ser realizados por atendimento à distância. As reuniões com grande número de pessoas devem ser evitadas até que essa medida seja reavaliada de acordo com a evolução da situação epidemiológica.

Nas reuniões “impreteríveis” de trabalho que envolva pequeno número de pessoas, não deverão participar pessoas com sintomas respiratórios, assim como se deverá evitar contato físico como aperto de mãos, abraços e beijos. Deve haver o fornecimento de álcool gel em locais chaves da casa espírita, como na entrada, na biblioteca e nos banheiros pode auxiliar sobremaneira na contenção do vírus.

É importantíssimo “desfazer ideias de temor ante as moléstias contagiosas ou mutilantes, usando a disciplina mental e os recursos da prece.”6 Pois que “a força poderosa do pensamento tanto elabora quanto extingue muitos distúrbios orgânicos e psíquicos.” 7

É momento de “aceitar o auxílio dos missionários e obreiros da medicina terrena, não exigindo proteção e responsabilidade exclusivas dos médicos desencarnados.” 8 Vamos todos “aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação dos valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé. ” 9

Referências bibliográficas:

1                       Ibn Sina (980-1037), com nome latinizado de Avicena, polímata, médico e filósofo persa, e considerado pai da medicina  moderna

2                      Mensagem de Bezerra de Menezes, recebida pela psicofonia de Divaldo Franco no encerramento da XXII Conferência Estadual Espírita, em 15.03.2020, no Expotrade – São Jose dos Pinhais (PR)

3                     Disponível  em https://veja.abril.com.br/mundo/coronavirus-italia-registra-a-morte-de-28-sacerdotes/    acesso em 20/03/2020

4                      Disponível  em https://bhaz.com.br/2020/03/20/silas-malafaia-coronavirus/ acesso em 20/03/2020

5                     Mensagem de Bezerra de Menezes, recebida pela psicofonia de Divaldo Franco no encerramento da XXII Conferência Estadual Espírita, em 15.03.2020, no Expotrade – São Jose dos Pinhais (PR)

6                     VIEIRA , Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo Espírito André Luiz - cap. 35, RJ: Ed. FEB, 1971

7                      Idem

8                     Idem

9                     Idem

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  • DAVIDR REIMER

    Governo considera imprevisível reação do ministro da Saúde
    O governo não considera neste momento demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mas diante da pressão da classe médica, governadores do DEM, aliados do presidente Jair Bolsonaro, afirmam que é imprevisível a decisão que o chefe da pasta poderá tomar.
    Mandetta esteve no Palácio do Planalto na manhã desta quarta-feira, 25. Participou de reunião com Bolsonaro, ministro e governadores do Sudeste, horas após o presidente afirmar que cobraria do Ministério da Saúde regras mais brandas sobre isolamento contra a covid-19, que se restringiriam apenas a grupos de risco -- idosos e pessoas com doenças crônicas.
    Na reunião, Mandetta pediu calma e equilíbrio aos governadores, mas não chegou a endossar o discurso do presidente, segundo pessoas presentes.
    Para aliados do ministro, ele não deve pedir demissão. A estratégia de Mandetta deve ser “sair pela tangente”, tentando apresentar dados sobre locais que desistiram de medidas mais flexíveis para conter a crise, como o Reino Unido. O ministro, no entanto, já teria demonstrado cansaço pela queda de braço com Bolsonaro.
    Segundo fontes da linha de frente de discussões sobre combate à covid-19 no governo, há grande preocupação sobre o impacto econômico de medidas mais restritivas, o que levou Bolsonaro a pensar em alternativas menos duras. Ainda assim, também é reconhecido no Palácio do Planalto que a saída de Mandetta geraria uma crise na hora errada. “Não se tira o general durante uma batalha”, disse um integrante do governo.
    Por ora, a leitura é de que mesmo se o governo adotar o “isolamento vertical”, a medida tem de ser posta com muito cuidado e forte estratégia de comunicação.
    O pronunciamento de Bolsonaro em rede nacional de TV nesta terça-feira, 24, deixou autoridades da saúde e gestores de estados e municípios perplexos. Aliado de primeira viagem do presidente, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse nesta quarta-feira, 25, que as decisões de Bolsoanro não vão “alcançar” seu Estado.
    "Quero deixar claro a todos os senhores e senhoras, a todo o meu povo goiano, com muita tranquilidade, mas com autoridade de governador e com o juramento de médico, que não abro mão dele, que as decisões do presidente da República no que diz respeito a área de Saúde e o coronavírus não alcança o estado de Goiás. As decisões de Goiás serão tomadas por mim e por decisões lavradas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo corpo técnico do Ministério da Saúde."
    Primo de Mandetta, o deputado federal Fabio Trad (PSD-MS) defendeu que o ministro mantenha o discurso, mesmo que lhe custe a demissão do governo. “Ele fez um juramento ao se formar, pela ciência e não pela politicagem. Entre Hipócrates e Bolsonaro, pela integridade intelectual de Mandetta, tem de ficar com Hipócrates”, afirmou o deputado ao Estadão/Broadcast.
    Dentro do DEM, há forte pressão para Mandetta não aderir ao discurso de Bolsonaro. Entre outra razões, porque haveria desgaste político de governadores e prefeitos que estão seguindo estas orientações.

  • Margarida Maria Madruga

    Excelente. Obrigada.

  • Alexandre Nunes

    Divaldo P. Franco

    Periodicamente a sociedade é sacudida por sofrimentos coletivos que a fazem estertorar.

    Calamidades de vário tipo tomam conta das multidões e se descobre que os grupos sociais não estão preparados para enfrentar as ocorrências inevitáveis, porque fazem parte do processo evolutivo dos seres.

    Fenômenos sísmicos, cósmicos, guerras, seca, enchentes, pandemias, economia, perseguições e extermínio se abatem sobre o planeta com frequência, e os seres humanos são surpreendidos por essas tragédias, entrando em pânico e gerando mais dificuldades nos relacionamentos, quando deveriam unir-se para melhor solucionar as dificuldades.
    Hoje o mundo padece a contaminação pelo Coronavírus com toda a sua periculosidade, ceifando vidas, enfermando os indivíduos e ameaçando a sociedade terrestre, como ocorreu no passado com outras pandemias de trágica memória.
    Havendo chamado a atenção da humanidade, logo que pôde constatar a capacidade mortífera do vírus, a Organização Mundial de Saúde alertou as nações quando à gravidade da epidemia, tornando-se pandêmica, e sugeriu recursos preventivos que não foram levados a sério. Os países despertaram do letargo, embora alguns ainda estejam em cogitações inúteis, produzindo um grande impacto nas criaturas.
    A humanidade está em crise e se torna indispensável que todos os cidadãos e cidadãs compreendam a seriedade do momento, superando superstições e descrenças, a fim de deterem o avanço da contaminação que ocorre muito fácil através do contato com pacientes, alguns dos quais parecem não ter sintomas em razão do seu sistema imunológico.
    Nenhuma providência recomendada pelas autoridades sanitárias, responsáveis pela preservação da saúde, podem ou devem ser postergadas sob qualquer pretexto.
    Essas providências rápidas e a cooperação dos indivíduos sem reclamações nem antagonismos estão facilitando a não contaminação violenta na China, enquanto o descuido da sua aplicação na Itália e Espanha resultou na tragédia que está ocorrendo.A saúde é fundamental para a existência feliz dos seres humanos e animais. É fator essencial para a paz pessoal e social, facilitando o intercâmbio entre os grupos humanos, comunidades e países.
    Vale, no entanto, também considerar que, embora o trágico da pandemia em tela, as criaturas estão retornando ao lar, que haviam abandonado, à convivência familiar, que praticamente havia desaparecido, à conduta ética, totalmente abandonada em face dos desregramentos morais a que verdadeiras multidões se haviam entregues.
    Desse modo, como medidas preventivas a oração, o retorno à dignidade, a reconstrução da família, o comportamento digno facultam saúde moral e paz espiritual indispensáveis à plenitude.
    Divaldo Pereira Franco
    Artigo de Divaldo Franco, publicado no jornal “A Tarde”, coluna Opinião, em 19/03/2020.
    Divaldo Franco escreve no jornal A Tarde – Coluna Opinião – às quintas-feiras (quinzenalmente).