É lícito pedir para não deixar-nos cair em tentação, mas livrar-nos do mal?

          Pela Doutrina Espírita, sabemos que as tentações fazem parte do processo depuratório do espírito, se fazendo tanto mais fortes nos estágios mais baixos da escala evolutiva.

          Penso que, sob a égide da Suprema Justiça Divina, sendo o Mal consequência de nossos atos, seria incoerente pedir a Deus para negar a Lei de Causa e Efeito e o próprio senso de justiça.


          Por isso, de forma extremamente respeitosa, pergunto: Nos dias de hoje e no estágio de conhecimento em que nos encontramos, seria lícito fazer esse pedido na Oração do Pai Nosso?

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    Antonio Augusto Poli Silva

    O Pai nosso é uma oração que nos foi passada pelo próprio Jesus, modelo por nós a ser seguido conforme nos foi passado no LE questão 625. Ora se Jesus nos recomenda orar assim é porque tem um motivo certo. Na minha opinião é extremamente válido pois deveremos recorrer a Deus e não aos homens nas nossas aflições.

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    D. Henrique M.

    A questão inicial sobre a tentação é apenas mal interpretada.

    Se Jesus ofereceu essa oração, ela tinha e realmente tem a razão de ser.

    Se a interpretação de tentação é somente "algo que não pode", tentação pode ser qualquer coisa de acordo com determinada situação. Até chocolate, sexo de acordo com a situação podem ser consideradas tentações.

    Então são proibidas? Jesus não definiu nada disso. Falou "não deixeis cair em tentação, ou seja, nunca, jamais.

    Pois bem, segundo nosso dicionário, a tentação é um impulso, um desejo imediato de fazer algo, o que significa agir sem pensar. 

    E quando não pensamos e agimos, geralmente é algo que se pudéssemos voltar no tempo pediríamos, não me deixe cair na tentação.

    Poderíamos fazer uma prece assim:  Pai, me ajude a pensar antes de agir, que ao tomar decisões, eu procure e refletir e não agir por impulso, e se algum mal se aproximar de mim, me ajude a não ser atingido por suas influências.

    Acredito ser mais lógico.

    Vi também que há um debate sobre a Justiça divina.

    Todos são criados iguais, simples e ignorantes. Mas aí o aprofundamento nesse tema seria proporcional ao conhecimento de quem tem interesse na questão. 

    O estudo da codificação nesse caso é necessário pra não pegar assunto pela metade, assim evita uma má compreensão e diminui as dúvidas.

    Mas em resumo, milhões de anos são necessários para o princípio vital, sem livre arbítrio, que galga pelos reinos minerais, vegetais, animais se tornar principio inteligente.

    Pois bem, Questão do Livro dos Espíritos: O que é o Espírito. - R: O princípio inteligente do Universo.

    Então, quando o ser, criado por Deus, lá nos primórdios, adquire experiência, conhecimento, informação necessária, ele ganha o "direito" de encarnar em um corpo hominal.

    Então a sua evolução começa no reino hominal, como homem primitivo, e volta a galgar o caminho da experiência, conhecimento, e após milhares de anos, indo e vindo da matéria, adquire inteligência suficiente para habitar em um corpo com o lobo frontal, com o córtex, que hoje é o veículo mais evoluído par ao espírito habitar e ter as suas vivências. (Que já está evoluindo também)

    A questão do sofrimento só é mal interpretada também. Vamos utilizar um exemplo de uma pessoa que bebe exageradamente, seu corpo sofre essas influências externas do álcool, e desenvolve a cirrose, ou, o sofrimento.

    Causa ou efeito? Efeito que vem de uma causa.

    Continuando o raciocínio, a Cirrose (sofrimento) fez a pessoa largar o álcool, mudar sua alimentação, voltou a se exercitar, melhorou o relacionamento com familiares e amigos, suas finanças sofreram uma leve melhora, sua vida melhorou.

    Conseguem enxergar uma benção no sofrimento? Um presente, uma chance, uma oportunidade?

    Ampliem sua visão com a tese reencarnacionista, aonde somos o que fomos e seremos o que faremos.

    E se em uma vida você roubou, espoliou, relegou pessoas à miséria, corrompeu, e viveu o resto de seus dias desfrutando dos prazeres materiais efêmeros?

    O mal que essa pessoa fez gerou uma causa, e consequentemente terão efeitos

    Os efeitos são os sofrimentos, ou, os presentes, bençãos, oportunidades para burilamento.

    Nenhuma escultura se modela a base de pinceladas. O diamante que somos precisa ser lapidado, e ás vezes algumas pancadas são necessárias, podemos não compreender, julgar um castigo, mas no fim é sempre uma bênção que a misericórdia divida manda pra cada um de nós.

    Existe muita injustiça, mas acreditem, nenhum injustiçado

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    Blog LGBT Espírita

    Percebe-se na oração do Pai Nosso duas necessidades de readaptações aos tempos atuais, sendo a primeira o seu primeiro vocativo, Pai Nosso, que situa Deus na posição humana masculina, patriarcal. Esse primeiro vocativo já nos faz pensar, segundo a Doutrina Espírita: Quem é Deus? Qual a sua natureza?

    É compreensível que na época de Jesus Ele falava a um povo endurecido, que tinha no patriarcalismo o fundamento de sua sociedade, então Deus tinha que ser apresentado como tal, mas e hoje, em nossa cultura e nível de conhecimento, ainda precisamos desta visão da divindade?

    E quanto ao livrai-nos do mal, amém; de fato, é contraditório tendo em vista a função pedagógica tanto do 'bem' quanto do 'mal'.