JESUS NA SESSÃO ESPÍRITA DO TABOR (Paulo da Silva Neto Sobrinho)

Está a lei mosaica em desacordo com a nossa época? – Por que temos certeza de que são ordenações de Moisés e não divinas? Pela simples razão de ser totalmente ilógico Deus ter criado leis naturais para que os mortos pudessem se comunicar com os “vivos” e isso ser, ao mesmo tempo, algo detestável a Ele; só mente de fanáticos pode absorver tal ideia.

Sobre essa proibição, veja-se o que Allan Kardec (1804-1869) tece de considerações:

Se a lei de Moisés deve ser tão rigorosamente observada neste ponto, força é que o seja igualmente em todos os outros. Por que seria ela boa no tocante às evocações e má em outras de suas partes? É preciso ser consequente. Desde que se reconhece que a lei mosaica não está mais de acordo com a nossa época e costumes em dados casos, a mesma razão procede para a proibição de que tratamos.

Demais, é preciso expender os motivos que justificavam essa proibição e que hoje se anularam completamente. O legislador hebreu queria que o seu povo abandonasse todos os costumes adquiridos no Egito, onde as evocações estavam em uso e facilitavam abusos, como se infere destas palavras de Isaías: “O Espírito do Egito se aniquilará de si mesmo e eu precipitarei seu conselho; eles consultarão seus ídolos, seus adivinhos, seus pítons e seus mágicos”. (19:3). (KARDEC, 2007d, p. 167-168).

Um bom exemplo de que não cumprem rigorosamente a lei de Moisés é o fato de que não mais mandam seus filhos rebeldes para serem apedrejados pelos anciãos do povo à porta das cidades, como bem recomenda o Dt 21,18-21; não se faz “réu de morte” o que trabalha aos sábados para cumprir o Ex 21,15; por que não se aplica a pena de morte nos casos citados em Ex 21,12-17?

Não há relação alguma entre Espiritismo e feitiçaria – Muitos contraditores não sabem (ou não querem saber?) que “Os Espíritos podem comunicar-se espontaneamente, ou acudir ao nosso chamado, isto é, vir por evocação”. (KARDEC, 2007b, p. 360); em razão disso condenam o Espiritismo, supondo que suas práticas consistem somente de evocações, como se nunca ocorressem comunicações espontâneas. Achamos isso sem sentido algum, pois, por qualquer meio que venham os espíritos – espontaneamente ou atendendo a alguma evocação –, só podem se comunicar porque houve uma permissão de Deus para tal. A não ser que julguemos os homens com poder suficiente de contrariar a vontade de Deus nesse aspecto; então teria sentido a condenação das evocações.

Em nosso livro Os espíritos comunicam-se na Igreja Católica, apresentamos várias provas de que os espíritos só se manifestam com a permissão de Deus. Delas fazemos questão de ressaltar o que disse o espírito André a seu pai, o advogado Lino Sardos Albertine (1915-2005), por meio de uma médium que ele procurara para entrar em contato com seu filho, quando lhe perguntou  por que havia morrido tão cedo: “[...] André disse-nos ter nascido para executar uma missão especial, isto é, fornecer as provas da existência da vida após a morte, de modo que muitas pessoas acreditem mais em Deus e respeitem a sua lei. […] (ALBERTINI, 1989, p. 24-25, grifo nosso). Não fosse a intolerância religiosa, André não teria morrido em vão.

Querem alguns mal-informados detratores estabelecer uma relação direta entre Espiritismo e feitiçaria, mas a resposta a fanáticos desse tipo já foi dada por Kardec:

Acusam-no de parentesco com a magia e a feitiçaria; […] Certamente, a distância que separa o Espiritismo da magia e da feitiçaria é maior do que a que existe entre a Astronomia e a Astrologia, a Química e a Alquimia. Confundi-las é provar que de nenhuma se sabe patavina. (KARDEC, 2007e, p. 31-32).

Só a malevolência e uma rematada má-fé puderam confundir o Espiritismo com a magia e a feitiçaria, quando aquele repudia o fim, as práticas, as fórmulas e as palavras místicas destas. Alguns chegaram mesmo a comparar as reuniões espíritas às assembleias do sabbat, nas quais se espera o soar da meia-noite, para que os fantasmas apareçam. (KARDEC, 2001, p. 70-71).

Longe de fazer reviver a feitiçaria, o Espiritismo a aniquila, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, engrimanços, amuletos e talismãs, e reduzindo a seu justo valor os fenômenos possíveis, sem sair das leis naturais. (KARDEC, 2001, p. 104).

Quando Jesus apareceu a Saulo, este ficou cego por três dias – Custa-nos acreditar que, em pleno século XXI, ainda encontremos pessoas com a capacidade mental de julgar que Espiritismo e feitiçaria são a mesma coisa, dada a quantidade de obras espíritas disponíveis; a propósito, graças à internet, pode-se ler muitas delas de graça.

É por demais curioso o fato de que Jesus, depois do acontecimento, não disse para os discípulos não fazerem o que Ele estava fazendo – conversando com mortos –, mas apenas pediu-lhes que só contassem o ocorrido após sua ressurreição. E por que justamente após a Sua ressurreição? Resposta: justamente para comprovar a existência da comunicação dos espíritos com os vivos, e mostrar que a Sua presença, depois da morte, era semelhante à de Moisés e à de Elias, ocorridas no momento da “transfiguração”. Veja-se que a própria manifestação de Jesus, após a Sua morte física, já prova que os mortos podem se comunicar: “Ainda a eles, apresentou-se vivo depois de sua paixão, com muitas provas incontestáveis: durante quarenta dias apareceu-lhes e lhes falou do que concerne ao Reino de Deus” (At 1,3). “Apresentou-se vivo”, é claro, porquanto a morte só atinge ao corpo físico; jamais ao Espírito imortal. Lembram-se de quando ele apareceu a Saulo? O intrépido perseguidor dos cristãos ficou cego por três dias, demonstrando que a luz produzida pelo perispírito de Jesus O qualifica como um espírito da mais elevada estirpe.



                Paulo da Silva Neto Sobrinho 

Referências bibliográficas:

Bíblia de Jerusalém, 3ª impressão. São Paulo: Paulinas,1987.

ALBERTINI, L. O além existe. São Paulo: Loyola, 1989.

KARDEC, A. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 2007e.

KARDEC, A. O Céu e o Inferno. Rio de Janeiro: FEB, 2007d.

KARDEC, A. O livro dos médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 2007b.

KARDEC, A. O que é o Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2001.
NETO SOBRINHO, P. S. Os espíritos comunicam-se na Igreja Católica. Divinópolis, MG: GEEC, 2012.

Sobre o Autor:

É membro da Rede Amigo Espírita, natural de Guanhães, MG. Bacharel em Ciências Contábeis e em Administração de Empresas pela Universidade Católica-MG (PUC-BH). Aposentou-se como Fiscal de Tributos pela Secretaria da Fazenda-MG.
Adepto do Espiritismo desde Julho/1987; atualmente frequenta o Movimento Espírita em Belo Horizonte, MG.
É articulista de alguns periódicos espíritas, entre eles, pode-se citar, a revista 
Espiritismo & Ciência
, com vários artigos publicados.
Na Web, vários sites espíritas publicam alguns de seus textos, entre eles: 
http://www.apologiaespirita.org/
Outros artigos do autor:

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