Esta última semana aconteceu um fato curioso conosco. Passando por um estabelecimento comercial de produtos hortifrutigranjeiros, vimos uma jaca em exposição para venda. Como há tempos não saboreávamos a fruta, pensamos em adquiri-la, incentivados pela lembrança de seu cheiro e sabor que resultava em “água na boca”. Mas para nossa decepção, não estava madura e demandaria tempo para que isso se desse.

Lamentando a oportunidade perdida, e sem comentários a respeito, seguimos com as atividades do dia a dia, atravessando a semana. Coincidentemente, no sábado último recebemos um telefonema de nossa irmã oferecendo metade de uma jaca madura, já que a fruta era imensa. Da surpresa ao saborear foi só um passo. Uma delícia.

Mas vamos ao que realmente interessa.

Você, caro amigo que pacientemente lê este ensaio, certamente “viu”, mentalmente, uma jaca. Imaginou uma jaca, madura ou não, ou ainda no pé, grande ou pequena, e talvez imaginou até mesmo o visgo grudento que a fruta libera. Vendo-a mentalmente até pode ter emitido sua opinião a respeito: gosto, ou não gosto, vou atrás de uma, ou ainda duvidou da qualidade de nosso gosto”. Mas uma coisa é certa: você visualizou uma jaca.

Pois é, essa visualização é chamada de “Tela Mental” pelos Espíritos que nos instruem através das páginas espíritas. As ideias são ilustradas por imagens mentais, e a partir destas trabalhamos o pensamento nas mais diversas direções, a ponto de eliciar desejos e respostas do organismo como a água na boca, por exemplo.

Em todos os instantes estamos trabalhando com imagens na Tela Mental. Dos momentos de lazer ao trabalho profissional, das atividades domésticas ao momento de estudo sério, enfim, o tempo todo instalamos em nossa Tela Mental as imagens correspondentes às nossas ideias e intenções, sempre de acordo com nossos valores íntimos.

Acontece que o pensamento gerado é irradiado para fora de nossas limitações perispirituais e físicas, invadindo o espaço comum e movimentando-se de acordo com as características e finalidades que o geraram. De nós para os outros, e dos outros para com a gente, enovelando encarnados e desencarnados.

Com isso podemos influenciar e sermos influenciados, conscientes ou inconscientemente, para o bem e para o mal.

Os espíritos mal intencionados aproveitando de nossa invigilância pelos mais diversos motivos, emitem imagens em nossa Tela Mental, buscando uma sintonia com nossas tendências e inclinações psicológicas, na tentativa de fixar o nosso pensamento no deles. Como nos ensina Allan Kardec em O Livro dos Médiuns, como leve influenciação a princípio, que em se desenvolvendo vai resultar em processos obsessivos de difícil solução.

Como já experimentamos, desde as reencarnações mais longínquas, todo tipo de vícios e paixões, temos como que registrado no íntimo o prazer alcançado com a satisfação deles, e facilmente, se não estivermos bem estruturados espiritualmente, podemos nos deixar seduzir e retroagir para condições menos felizes que resultarão em sofrimento e dor.

Pode ocorrer, no entanto, que a imagem fixada em nossa Tela mental não seja propositadamente impressa por outra criatura, mas ser fruto de ideias flutuantes que invadem o espaço em que estivermos. Porém, nem por isso estamos livres de futura perturbação consciente, porque bastará manter a ideia e em breve espíritos afinados com ela a identificam em nós e se aproximam ajudando a fixá-la.

Anota Mateus em seu Evangelho, no versículo quarenta e um do capítulo vinte e seis, a orientação do Senhor Jesus: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, pois que esta deve ser nossa conduta permanente, a de verificar que tipos de imagens temos em nossa Tela Mental, não sendo necessário buscarmos a origem dela, mas sim a sua substituição imediata caso não esteja afinada com os valores superiores exarados do Evangelho do Senhor Jesus.

A vigilância contínua é fruto de treino e dedicação, e a prece é o mecanismo que eleva nossas vibrações espirituais nos protegendo naturalmente da sintonia com os pensamentos inadequados ao nosso espírito.

Portanto, caro leitor, seja uma jaca, ou qualquer outro indutor de imagens mentais, está em nosso poder “mudar de canal” mentalmente quando negativos, e introduzir outros pensamentos mais adequados ao nosso fortalecimento espiritual, para não só dominarmos nossos vícios e paixões infelizes, mas para construirmos algo positivo para nosso espíritos, pois como nos ensina o Benfeitor André Luiz, no livro Nosso Lar: “o pensamento é o alicerce de todas as nossas construções”.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

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