A ÚLTIMA CAÇADA ! ( Os animais tem alma?)

        João Mendonça era caçador famoso. Tinha coragem e paciência indispensáveis ao ofício. Para ele, o importante era não errar o tiro, pois uma onça ferida se torna ainda mais perigosa. Já errara o tiro uma vez e era bom não abusar da sorte. Nesse extato momento João está se preparando para mais uma nova caçada. 

       

        Quando encerrou a colocação das armadilhas, João parou para comer. Calculou que devia ser meio dia, mas era difícil saber com precisão, pois o sol não passava pela copa das árvores. Depois de dar água ao cavalo, o caçador resolveu continuar seguindo os rastros da onça.

        O cavalo andava devagar, por causa do chão irregular e das árvores caídas. Atento, João ouvia os mínimos ruídos da mata, provocados por pássaros e pequenos animais (...).

        Estava entregue a reflexões quando o inesperado aconteceu: O cavalo pisou num buraco no chão e, subitamente projetou-se para a frente, lançando o cavaleiro no ar. João deu uma cambalhota antes de cair no solo, batendo com as costas num toco de árvore. O choque fez com que a espingarda disparasse, provocando uma ruidosa revoada de pássaros e assustando o cavalo que saiu a galope pelo mesmo caminho por onde tinha vindo.

     O caçador tentou se levantar,  mas a dor não permitiu. Ele estava deitado no chão, com a arma presa às costas, e não conseguia se mexer. "Acho que quebrei todas as costelas", pensou, tentando não entrar em pânico. Naquele meio de mato, ele nunca seria socorrido. Olhou para os raios de sol que penetravam em meio aos galhos das árvores e viu um bando de macacos que passavam guinchando violentamente, ainda assustados com o tiro. 

        De repente, um silêncio tomou conta do lugar, um silêncio tão intenso que o caçador conseguia ouvir o ruído de sua respiração ofegante. Foi quando a vegetação à sua frente se abriu e a onça apareceu, era enorme e caminhava calmamente na direção do homem caído.

        João Mendonça sentiu um frio percorrer sua espinha, era a maior onça que havia visto em sua vida. Tentou virar o corpo, para livrar a espingarda, mas a dor não permitiu. E foi assim, indefeso, que assitiu à aproximação do animal.

        O caçador percebeu que tremia incontrolavelmente. Fechou os olhos e pensou com tristeza na mulher e nos filhos, e também em sua fazenda em Soledade, onde o milho, apesar da pouca chuva, estava bonito e daria uma boa colheita - que ele não iria ver. Não tinha coragem nem de abrir os olhos, apenas aguardava o ataque da onça.

        Passaram-se alguns segundos, que lhe pareceram intermináveis. Num último arranque de coragem, abriu os olhos e viu o bicho tão próximo de seu rosto que podia sentir sua respiração. As manchas na pele do animal eram irregulares e bonitas. Mas foi outro detalhe que deixou João ainda mais gelado: uma das orelhas da onça era defeituoso, como se tivesse sido estraçalhada por um tiro.

        Lágrimas brotaram dos olhos do caçador e ele prendeu a respiração quando a onça o cheirou demoradamente e emitiu um rugido que alvoroçou ainda mais os macacos e pássaros da mata. Em seguida, ela se virou e saiu caminhando com a mesma calma com que havia chegado. Antes de desaparecer na vegetação, a onça inda olhou para trás - e o caçador seria capaz de jurar que o bicho tinha um ar vitorioso.

        (...) No fim da tarde, quando a população do vilarejo já havia decidido pedir ajuda à polícia para procurar João, eis que ele aparece na entrada da cidade, andando com dificuldade e apoiado na espingarda. Todos correram para amparar o homem que gemia muito.

        Enquanto era atendido, o caçador contou ao coronel Borges o que tinha acontecido. Avisou tanbém que aquela tinha sido a sua última caçada.

        O coronel, porém, não se conformava com o fato de a onça ter vencido o duelo e continuar viva:

        - Mas João,  ela vai continuar caçando o meu rebanho

      e pode até ameaçar as pessoas da cidade. E não há ninguém aqui com coragem para caçá-la.

        - Não se preocupe, coronel. Eu tenho certeza que ela não vai atacar de novo. Tudo o que ela queria era acertar as contas com o caçador que atirou nela há anos...

        - Pois é, João, mas todo mundo sabe que uma onça ferida fica ainda mais perigosa. Você vai nos deixar na mão?

        - Fique descansado coronel. Essa onça não vai mais aparecer.

        - Como é que você tem tanta certeza, meu Deus?

        - Não sei explicar, coronel. Mas pode acreditar em mim,: vocês estão livres dela. Eu vi isso quando ela me olhou, antes de entrar no mato: ela venceu o duelo comigo e poderia até ter me comido inteiro. Mas não o quis. Preferiu ir embora.

(Fernando Portela. Sete faces da bravura. São Paulo, Moderna, 1993).

Sugestão de leitura complementar: "A questão espiritual dos animais'".  Autora dra, Irvênia Prada. Editora FE.

"Os animais tem alma?" Autor, Ernesto Bozzano . Editora FEB.

Livro dos Espíritos de Allan Kardec. Cap. "Os animais e o Homem".

 

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Comentário de Adão de Araujo em 30 outubro 2012 às 13:05

Oi Veveh. Fico feliz em saber que você gostou  da história. Muito grato por sua generosidade, amiga. Abraços.

Comentário de Veveh em 30 outubro 2012 às 9:55

Que conto bonito amigo! parabéns pela escolha!

Comentário de Adão de Araujo em 24 outubro 2012 às 23:00

Oi amigo Jefferson P.B.Tenorio. Excelente idéia usar esse texto como material de apoio para as escolinhas de Evangelização.

Um grande abraço prá você amigão.

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