A Doutrina Espírita como fiel reveladora dos Ensinos de Jesus, a orientar e iluminar consciências para a vivência evangélica em sua pureza, vem-nos soerguendo de maneira vigorosa, da ignorância para a lucidez, através da saturação de valores que já não encontram ressonâncias em nosso mundo íntimo.

Nesse sentido, quando mais uma vez a humanidade se levanta para rememorar os fatos que  levaram á crucificação de Jesus, gostaríamos de resgatar uma pérola da literatura espírita, da autoria de Humberto de Campos, pela psicografia de Chico Xavier, cuja mensagem intitulada “O Discípulo Ambicioso”, inserida no livro Lázaro, vem trazer-nos em detalhes, a trama envolvida e articulada pelos representantes do sinédrio, notadamente Caifás envolvendo Judas, o discípulo invigilante.

Segundo Humberto de Campos, resgatando registros do mundo espiritual, Judas, embora obcecado pela ambição amava Jesus e queria apressar a fundação de seu Reino entre os homens. A metodologia do Mestre, estribada na concórdia, na tolerância, na paciência e na esperança não efetuaria as reformas necessárias, segundo o discípulo, ainda escravizado ás ilusões do poder temporário dos homens.

Buscando resolver os problemas do Senhor, Judas irrefletidamente busca Caifás, sumo-sacerdote do Templo, objetivando acionar as forças políticas do seu tempo, através da influência prestigiosa dos sacerdotes e ali estabelecem um acordo para salvar o Messias Nazareno.

Cabe destacar que, em outra mensagem, neste mesmo livro, Humberto de Campos descreve com detalhes sobre a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, nos dias que antecedem a páscoa.

A cidade já O conhecia e o povo Judeu suspirava por um Messias que o libertasse dos opressores.

Na entrada gloriosa da cidade, alinharam-se fileiras de populares, para saudar o Messias e seus discípulos. Os judeus mais destacados, patriarcas, faziam sinais a Pedro, Filipe ou a João e discretamente perguntavam quando o Jesus iria se manifestar e mostrar seu plano de libertação do povo Judeu. E os discípulos respondiam com atitude orgulhosa que brevemente o Messias mostraria o plano de suas reivindicações.

Jesus recebia com olhar melancólico as manifestações, ao contrário dos apóstolos que se sentiam embriagados pelo efêmero triunfo.

Reunindo intimamente com os discípulos, Jesus estabelece seu plano divino que naturalmente era diametralmente oposto ao plano dos sacerdotes do templo. Fora do cenáculo, onde se encontrava Jesus o povo aguardava informações do colégio apostólico.

Após a reunião, seis discípulos, mostrando desapontamento em suas fisionomias, procuram os intelectualistas de Jerusalém que os indagam sobre o plano de Jesus. E, a medida que os discípulos apresentavam as respostas aos vaidosos filhos de Jerusalém, informando que o plano de Jesus era cumprir, acima de tudo, a Vontade de Deus, longe de qualquer disputa com os homens, surgiram risos e protestos e retraíram-se desapontados.

A partir deste instante, a perseguição do Sinédrio tomou vulto e foi exatamente neste clima que Judas, de maneira invigilante, busca os sacerdotes, na pessoa de Caifás, que habilmente o iludiu quanto á tomada do poder por Jesus.

Resgata-nos Humberto de Campos:

“ E o discípulo, em atitude de homem escravizado á ilusão, aguardava Caifás, que não se fez esperar muito tempo. Na sala enorme, iniciaram discreta conversação. O sumo-sacerdote, após abraçá-lo com fingida simpatia, observou, em tom cordial:

– Com que então o Templo tem a felicidade de contar com a sua valiosa colaboração!

– Ah! sim, é verdade – exclamou o leviano aprendiz, sentindo-se envaidecido.

Caifás, consciente da própria importância na administrarão de Jerusalém, voltou a dizer:

– Precisávamos de alguém, com bastante coragem, para salvar o Messias Nazareno.

– Oh! sim – disse Judas, contente –, compreendo a situação.

– De fato – prosseguiu o chefe do Templo – necessitamos de um rei que nos restaure a liberdade política e, em boa hora, os galileus nos oferecem tal oportunidade. Aliás, tenho muito prazer em tratar com a sua pessoa, homem providencial na realização, que não perde tempo com palavras ociosas. Tentei abordar indiretamente outros homem daqueles que acompanham o Nazareno, porém, todos eles, ao que me pareceu, são esquivos e indecisos.

Creia, no entanto – e elevou muito o diapasão de voz, impressionando o interlocutor pela, segurança verbal –, creia, porém, que o seu gesto, anuindo aos nossos propósitos, apressará a vitória do Messias, conferindo elevados títulos aos seus companheiros. Terão eles destacada posição de domínio e sentar-se-ão na assembléia mais alta do povo escolhido. É tempo de libertação e, certo, Jesus é o rei que Jeová nos envia.

Judas não cabia em si mesmo, tal o contentamento que lhe tornava o coração. Preocupado, no entanto, com a situação do Profeta, a quem tanto devia, perguntou, humilde:

– E o Mestre?

Dissimulou Caifás os sentimentos sinistros que lhe vagavam na alma e respondeu em voz

quase doce:

– Compreenderá, certamente, a necessidade das medidas aparentemente rigorosas. O Mestre, por exemplo, segundo o plano estabelecido, será preso, por uma questão de segurança pessoal. Será detido, a fim de que se coloque a salvo de qualquer incidente desagradável, enquanto nos valeremos da grande aglomeração de patriotas na cidade para proclamar a nossa independência. Liquidada a vitória inicial, com a submissão das autoridades romanas, coroaremos o Messias, que ostentará o cetro do poder.

O discípulo exultava. Conhecedor antigo dos efeitos da lisonja nos corações indisciplinados e invigilantes, Caifás continuou:

– O meu prestimoso amigo, até que se resolva a situação em definitivo, chefiará os companheiros e receberá as homenagens que lhe são devidas. Tornará o lugar do Messias, provisoriamente, e ditará ordens, até que êle próprio, com a garantia desejável, possa assumir o poder.

Satisfeitíssimo, o visitante indagou :

– E que devo fazer inicialmente?

O sacerdote perspicaz respondeu com naturalidade :

– Não temos tempo a perder. Formaremos a documentação necessária.

– Como devo fazer? – perguntou ainda o aprendiz enganado.

– Chamarei as testemunhas – esclareceu o sumo-sacerdote – e, perante nós, responderá afirmativa ente a todas as interrogações que lhe forem dirigidas. Não precisará informar-se quanto á particularidade alguma. Bastará responder “sim” a todas as perguntas formuladas.

Posso dispor de sua lealdade?

Judas não hesitou. Estava decidido a seguir as instruções, de modo incondicional. Mais alguns minutos e organizou-se pequena assembléia, com juízes e testemunhas. Dois escribas perfilaram-se para fixar as declarações. Formada a reunião, o sumo-sacerdote chamou o denunciante e iniciou o interrogatório:

– É discípulo de Jesus, o Nazareno? Confiante, Judas respondeu:

– Sim.

– Vem fazer declarações ao Sinédrio, como judeu convicto da santidade da lei?

– Sim.

– Afirma que o Messias Nazareno pretende ser o rei de Israel?

– Sim.

– Assegura que ele promete a revolução contra o poder de César e a autoridade de Ântipas?

– Sim.

– É verdade que ele odeia os romanos? – Sim.

– Deseja, de fato, aproveitar a Páscoa, para começar a rebelião?

– Sim.

– Declarará a emancipação política de Israel, imediatamente?

Sim.

– Promete lutar contra quaisquer obstáculos para derrubar as combinações políticas existentes entre Roma e esta província, no sentido de coroar-se rei?

– Sim.

De posse das declarações comprometedoras, Caifás interrompeu o inquérito, mandou que Judas esperasse na ante-sala e iniciou providências junto de romanos e judeus, para que Jesus fosse preso, imediatamente, como agitador político e explorador da confiança pública. Em breves horas, um grupo de soldados postava-se nas vizinhanças do Templo, à espera da ordem final, e Caifás, compensando Judas com algum dinheiro, fez sentir a necessidade de sua orientação na prisão inicial do Messias, assegurando que, em breve tempo, se cumpriria a redenção de Israel.

O discípulo invigilante foi à frente de todos e encaminhou a triste ocorrência.

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E, quando os fatos marcharam noutro rumo, debalde o Iscariote procurou avistar-se com as autoridades, tão pródigas em promessas de poderes fascinantes. Findo o processo de humilhações, encarceramento, martírio e condenação de Jesus, o aprendiz infiel conseguiu encontrar o sumo-sacerdote e alguns intérpretes da lei antiga, em animada conversação no Sinédrio. Em lagrimas, Judas rogou que fosse interrompida a tragédia angustiosa da cruz, e sentindo, tarde embora, que fora vítima da própria ambição, devolveu as moedas de prata, exclamando, de joelhos:

– Socorrei-me! Cometi um crime, traindo o sangue inocente!... A vaidade perdeu-me, tende compaixão de mim!...

Os interpelados, porém, como velhos representantes da ironia humana, responderam simplesmente :

– Que nos importa? Isso é contigo...”

 

Humberto de Campos – Psicografia de Chico Xavier – extraído do livro Lázaro Redivivo – FEB.

Eurípedes Mariano.

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Comentário de DEDÉ E ELISANGELA. em 6 abril 2013 às 9:57

.....beleza.O EXERCÍCIO DA LEITURA PARA UM BOM ENTENDIMENTO.SÓ HÁ UM APROFUNDAMENTO DOUTRINÁRIO COM LEITURA E MÍDIAS DIVERSAS.OBRIGADO A NOS SUGERIR.FAZ MISTER A SUA DEDICAÇÃO.COMO É BELO O BENFAJEZO.DEUS,BRIGADO PELA.JESUS NOS GUIE E ILUMINE, O MESTRE POR EXCELÊNCIA.......DEDÉ/FORT-CE

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