Foi em 1854 que Allan Kardec ouviu, pela primeira vez, falar das mesas girantes. Um magnetizador, o sr. Fortier, velho conhecido de Kardec, foi quem o informou a esse respeito.
«Já sabe da singular pro-priedade que se acaba de descobrir no magnetismo? Parece que já não são somente as pessoas que podem magnetizar-se, mas também as mesas, conseguindo-se que elas girem e caminhem à vontade». (Kardec, A., Obras Póstumas, Rio: FEB, 1964. p. 237).
Allan Kardec ponderou que tal facto lhe parecia inteiramente possível, visto o fluido magnético poder atuar também sobre os corpos inertes e fazê-los mover-se. Mas Kardec, passado algum tempo, encontrou-se novamente com o sr. Fortier, e este disse: «Temos uma coisa muito mais extraordinária: não só se consegue que uma mesa se mova magnetizando-a, como também que fale. Interrogada ela responde.» (Opus cit. p. 237)
Neste ponto Kardec mostrou-se céptico, dizendo-lhe que só acreditaria se visse o fenómeno. Para ele era um absurdo atribuir-se inteligência a uma coisa puramente material.
No começo de 1855, encontrou-se com o seu amigo sr. Carlotti que lhe falou longamente acerca das mesas girantes, acrescentando uma interpretação para o fenômeno: «a intervenção dos espíritos». Mesmo assim Kardec manteve-se incrédulo.
Em Maio de 1855, Kardec teve a oportunidade de, pela primeira vez, presenciar o fenômeno das mesas girantes. Assistiu, então, a alguns ensaios de escrita direta numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Imediatamente percebeu que por detrás daquele fenômeno situava-se algo muito importante, e resolveu estudá-lo a fundo.
Posteriormente, Kardec relacionou-se com a família Baudin, que residia então à rua Rochechouart, tendo sido convidado para assistir às sessões semanais que se realizavam em sua casa. Eis como ele se referiu a essas sessões:
«(... ) Os médiuns eram as duas senhoritas Baudin, que escreviam numa ardósia com o auxílio de uma cesta, chamada carrapeta e que se encontrava descrita em «O Livro dos Médiuns». Esse processo, que exige o concurso de duas pessoas, exclui toda a possibilidade de intromissão das ideias do médium. Aí tive o ensejo de ver comunicações contínuas e respostas a perguntas formuladas, algumas vezes até a perguntas mentais, que acusavam, de modo evidente, a intervenção de uma inteligência estranha». (Opus cit. p. 240).
Segundo Kardec, os assuntos tratados eram frívolos: «Os assistentes ocupavam-se, principalmente, de coisas respeitantes à vida material, ao futuro, numa palavra, de coisas que nada tinham de realmente sério; a curiosidade e o divertimento eram os motivos capitais de todos. Dava o nome de Zéfiro o espírito que costumava manifestar-se, nome perfeitamente acorde com o seu carácter e com a reunião» (Opus cit. p.240).
Foi nessas reuniões que Kardec começou os seus estudos sérios de espiritismo, «menos, ainda, por meio de revelações, do que de observações. Ele aplicou rigorosamente o método científico positivo em suas investigações e declarou taxativamente: «Compreendi, antes de tudo, a gravidade da exploração que ia empreender; percebi, naqueles fenômenos, a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução que eu procurara em toda a minha vida. Era, em suma, toda uma revolução nas ideias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspecção e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir». (Opus cit. p. 241).
Logo Allan Kardec percebeu que os espíritos nada mais eram do que as almas do homens, não possuindo nem a plena sabedoria, nem a ciência integral: «Conduzi-me pois com os espíritos, como houvera feito com homens. Para mim, eles foram, do menor ao maior, meios de me informar e não reveladores predestinados» — diz Kardec. (Opus cit. p. 241).
Finalmente, em 1857, após minuciosa pesquisa, ele deu a lume a sua primeira obra sobre o que houvera investigado: «Foi assim que mais de 10 médiuns prestaram concurso a esse trabalho. Da comparação e da fusão de todas as respostas, coordenadas, classificadas e muitas vezes remodeladas no silêncio da meditação, foi que elaborei a primeira edição de «O Livro dos Espíritos» entregue à publicidade em 18 de Abril de 1857». (Kardec, A. - Opus cit. p. 243).

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