As três velas

Richard Simonetti

Na igreja, três velas conversavam. Disse a primeira: – Sou a Paz. Estou cansada. As pessoas não se empenham por manter-me acesa. Vivem tensas e nervosas. Negam-me o oxigênio da reflexão.
Disse a segunda: – Sou a Fé. Infelizmente, sou supérflua para as pessoas. Não estão interessadas em dar um sentido religioso à existência. Negam-me o oxigênio da espiritualidade.
Disse a terceira: – Eu sou o Amor! As pessoas ignoram-me porque só conseguem pensar nelas mesmas. Não enxergam nem mesmo quem está ao seu lado. Negam-me o oxigênio da solidariedade.
Em breves instantes, a luz que havia nelas bruxuleou e morreu, fazendo-se a escuridão na igreja. Nesse instante entrou um menino trazendo uma vela acesa, chama forte e firme. Com ela reacendeu as três, que voltaram a refulgir. E disse-lhes: – Fiquem tranquilas. Sempre virei reanimá-las.
Esta singela história reporta-se às quatro bases que sustentam nosso equilíbrio e nos proporcionam condições para vivermos felizes. As três primeiras, como já enunciei, amigo leitor, são a Paz, a Fé e o Amor.
A Paz é o tempero da felicidade. Impossível viver feliz sem ela. Mesmo que tenhamos a satisfação de todos os nossos desejos, se não tivermos Paz, nada disso terá sentido. Em face de nossas limitações e fraquezas, é difícil sustentar a Paz diante das atribulações humanas. Conseguimos por algum tempo, mas a chama logo bruxuleia e surgem tensões, angústia, depressão…
A Fé é nossa defesa diante da adversidade. É complicado enfrentar os embates da vida sem a certeza da existência de um Poder Supremo que nos criou, que nos sustenta, que nos conduz. O problema é que a Fé situa-se por suave perfume para as horas floridas. Se surgem espinhos no jardim da existência, ela logo arrefece. Pretendemos que Deus atenda às nossas expectativas, mas raramente correspondemos às expectativas de Deus. Não entendemos as respostas do Céu às nossas rogativas e achamos que Deus nos abandonou. ¬Ledo engano! Deus nunca nos abandona! A todos estende mão complacente, mas será que estamos estendendo as mãos para o Senhor?
O Amor é a Lei Maior do Universo. Exprime-se como um exercício de solidariedade, que inspira a derrubada das barreiras de nacionalidade, raça e crença, para que sejamos na Terra uma grande família, feliz e ajustada. Amar, portanto, em sua expressão maior – trabalhar pelo próximo – é o alento da vida. Haverá tônico mais poderoso, a sustentar-nos o bom ânimo, do que as boas ações, quando nos vinculamos ao serviço do Bem, empenhados em servir? Haverá alegria que se compare a que sentimos quando visitamos o enfermo, atendemos o necessitado, harmonizamos a família? Isso tudo é Amor!
O problema é que as pessoas ainda não entendem o que é amar. Pensam que amar é sufocar o ser amado com exigências, sustentar o desejo de comunhão sexual, edificar um céu particular de egoísmo a dois. Falso amor esse, que não se sustenta, que se desgasta com a convivência, a rotina, os desentendimentos, gerando frustrações e angústias.
Percebe-se que a Paz, tempero da felicidade, a Fé, armadura da alma, e o Amor, sustento da Vida, não estão consolidados em nossa alma. São frágeis chamas que se apagam facilmente, ao vento das paixões, dos vícios, dos interesses imediatistas, dos dissabores…
Por isso é tão importante o mês de dezembro, em que somos visitados por celeste menino que traz uma vela muito especial, de chama poderosa. Com ela reacende as demais para que a Paz, a Fé e o Amor renasçam em nós.
O nome do menino, todos sabemos: Jesus. A vela sublime, maravilhosa, é a Esperança. É por isso que nas comemorações do Natal nos sentimos mais tranquilos, mais inclinados à atividade religiosa, mais sensíveis aos apelos da solidariedade, convictos de que podemos construir um futuro melhor.
O grande desafio que o Natal nos propõe é o de luta ingente contra nossas imperfeições para que a Paz, a Fé e o Amor deixem de ser meras esperanças, a cada Natal, convertendo-se em chamas perenes a iluminar e aquecer a nós e àqueles que nos rodeiam. Então os Sinos de Belém repicarão na festa maior.
O nascimento de Jesus em nossos corações.

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