Você com certeza já ouviu, ou falou, a famosa frase “Não manda eu me acalmar!”. No calor de uma discussão a pior coisa que pode ser feita é pedir para algumas pessoas se acalmarem. Isso acontece por dois motivos: é difícil mesmo controlar as emoções. Elas ocorrem automaticamente e alteram o funcionamento do corpo inteiro antes mesmo de termos consciência do que está acontecendo.

Além disso, dependendo de como é dita, a ordem para se acalmar pode ser interpretada como um ato hostil, o que só faz a raiva aumentar. Mas antes que alguém mande você ficar calmo novamente, é bom entender a importância de controlar as emoções – principalmente as negativas.

Já é um fato muito bem estabelecido que aquelas pessoas que são mais nervosas, agressivas e irritadas (a chamada personalidade tipo A), bem como as com mais tendência a emoções negativas como tristeza e ansiedade, têm risco aumentado para infartos, hipertensão, alergias e menor expectativa de vida.

Só por isso já valia a pena tentar se controlar. Só que tem mais: todo mundo sabe também que hostilidade gera hostilidade, violência gera violência e assim por diante. Então, quem responde agressivamente ao ambiente, contribui para que seu entorno seja agressivo, criando um círculo vicioso.

Como nossas reações são instintivas e automáticas não é possível evitá-las, mas existem algumas maneiras de lidar com elas. Uma vez que tomamos conhecimento do que estamos sentindo, podemos usar a distração: a velha estratégia de contar até dez é uma que desvia o foco da situação e reduz a intensidade emocional.

É a mais fácil de adotar em situações intensas, mas tem efeito de curta duração. Outra forma é não demonstrar a raiva, a tristeza ou o que for: reduzir a expressão das emoções engana o cérebro, e também diminui o sentimento – o problema é que pode ser bem difícil de se segurar em determinadas ocasiões.

No meio do caminho entre ter a emoção e expressá-la, existe uma etapa de avaliação da situação: depois que uma estrutura bem primitiva do nosso cérebro, chamada amígdala, identifica um estímulo qualquer, ela analisa seu conteúdo e prepara o corpo para reagir. Embora em grande parte isso se dê de forma inconsciente, a amígdala também manda informações para o córtex pré-frontal, região do cérebro responsável por tarefas mais sofisticadas como autocontrole.

Tomamos então consciência do que estamos sentindo, e abre-se uma janela para fazermos uma reavaliação cognitiva do contexto. Essa é a forma mais estudada de controle emocional e uma das que apresenta melhor relação custo x benefício.

Uma meta-análise de quarenta e oito estudos de neuroimagem sobre a reavaliação cognitiva comprovou que quando as pessoas identificam a situação que lhes gerou uma emoção negativa e tornam-se conscientes dos pensamentos que estão alimentando essas emoções, podem ser capazes de ativamente gerar pensamentos alternativos, reinterpretando a situação com outro ponto de vista, menos carregado.

Quando fazemos isso, o estudo mostrou, regiões do córtex (pré-frontal e também temporal) atuam ativamente sobre as amígdalas cerebrais, modulando sua resposta. Reduzindo a raiva, por exemplo. O melhor é que essa estratégia vale para qualquer emoção. Se estamos muito tristes com algo, se nos percebemos exageradamente ansiosos etc., podemos parar para pensar qual é a situação que estamos enfrentando, e após identificar quais os pensamentos que têm girado em nossa mente, forçar-nos a reavaliar a situação, com pensamentos alternativos.

Sim, nem sempre é fácil. E claro, não se trata de uma panaceia para todos os problemas emocionais. Mas vale a pena tentar, pois como disse Vinícius de Moraes, a não ser que você queira compor um samba, “É melhor ser alegre que ser triste”.

Postado por Fernando rossit

AUTOR: DANIEL MARTINS DE BARROS é psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq-HC), onde atua como coordenador médico do Núcleo de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (Nufor). Doutor em Ciências e bacharel em Filosofia, ambos pela Universidade de São Paulo (USP).

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