A mídia tem nos mostrado com frequência a violência que vivenciamos, e o estupro tem se tornado cada vez mais noticiado, onde além de abranger contextos complexos como estupro de menor que envolve pedófilos, ou estupro de incapaz, também tem o estupro onde variam as vitimas em suas idades e sexo ou estupradores de diversas idades e sexo, e hoje o “estupro coletivo” tem se destacado.
Esse artigo não tem com intuito esclarecer os motivos do ato, a complexidade de cada individuo seja ele a vitima ou o algoz nos levam a caminhos sempre com pertinência em histórias do passado com reincidências no presente que por fim complicam seu futuro.
Como espirita a afirmativa “nada ocorre por acaso” nos dá uma visão mais passiva e objetiva do que ocorre dentre tantas ações violentas que nos cercam.
Poderíamos adentrar aos pensamentos que a vitima ou o algoz emitem e atraem para si os obsessores, e nesse prisma e enfocado a mídia que hoje propaga inversões de valores formando na mente dos espectadores uma psicoesfera que pode (e vai) atrair seus afins. Para exemplificar esse enfoque citamos da obra “Psicologia e Espiritualidade” do psicólogo espírita Adenauer de Novais :
“Os valores sociais, fortalecidos pela mídia que propagandeia a vulgaridade, tornam o uso da sexualidade quase como uma obrigação a que todos têm que se submeter.
Não há qualquer preocupação com idade, nível evolutivo, momento de vida, pois têm que usá-la a qualquer preço. A compulsão para o uso passa a ser moda, e motivo de preocupação para quem não tenha a libido à flor da pele, pois se sentirá diferente dos demais.[...] O modismo e os exageros na sexualidade promovem o festival de fetiches ou artefatos para promover o prazer a qualquer custo, sem a preocupação quanto às interferências no psiquismo do próprio indivíduo. O fetiche, enquanto instrumento de ampliação do prazer, passa a se tornar, com o tempo, imprescindível e determinante para que se alcance a liberação do desejo compulsivo, até que, mais tarde se torne também indispensável, levando o indivíduo a novas e cada vez mais alucinantes aventuras.”( NOVAES, Cap. Sexualidade, p. 149.1999 ).

Porém... Atribuir somente à mídia culpa no incentivo a cultura do estupro seria uma hipocrisia de nossa parte, pois sabemos que embora tenha participação fundamental na implementação diversas (des)informações em nossas mentes, alterando os valores e indiretamente nos entregando a obsessores, devemos levar em conta que somos reencarnantes, e que temos em nossos perispíritos cicatrizes ainda latentes das ultimas encarnações.
Muitos estudiosos sobre estupro partem de um principio “social”, destacamos nesse contexto os autores Thornhill e Palmer que lançaram seu livro: "Uma História Natural do Estupro" que defendem que o estupro pode ser considerado intrínseco ao comportamento humano. Não que isso seja algo aceitável ou que atenue o comportamento, ressaltam. Os autores partem de uma premissa básica: o estupro pode resultar em gravidez. Sendo assim, nas origens da humanidade a agressão pode ter servido como estratégia masculina para a reprodução. Adentrando a esse campo, perceberemos que o estupro sempre esteve presente na cultura humana, ao falarmos, por exemplo, dos “Homens das cavernas” uma das coisas que mais lembramos é o ser primitivo batendo na cabeça de uma mulher e a arrastando para a caverna”.
Para autores Thornhill e Palmer, existem duas possíveis explicações para enquadrar o estupro dentro da teoria da evolução humana de Darwin. A primeira é uma adaptação favorecida pela seleção natural, uma vez que o estupro aumentaria as chances de sucesso reprodutivo com o aumento do número de acasalamentos. Esse comportamento é observado em algumas espécies de animais. A segunda hipótese é que se trate de um subproduto de outras características da sexualidade masculina: o desejo por sexo e por múltiplas parceiras e a capacidade de usar a violência para atingir um objetivo.
Nessa segunda explicação enfocamos que nos embates haviam os “Estupros de guerra” que são violações cometidas por soldados, ou civis durante conflitos armados ou as Guerras, ou durante a ocupação militar. Ele também abrange as situações em que as mulheres

são forçadas a se prostituirem ou escravidão sexual por uma potência ocupante, como no caso das mulheres de conforto japonesas durante a II Guerra Mundial.
Já na década de 90 os chamados “campos de estupros” construídos na Bósnia faziam parte de um movimento para engravidar as mulheres e exterminar os grupos étnicos adversários.
“Em uma noite, quando Anisa tinha 14 anos, ela foi arrastada de sua cama por seis soldados e levada sob a mira de armas a um campo atrás de sua pequena casa. Era 1971, no então Paquistão Oriental (hoje, Bangladesh) e a amarga e sangrenta guerra para a independência seguia em frente. Naquela noite, ela foi estuprada por um bando de soldados que havia acabado de matar seus pais”
Podemos questionar, quando os homens começaram a estuprar em guerras? A resposta é bem deprimente. Todas as evidências da arqueologia e da antropologia indicam que o estupro tenha começado junto com a guerra. Nas estruturas sociais rígidas das primeiras "tribos" da Pré-História, eram os líderes quem mantinham relações sexuais com a maioria das mulheres do grupo. E os jovens de pequenas tribos só podiam procriar quando "conquistavam" fêmeas de outras tribos em batalhas
Sob esse prisma, podemos hipoteticamente concluir que a cultura do estupro é constituída pela ação da mente sobre o corpo, sua ação é devido a equívocos de pensamentos formados durante centenas de gerações na cultura e sociedade, adicionando a visão reencarnacionista, nossos espíritos encarnaram durante os embates naturais ou de guerras, e violaram ou foram violentados, e trazem em seu períspirito essas marcas, que devem (ou deveriam) se cicatrizar a cada novo encarne, todavia, as influencias culturais/sociais, principalmente as hoje tão expostas pela mídia, nos colocam-nos a prova e temos o livre arbítrio de nos afastar ou de reviver nossos atos do passado.
A Doutrina Espírita ajuda o homem, a ter consciência da sua condição espiritual, e que, portanto fará tudo para evoluir intelectual e moralmente, aprendendo a reavaliar seus conceitos amenizando nossos instintos e colocando um balsamo em nossas “cicatrizes perispirituais”.

Sobre essa ótica percebe-se a necessidade de evangelizar os adolescentes e os jovens, esclarecendo da sua condição de espíritos eternos, não como crenças, mas sim como fatos inquestionáveis perante as observações que o mundo nos presenteia, mostrar que o desenvolvimento do “ser” persiste após a morte.

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