Depressão - Tempo de colheita no campo do espírito

Parece uma pandemia o número sempre crescente de pessoas que sofrem o mal da depressão em diversos graus de manifestação da doença. Esta doença não escolhe suas vítimas por qualquer critério conhecido, nem tão pouco por classe econômica ou religiosa e mesmo faixa etária. Rotulada como "o mal do século" suas vítimas procuram, primeiramente, o amparo da medicina convencional e, não obtendo resultados, a espiritual.
O fato é que, muitas vezes, a medicina convencional não resolve a questão por trabalhar apenas na periferia dos efeitos intentando o combate com remédios que muitos vezes mais males causam do que bem. Mas também é fato que o tratamento espiritual, frequentemente, também não apresenta uma proposta e terapia que realmente resolvam o sofrimento de quem a busca.

Para entender o processo depressivo é necessário entender o funcionamento da vida como um todo, de maneira sintética e não simplesmente adentrar o labirinto da análise sem fim, onde nunca se chega a uma conclusão real.
É necessário compreendermos a mecânica do existir de modo a nos ajustarmos ao fluxo normal da existência e compreendermos em que momento nos desviamos do caminho a ponto de nos encarceramos no calabouço depressivo.
Ficar triste é normal quando para isso possuímos boas razões.É um direito, de quem passa por um trauma, ou uma desilusão, se recolher em si mesmo e meditar no acontecido, até que se esgote o impulso gerador do abatimento, inclusive chorar, seja homem ou mulher. Para isso disse Jesus: "Bem aventurados os que choram".
O que não é normal, é permanecer na tristeza e no recolhimento após o tempo relativamente suficiente para o esgotamento da fonte da tristeza. É aqui que entra a depressão.

Na mecânica da vida tudo se expressa de maneira dualística. Tudo, em nosso universo, é binário. Tudo sobe e desce. Todo começo tem fim. Claro e escuro. Vida e morte. Saúde e doença. Sim e não. Toda expressão de vida, em nosso universo, é resultado da dualidade universal. Dualidade compreendida como um ciclo de fases inversas e complementares formando, assim, uma onda, em qualquer aspecto de sua manifestação. Podemos, por exemplo, tomar como base o entendimento da manifestação energética. Toda energia é um enfeixamento de ondas numa expressão fenomênica de uma combinação de fatores. Isto também configura a vibração que nada mais é que a alternância de estados da onda.

Podemos enxergar isso na natureza a partir do princípio: "Na natureza nada se perde nada se cria, tudo se transforma", pois que, através dos ciclos ondulatórios, aquilo que é deixará de ser, se transformando e e vindo a ser novamente num ciclo sem fim.
Toda onda se expressa através de picos de subida e de descida de maneira que atingido o máximo pico de subida a onda não tem outro caminho a não ser iniciar a descida. E atingido o máximo pico de descida somente o caminho de subida lhe resta. Assim, ocorre também no campo animal, humano, financeiro, social, psicológico, existencial e emocional. Depois de se manifestar como semente, o ser humano numa categórica manifestação de subida da onda ou expansão, consegue, em incríveis nove meses, expandir as suas células e formar o seu corpo através do movimento anabólico, próprio da fisiologia da vida. Esta fase de expansão se refere à subida da onda que vai atingir o seu pico máximo pela metade da vida, quando então, o pulso predominante de subida, o anabolismo, cede lugar a outro, o catabolismo, o de descida, ou contração. A partir deste momento o metabolismo celular diminui e o corpo vai envelhecendo até atingir a morte. Morte que nunca é fim, mas impulso para nova fase de subida em outro corpo, em outra vida, através da reencarnação.

Portanto, no ciclo da onda, contração e expansão, são suas fases inversas e complementares que definem a existência e manifestação de qualquer fenômeno. Isto também se aplica no campo psicológico da manifestação mental. Na subida da onda, ou na expansão da consciência, nos manifestamos com euforia, com alegria, criatividade e positivismo nas expressões de nosso modo de ser. Obedecendo o ciclo da dualidade, na descida da onda, ou na contração da consciência nos apresentamos aquietados, emudecidos, macambúzios, introspectivos enquanto meditamos naquilo que aprendemos durante a expansão. Passada a fase de contração consciencial novamente nos expandimos para tornar a aprender mais, criar mais e descobrir mais para em seguida contrairmos novamente a consciência e refletirmos novamente e assim por diante.

Ocorre, porém, que, assim como uma mola que esticada além do limite tende a contrair abaixo do limite, funciona também a nossa consciência, pois que a lei é a mesma para todos e para tudo. Nos momentos de expansão é facultado a qualquer um, pela estrutura intrínseca do processo e pelo livre arbítrio, exagerar e ir além dos limites.Como consequência, experimentaremos o movimento oposto na mesma proporção e intensidade, descendo abaixo dos limites.
Em que momento eu sei que fui além do limite na expansão consciencial? Quando eu me achar melhor que o outro. Mais importante que o outro, com mais direitos que o outro. Enfim, no exercício da arrogância. Neste momento, eu estarei expandindo minha personalidade além dos limites da humildade e do bom senso, querendo ser o que eu não sou e querendo ser mais do que eu sou. É neste momento que a depressão tem início. Não é quando o doente está manifestando a retração consciencial através da tristeza ou da falta de vontade de viver. Não. Isso é consequência. A causa já aconteceu. Ela começou na inadequada expansão do ego, esticando a personalidade além dos limites. E, na mesma proporção de descontrole da arrogância, será também o impulso de contração. Nasce aqui a depressão.

Então, quer dizer que toda depressão começou na arrogância? Sim. Esta é a causa profunda da depressão. Uma inadequada contração da vontade, consequência de uma uma inadequada expansão do ego através da arrogância.
Mas eu conheço pessoas que, desde o nascimento, nunca se mostraram arrogantes e mesmo assim são depressivas. Como explicar isso? Ocorre que a onda, além de altura e depressão também tem amplitude. Existem ciclos minúsculos, pequenos, médios, grandes, enormes e gigantescos. Muitas vezes, o movimento inicial começou numa vida passada, mas naquele momento ainda predominava o pulso de expansão. Somente agora, nesta vida, depois de cessado o movimento de subida e iniciado o movimento de descida é que a consciência ultrapassou os limites para baixo. Ou seja, o movimento da onda começou numa vida e vai terminar em outra.

Portanto, é preciso evitar a depressão, mantendo-se nos limites da humildade e do bom senso. Uma vez disparados os inadequados impulsos somente o tempo, após o esgotamento do impulso contrário, vai resolver a questão. Os remédios, os passes, as orações ajudam e muito, mas enquanto o movimento de descida, o da contração, não se esgotar o sofrimento não encontrará o seu fim, pois conforme disse Jesus: "Todo aquele que se exaltar, será rebaixado".

Estes ensinamentos não são meus. Eu os colhi nas obras do nosso querido "Gilson Freire". Principalmente na obra: "Ícaro Redimido" capítulo 6,14 , 20, 21, 22 e 23.

Muita paz à todos.

 

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Comentário de Marco Túlio Ferreira Silva em 29 janeiro 2016 às 7:22

Obrigado Goliveira, pelos seus comentários e atenção.

Comentário de Goliveira Goncalves em 29 janeiro 2016 às 5:23

Interessante  o seu post, Marco. Talvez a expressão "segure a onda, você vai ter que ser forte" venha desses conceitos colocados por você. Ocorre que,normalmente, utilizamos essa expressão só em ocasiões desagradáveis. Pois, se uma pessoa obtém sucesso com um empreendimento muito aguardado não interpretará bem a frase: "segure a onda",... Pensando em nós mesmos, podemos e devemos frear o entusiasmo excessivo que pode nos fazer acreditar em uma falsa superioridade .Prevenindo, assim, o processo depressivo.

Marco, tive uma experiência com depressão em certo período da minha vida, acho que durou por 1 semana. A partir do momento que saí do meu foco, notei que a saúde começava a ser restabelecida. 

Abração!

Comentário de Marco Túlio Ferreira Silva em 28 janeiro 2016 às 7:54

Para quem estiver interessado em entender melhor estes conceitos sugiro que assista este vídeo, o qual contém uma explicação mais ampla do assunto aqui abordado.

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