E depois do Carnaval? (José Medrado)

 

Há coisas nesta vida que evitamos ao máximo comentar, pois poderia significar o se expor emocionalmente, deixar transparecer as nossas “fraquezas” interiores. Não é raro após festas, grandes ou pequenas, que determinadas pessoas se sintam angustiadas, oprimidas, questionando a validade de ter participado daqueles folguedos.

 

O carnaval está ai, e a Quarta-feira de Cinzas é uma dessas oportunidades. Muita gente se dá conta, depois que a ficha cai, que foi ao carnaval, pulou, brincou, namorou, ou melhor, ficou... Mas, depois, o vazio! De onde vem essa sensação desagradável que se configura como uma mão de ferro apertando o peito?

 

A doutora em psicologia Cris Fogriene, em um interessante ensaio sobre as “ressacas emocionais”, afirma que, em verdade, a dificuldade de socialização tem como princípio fundamental o sentimento de solidão, a sensação de vazio que se apresenta como um canal aberto para o surgimento de elementos depressivos. É quando o sujeito se percebe preso da angústia do silêncio, pois se “esbaldou”, mas não encontrou o que buscava de forma verdadeira e efetiva, ou seja, alguém para lhe reconhecer como, em potencial, importante. O receio sempre presente, principalmente em adultos que foram crianças reprimidas, oprimidas, de expor as suas buscas, faz com que se afivele uma máscara do descomprometido/a, do que não está nem aí, pois quer mesmo é “aproveitar” aquele momento. Isto o leva a idealizar que necessita mesmo é esquecer o que seu coração grita e a pessoa quer sufocar: preciso de alguém, não para um beijo, para uma dança, mas para estar comigo.

 

“E o ser humano se vê inserido numa solidão que não planejou, submerso em sensações que não desejou. Descobre-se isolado com sentimentos que sufocam a transparência e a extrema necessidade sentida de se igualar, de se identificar, de ser escolhido.”

 

Ao lado de todos esses desencontros interiores ainda vem a multifacetada onda de energias conflitantes, nascidas dos sentimentos mais desencontrados possíveis, angariadas pelos salões e avenidas das festas que se chocam com as suas próprias energias, fazendo um oscilar de ondas vibratórias, que terminam por aprofundar mais o estado-sentimento de desencontro emocio-psicológico.

Diz-se que a vibração baixa atrai vibrações do mesmo teor, de mesma sintonia. Assim, não fica difícil entender que quanto mais para baixo estivermos, mais acúmulo de energias negativas, pesadas estaremos carreando para nós. O que fazer? Deixo o sambista responder: “Reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.”

 

Afinal de contas, viver também é isto, ter a angústia da busca, da procura. É como se a angústia funcionasse como a febre da alma, a lhe dizer que algo não vai bem, que você precisa investigar, buscar o que está faltando. Qual a necessidade de sua alma que não está sendo satisfeita? Sua alma está doente e caberá a você identificar de que mal ela padece e ir em busca de sua cura.

 

José Medrado (Fundador e Presidente do complexo Cidade da Luz)

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Comentário de Salomão Raia em 22 fevereiro 2012 às 18:51

Excelente.

Comentário de Zaida Cerutti Freitas dos Santos em 12 março 2011 às 23:15

Graaaaaaaaaaaaaanmde Medrado!!!

Verdade que o carnaval é isso mesmo, mas como tu mesmo dizes, energia atrai energia semelhante.

Então vamos imaginar todo esse povo reunido com "outro" propósito que não o de se esbaldar em tanta promiscuidade como o fazem a maioria dos que aí estão.

Assistindo na TV percebe-se que tem muita coisa boa no carnaval!

Vale refletir!

Lamenta-se os abusos que, diga-se de passagem, é a maioria.

Mas procuremos reverter essas energias para positiva!

Quem sabe daqui a alguns séculos essa mesma multidão se reune para louvar e agradecer a Deus...

 

 

Comentário de Mara Rúbia Pereira em 12 março 2011 às 15:23

Falou e está falado,

Heis uma grande verdade, ainda dá para incluir, fez está feito.

Infelizmente são poucos os que se dão conta de que estas festas da carne não levam ha absolutamente nada. Carne (carna) Vale (valor) CARNAVAL- Festival da Carne ou A carne nada vale (em Latim).

Mas como tudo irá se repetir no próximo ano, o que nos resta fazer é esperar que haja uma grande transformação no ser humano, mais conscientização, e mais Espiritualidade.

Até lá vamos continuar pedindo ajuda ao Céu para que o nosso povo cresça e se encontre.

 

Comentário de Darci Silveira Celani em 9 março 2011 às 13:20

muito oportuna sua fala que junto a fala de Filomena neste blog, só vem complementar o assunto e enriquecê-lo.

Reutilizei-o para uma fala no "programa Espírita" na TV local. Foi de grande valia.

Obrigada, abrços

Comentário de Marconi Almeida em 8 março 2011 às 18:23
Simplesmente maravilhosos! precisamos ter felicidades reais.
Comentário de Jorge Marques em 8 março 2011 às 15:54
Quando assisto o desfile, eu sempre pensei no sacrifício das pessoas que fazer aquele trabalho todo, mas um ponto que me chama a atenção por eu ser do RJ é que pessoas que são pobres parcelam em x vezes por 80 minutos de aparente alegria. Uma fantasia no barato sai por 300 reais, fora outras que dão mas exigem q a pessoa n falte os ensaios. Como fica esta vida da pessoa q trabalha? será que a folia é mais importante? e o lar? comida, roupas, e outras coisas? será que n tem outra ocupação mais produtiva e sim afogar suas lágrimas?
Comentário de Naudelino Ferreira Pessoa em 8 março 2011 às 10:13
Vemos tantas alegria mais na verdade a alegria que tinha que acontecer ainda está muito longe,a parti de Amanha começamos acompanhar as calamidade,as mortes os dissidentes etc!!!.Está na hora das pessoas verificar o que é realmente ser feliz e ter alegria,e não viver mais de fantasia.
Comentário de BRUNO BUTKOVSKI em 8 março 2011 às 10:04

Medrado, sempre muito oportuno em suas colocações. Ninguém melhor que ele pra entender estes sentimentos, por viver na Terra do Carnaval e lidar diretamente com as inquietudes dos seres humanos.

As orações neste período devem ser intensificadas. Estejam com DEUS.

Comentário de Marina Moreira em 7 março 2011 às 21:19

Muito bem exposto pelo nosso irmão José Medrado o que vai na alma dos irmãos que buscam fora de si mesmos, a felicidade que ainda não conseguiram encontrar em seu "Eu" interior. Após essa busca infrutífera, vem a desilusão e com ela a tristeza, a depressão. Precisamos orar por esses irmãos para que eles consigam resgatar a alegria de viver sem a necessidade de se entorpecer com coisas ilusórias, que deixam um gosto amargo de fel após a euforia dos momentos efêmeros de falsa felicidade.

 

Comentário de Regina Rommel em 7 março 2011 às 20:02
Caro irmão José Medrado,gostei do seu comentário.O Carnaval é justamente,muita vezes,mais uma desculpa para as mentes fracas não se encontrarem.É a desculpa de usar a droga pensando ser a primeira vez,ou,voltar a usar.Depois vem o choro,a procura da personalidade perdida.E para nós da familia, voltar a luta para termos um membro,um amigo de volta nesse mundo imaginário.Nesses mom 4 dias tão curtos,muitos usam para colocam seu lado ruim a ganhar vida.Que não esqueçamos do nosso orar e vigiar.Abraços a todos.

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