O conhecimento espírita vai, a pouco e pouco, corrigindo distorções e arcaísmos, no que diz respeito ao entendimento da prece, seus objetivos e consequências.
        Por ela, ligamo-nos a Deus através do concurso das luminosas entidades que Lhe representam a Sabedoria e o Amor, nos inumeráveis planos da vida.

        Segundo o ensino doutrinário, podemos, na prece, realizar três atos fundamentais, que independem de lugar, tempo, idioma, duração e forma: 

  • pedir 
  • e agradecer.

        Quando dizemos “Pai Nosso, que estais no Céu, santificado seja o vosso nome”, usando esta ou aquela forma verbal, nesta ou naquela atitude física, estamos, invariavelmente, louvando a Deus, sua Misericórdia e sua Justiça, porque ao Criador estamos elevando nosso pensamento respeitoso e agradecido, confiante e sincero.

        A prece outra coisa não é senão uma conversa que entretemos com Deus, Nosso Pai; com Jesus, Nosso Mestre e Senhor; com nossos amigos espirituais.

        É diálogo silencioso, humilde, contrito, revestido de unção e fervor, em que o filho, pequenino e imperfeito, fala com o Pai, Poderoso e Bom, Perfeição das Perfeições.

        Quando o espírita ora, sabe, por antecipação, que sua prece não opera modificações na Lei, que é imutável; altera-nos, contudo, o mundo íntimo, que se retempera, valorosamente, de modo a enfrentarmos com galhardia as provas, que se atenuam ao influxo da comunhão com o Mundo Espiritual Superior.

        Tem, assim, a prece o inefável dom de dar-nos forças para suportarmos lutas e problemas, internos e externos, de colocar-nos em posição de vencermos obstáculos que, antes, pareciam irremovíveis.

        Um homem, ao subir uma montanha, sente-se vencido pelo cansaço, pelo suor, pela exaustão, pela fome; para, no entanto, um pouco, alguns minutos, à sombra generosa de uma árvore, e retoma, depois, já fortalecido, a caminhada interrompida. A prece, como alimento espiritual, produz efeito semelhante.

        Quando as turbilhonantes e agressivas provas do mundo nos ameacem a estabilidade espiritual, busquemos na prece a restauração de nossas energias, a fim de que refeitos, à maneira do homem da alegoria, prossigamos a caminhada.

        Não devemos pedir, na prece, bens materiais — valores transitórios que “a traça consome, a ferrugem destrói, o ladrão rouba”. Roguemos a Deus valores eternos que se incorporem à nossa individualidade imperecível, de modo a lutar, com denodo, nas diversas frentes de experimentação a que nos conduz o esforço evolutivo.

        A verdadeira prece não deve ser recitada, mas sentida. Não deve ser cômodo processo de movimentação de lábios, emoldurado, muita vez, por belas palavras, mas uma expressão de sentimento vivo, real, a fim de que realizemos legitima comunhão com a Espiritualidade Maior.

        Os Espíritos nos advertem, abrindo perspectivas ao nosso entendimento: “A adoração verdadeira é do coração.”

        Valoriza-se, dizemos nós, pela sinceridade com que é feita, e por constituir “um bom exemplo”.

        São categóricas as Entidades Espirituais: “Declaro-vos — dirigindo-se a Allan_Kardec —que somente nos lábios e não na alma tem a religião aquele que professa adorar o Cristo, mas é orgulhoso, invejoso_e_cioso, duro e implacável para com outrem, ou ambicioso dos bens deste mundo.”

        A forma como adorar a Deus é problema secundário, tal como ocorre com o aspecto idiomático. Em português, francês, italiano, castelhano ou japonês, o que prevalece é a linguagem do coração. Equivale dizer: a linguagem do sentimento, a profunda manifestação da alma.

        Orar em secreto, no recesso do lar, é prática recomendada pelo Cristo, contrapondo-se à oração farisaica, proferida com a intenção de que seja o ato observado por terceiros. "Com a prece em conjunto, representando autêntica comunhão de propósitos, "mais forças têm os homens para atrair a si os bons Espíritos.”

        A medida que o homem vai evoluindo, ora mais pelos semelhantes do que por si mesmo. Pensa muito mais nas necessidades alheias do que nos próprios interesses, embora reconheça suas necessidades e para elas rogue sempre o amparo divino. A prece por outrem dilata a capacidade de amar e servir, com a consequente redução dos impulsos egoísticos que tão alto ressoam em nosso mundo interno.

        Encarnados e desencarnados devem ser objeto de nossas orações, uma vez que, sendo fonte de energias, alcançam aqueles para os quais estamos polarizando nossas vibrações, através de súplicas humildes, mas fervorosas e sinceras. Podemos, assim, beneficiar através de preces almas que se encontram em regiões de sofrimento, ou em organizações de reajuste, no plano espiritual. Preces individuais, inclusive no recesso de nossos lares. Preces em conjunto, via de regra, em nossas casas de fé. As vibrações da prece levam-lhes conforto: reanimam-nas, pela certeza de que estão sendo lembradas, uma vez que nossas imagens e sentimentos repercutem em suas individualidades.

        A bênção do amor de Deus chega até nós outros, caminheiros da sombra, através da prece, que, além de nos fortalecer o coração, amplia nossa visão espiritual com relação aos problemas do mundo, dos homens, da sociedade e das provas remissivas com que a Justiça Equânime nos reconduz ao Pai, pelas luminosas vias do progresso e da felicidade.

Referências:
Livro: "O Pensamento de Emmanuel", por Martins Peralva;
Romeu Leonilo Wagner, Belém, Pará

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