A busca pela salvação, em se tratando de religião, é um anseio natural que a natureza humana desenvolveu ao longo de sua romagem visando um estado de felicidade após as tribulações da vida física.

Há milênios o Homem vem interpretando as forças da natureza e a divindade que as controla e, naturalmente, foi levado ao entendimento de que a vida continua após a morte do corpo físico, conforme assevera a Doutrina Espírita:

“É a uma lembrança retrospectiva que o homem deve, mesmo no estado selvagem, o sentimento instintivo da existência de Deus e o pressentimento da vida futura?

 

– É uma lembrança que conservou do que sabia como Espírito antes de encarnar; mas o orgulho muitas vezes sufoca esse sentimento.” (1)

Da mesma forma desenvolveu-se no entendimento humano a noção de recompensas e castigos após a vida física, que a Doutrina Espírita também explica:

“De onde vem a crença que se encontra em todos os povos das penalidades e recompensas futuras?

– É sempre a mesma coisa: pressentimento da realidade trazida ao homem pelo Espírito nele encarnado. Porque, sabei-o, não é em vão que uma voz interior vos fala; o erro está em não escutá-la com bastante atenção. Se pensásseis bem nisso e mais frequentemente, melhores vos tornaríeis.” (2)

Com a dificuldade em se modificar para melhor, e portador do egoísmo e do orgulho em grau elevado, a infantilidade espiritual induziu o Homem a criar mecanismos de salvação, a partir de seu próprio entendimento, e segundo seu próprio interesse, e a medida que as religiões, enquanto organizações humanas, se desenvolveram, cada uma tomou para si a razão e a sua verdade passou a ser a chave da salvação.

As fórmulas se multiplicaram, tais como “só se salva quem frequenta determinada religião e obedece seus dogmas e rituais”, ou “a salvação está em aceitar Jesus como Salvador”.

Toda a pregação de Jesus e o Seu exemplo contraria esse entendimento, e o próprio Mestre advertiu:

Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á. (3)

Percebamos que querer salvar-se a si mesmo é ato de egoísmo, portanto, a salvação que o Homem pretende não está no rótulo religioso, e sim na prática das orientações que o Senhor Jesus nos trouxe, e que se resumem em ações direcionadas ao próximo da forma que gostaríamos que para nós fosse feito.

Allan Kardec analisa, no capítulo quinze de O Evangelho Segundo o Espiritismo, a máxima “Fora da Caridade não há Salvação”, a partir de texto do evangelho de Mateus:

“Mas os fariseus, ao verem que Jesus tinha feito calar a boca dos saduceus, reuniram-se, e um deles, que era doutor da lei, veio fazer essa pergunta para tentá-Lo: Mestre, qual é o grande mandamento da lei? Jesus lhe respondeu: Amareis ao Senhor vosso Deus de todo o vosso coração, de toda a vossa alma, e de todo o vosso Espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E eis o segundo, que lhe é semelhante: Amareis ao vosso próximo como a vós mesmos (grifo de Kardec). Toda a lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos. (Mateus, 22:34 a 40)

Caridade e humildade, eis portanto o único caminho para a salvação; egoísmo e orgulho, eis o caminho da perdição (grifo nosso). Este ensinamento está formulado em termos precisos nestas palavras: Amareis a Deus de toda vossa alma e ao vosso próximo como a vós mesmos; toda lei e os profetas estão contidos nesses dois mandamentos.

Jesus, para que não houvesse dúvidas na interpretação do amor a Deus e ao próximo, acrescentou: E eis o segundo mandamento que é semelhante ao primeiro, isto é: não se pode, verdadeiramente, amar a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus. Portanto, tudo o que se faz contra o próximo, é o mesmo que fazê-lo contra Deus. Não podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos neste ensinamento moral: Fora da caridade não há salvação.” (grifo nosso)

Pensemos nisso.

Antonio Carlos Navarro

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