Não vamos aqui  entrar na discussão sobre a existência ou não dos espíritos.

Vamos, a partir da crença generalizada mundialmente, há milênios, de que não só existem, mas que são as almas dos homens que já viveram na Terra. Ou seja, nós os encarnados, também o somos.

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, sistematizou o conhecimento da realidade, e a respeito do Espírito propôs algumas perguntas aos Espíritos Superiores.

“O que é o Espírito? – Espírito é o princípio inteligente do universo”.” (1)

Somos o Ser Pensante, que tem como atributo essencial a capacidade mental de raciocinar, de planejar, resolver problemas, abstrair e compreender idéias e linguagens, e ainda, aprender.

“Qual é a natureza íntima do Espírito? – Não é fácil explicar o Espírito com a vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, visto que o Espírito não é algo palpável, mas para nós é alguma coisa.” (2)

Para nós, os encarnados, acostumados com o mundo das dimensões físicas, não é muito fácil tratar da subjetividade do espírito, e por isso Kardec continua:

“Que definição se pode dar dos Espíritos? – Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. Eles povoam o universo, fora do mundo material.” (3)

Com essas definições dadas pelos responsáveis pela implantação do Consolador prometido por Nosso Senhor Jesus Cristo (4), Kardec aprofunda a questão em torno da condição existencial do Espírito no Mundo Espiritual:

“Os Espíritos têm uma forma determinada, limitada e constante? – Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim. O Espírito é, se quiserdes, uma chama, um clarão ou uma centelha etérea.” (5)

“Essa chama ou centelha tem uma cor qualquer? – Para vós, ela varia do escuro ao brilho do rubi, conforme seja o Espírito mais ou menos puro.” (6)

Lembra-nos Allan Kardec em comentário à questão acima:

“É costume representarem-se os gênios com uma chama ou uma estrela sobre a fronte. É uma alegoria que lembra a natureza essencial dos Espíritos. Coloca-se no alto da cabeça, porque é aí a sede da inteligência.”

Tratando sobre a aparência do Espírito, pergunta o Codificador:

“O Espírito, propriamente dito, não tem nenhuma cobertura, ou como pretendem alguns, é envolvido por alguma substância? – O Espírito é envolvido por uma substância vaporosa para vós, mas ainda bem grosseira para nós; é suficientemente vaporosa para poder se elevar na atmosfera e se transportar para onde quiser.” (7)

Para deixar as coisas mais claras possíveis, Kardec, que foi um exímio educador, comenta a questão acima:

“Assim como nas sementes o germe do fruto é envolvido pelo perisperma, do mesmo modo o Espírito, propriamente dito, é revestido de um envoltório que, por comparação, pode-se chamar perispírito.”

E continua a perguntar:

“De onde o Espírito tira seu envoltório semimaterial? – Do fluido universal de cada globo. É por isso que não é igual em todos os mundos. Ao passar de um mundo a outro, o Espírito muda de envoltório, como trocais de roupa.” (8)

“Assim, quando os Espíritos que habitam os mundos superiores vêm até nós, revestem-se de um perispírito mais grosseiro? – É preciso que se revistam de vossa matéria, como já  dissemos.” (9)

“O envoltório semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível? – Sim, tem a forma que lhe convém. É assim que se apresenta, algumas vezes, nos sonhos, ou quando estais acordados, podendo tomar uma forma visível e até mesmo palpável.” (10)

Com base nas questões acima podemos facilmente chegar a algumas deduções.

A nossa coloração, enquanto espíritos, é conseqüência da nossa condição moral. É por isso que se diz que alguém é espírito de luz. A esse respeito o Senhor Jesus falou que:

“A candeia do corpo é o olho. Sendo, pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas.” (11)

A forma como olhamos o mundo está relacionada à nossa moralidade. Se formos simples de coração e bondosos, a luminosidade de nosso espírito será cada vez mais brilhante e saudável, e, ao contrário, sustentando a maldade no coração, nossa luminosidade será mais e mais opaca e escura, e por isso mesmo prejudicial.

Essa luminosidade parte do espírito, passa pelo perispírito formando, no seu limiar, o que se conhece por “Aura”, e como o perispírito é que dá a forma ao corpo físico, transmite-lhe toda a energia luminosa para os órgãos físicos, seja boa ou seja má.

Como o perispírito, embora invisível é matéria, tem, portanto, peso. Isso significa que quando deixarmos o corpo físico pelo processo da desencarnação estaremos sujeitos a Lei de Gravidade, que nos situará de acordo com a leveza da luz que há em nós, ou junto dos espíritos mais apagados e presos nas proximidades do mundo material, ou próximo daqueles que brilham a luz do amor já em paragens superiores.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências:
(1) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 23;
(2) . . . questão 23 a;
(3) . . . questão 76;
(4) João 14:26;
(5) O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, questão 88;
(6) . . . questão 88 ;
(7) . . . questão 93;
(8) . . . questão 94;
(9) . . . questão 94 a;
(10) . . . questão 95; e
(11) Lucas 11:34,35.

Nota do editor:
Imagem ilustrativa e em destaque disponível em
a href="http://www.youtube.com/watch?v=yAoSHxzEcT4%3E">http://www.youtube.com/watch?v=yAoSHxzEcT4>;.

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