Fritz ante a preguiça moral, a balela e a promessa de artificiosa cura (Jorge Hessen)

Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Brasília-DF

 

A atriz Juliana Paes da Globo vai aparecer nos cinemas em 2020, junto com o ator Danton Mello e outros, no longa-metragem intitulado “Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz”. O filme propõe contar a história do médium mineiro, José Pedro de Freitas, o “Zé Arigó”. Com certeza tal evento fará ressurgir, nas hostes espíritas, o deslumbramento pela procura de médiuns incorporadores de “cirurgiões” cura tudo ou miraculosos “médicos” do além.

Que existe interferência dos desencarnados nos processos terapêuticos na Terra, não há dúvida, porém não se pode dar proeminência a esse tipo de fenômeno, na presunção de consolar os desprotegidos ou na ardilosa ideia de fortalecimento da  difusão do Espiritismo por essas dispensáveis práticas.

Vejamos, Zé Arigó, o médium que incorporava o Dr. Fritz, e realizava cirurgias sem anestesia, certa ocasião ofereceu-se para operar o Chico Xavier, que prontamente rejeitou a oferta e optou por se internar em hospital de São Paulo.  A atitude do Chico provocou uma boa discussão na época.

Por que não aceitou a oferta do Dr. Fritz?

Chico duvidava do poder dos famosos “cirurgiões” espirituais?

O filho de Pedro Leopoldo se limitou a repetir a resposta oferecida em 1969 a Zé Arigó: “Como eu ficaria diante de tanto sofredor que me procura e que vai a caminho do bisturi, como o boi para o matadouro? E eu vou querer facilidades? Eu tenho que me operar como os outros, sofrendo como eles.” [1]

Anos mais tarde, sob firme depoimento, Chico Xavier pronunciou: “Sou contra essa história de meter o canivete no corpo dos outros sem ser médico. O médico estudou bastante anatomia, patologia e, por isso, está habilitado a fazer uma cirurgia. Por que eu, sendo médium, vou agora pegar uma faca e abrir o corpo de um cristão sem ser considerado um criminoso? [2]

A tendência de subestimar a contribuição da medicina terrena, entregando nossas enfermidades aos Espíritos “milagreiros” do além (com nome germânico ou  hindu), para que "curem" complexos processos de metástases, por exemplo, é uma atitude equivocada. Até mesmo porque, os Espíritos não estão à nossa disposição para promoverem curas de patologias que, não raro, representam providências corretivas para o nosso crescimento espiritual no buril expiatório.

Além do mais, os princípios doutrinários nos elucidam que necessitamos "Aproveitar a moléstia como período de lições, sobretudo como tempo de aplicação de valores alusivos à convicção religiosa. A enfermidade pode ser considerada por termômetro da fé”. [3]

Como bem recomenda Allan Kardec, em Viagem Espírita 1862, pág. 33: "O exagero em tudo é prejudicial, mas, em semelhante caso, vale mais pecar por excesso de prudência do que por excesso de confiança". [4]

Sobre esse tipo de mediunidade fica evidente que não há qualquer amparo espiritual aos médiuns dos cirurgiões do além. Vejamos alguns fatos emblemáticos sobre os intermediários do tal Dr. Fritz e outros do ramo.  José Arigó, o mais famoso, desencarnou tragicamente num acidente de automóvel, em MG, Rubens de Farias, depois que sua esposa o denunciou de adultério e enriquecimento ilícito saiu terminantemente de cena, Edson Queiroz foi brutalmente morto a facadas por seu caseiro em Recife, João de Deus jaz prisioneiro na penitenciária de Aparecida de Goiás , incriminado por centenas de estupros e enriquecimento  ilícito. Isso sem colocar aqui no inventário sobre esse tipo de mediunidade “curadora” o mais importante médium do Lar Frei Luiz no Rio,  Gilberto Arruda , que foi  assassinado dentro do centro.

O exercício dos Códigos Evangélicos nos impõem a obrigatória fraternidade e a compreensão aos adoentados e adeptos dessas extravagantes práticas mediúnicas, o que não equivale dizer que devemos nos silenciar quanto à adequada recriminação. Tal mediunidade não é e nunca será indispensável para propagação dos princípios espíritas. Além do mais, o centro espírita não pode se transformar em abrigo dos ambulantes cura tudo.

Bem-estar e saúde integral são obtidas através do cumprimento das Leis Divinas inscritas na consciência de todos nós! O resto é preguiça moral, balela e promessa de artificiosa cura que se transformará em desafiadora moléstia moral amanhã.

 

Referência bibliográfica:

[1]        SOUTO Maior, Marcel. As vidas de Chico Xavier / MARCEL Souto Maior. 2. cd. rev. e ampl. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2003

[2]        Idem

[3]        VIEIRA, Waldo. Conduta Espírita, Ditado pelo Espírito André Luiz, Cap.35. RJ: Editora FEB, 1977-5ª edição

[4]        KARDEC, Allan. Viagem Espírita 1862, pág. 33, RJ:  Ed FEB, 1999

 

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Comentário de Casa de Jaco - Lar do idoso em 21 novembro 2019 às 22:19
Sobre o assunto  leiam abaixo o que Divaldo afirma:
 
PERGUNTA: O Centro Espírita deve desenvolver atividades de cirurgia mediúnica?


DIVALDO PEREIRA FRANCO:
 Transformar o Centro Espírita em pequeno hospital para atendimento de todas as mazelas é uma loucura. Isso seria um desvio da finalidade da prática do Espiritismo. Podemos, sim, fazer uma atividade de atendimento a doentes que são portadores de problemas na área da saúde espiritual. Poderemos aplicar-lhes passes, doar-lhes a água fluidificada, se for o caso, mas a função principal do Centro Espírita é iluminar a consciência daqueles que o buscam e, quando na área da prática do Espiritismo, atender as pessoas necessitadas de todo tipo.
Chico Xavier, que eu sabia, é a maior antena transreceptora na área da mediunidade, do século. No entanto, está assistido por médicos terrestres. Ele tem um médico cardiologista, um clínico geral, um urologista etc. O Espírito do Dr. Fritz quis cirurgiá-lo, em 1965, através do médium não espírita Arigó: - "Eu te ponho bom desse olho. Faço-te a cirurgia agora!" O Chico respondeu-lhe: - "Não, isso é um karma. Eu sei que o senhor pode consertar o meu olho. Mas como o karma continuará, vai aparecer-me outra doença. Como eu já estou acostumado com essa, eu a prefiro. Por que eu iria querer uma doença nova?".
(Matéria publicada no jornal "A Gazeta do Iguaçu" em julho de 97)

Comentário de LUIZ CARLOS DUARTE FORMIGA em 21 novembro 2019 às 17:45

Na década de 1970, o Espírito médico Bezerra de Menezes responde a questão abaixo.

“Por que, sendo médico, dirigindo no Além uma grande falange de irmãos dessa especialidade, no Espaço, cobrindo o vasto território do Brasil geográfico e espiritual, quando se comunica, por si ou por proposto em seu nome, mais discreteia sobre Evangelho, Amor, Jesus, do que nos adianta algo sobre terapêutica, diagnóstico, parecendo-nos desligado da área biomédica?”

“Quando encarnado militava na Medicina. Agora desencarnado, continuamos nesse mister, todavia com uma visão mais ampla.”

“O exercício desta Medicina de Outro Mundo, a que me filio aqui, aponta o progresso da alma como medicamentação básica. O doente necessita ser esclarecido de que a cura depende de sua cooperação e que essa cooperação envolve um problema de crescimento espiritual. Eis, a razão, porque o nosso exercício profissional, na qualidade de Médicos do Além, se mistura a pregação evangélica, fortalecendo a nossa fraqueza, com Jesus no coração e insistindo na difusão de preceitos que conduzem o homem à reforma interior”.

https://paespirita.blogspot.com.br/2017/11/bezerra-de-menezes-desli...

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