Humanização nos CEs – Organizando a inclusão

Ao falarmos em humanização nos centros espíritas, visando a inclusão, devemos levar em conta que  nossa sociedade ainda não é inclusiva. Há grupos de pessoas discriminadas, inclusive nas denominações que recebem... Exemplos: inválido, excepcional, deficiente, mongol,  manco, ceguinho, aleijado, demente, e etc.

Essas palavras revelam preconceito, e, através delas, estamos dizendo que essas pessoas precisam mudar para que possam estar convivendo na sociedade.

Hoje temos a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146), que estabelece regras e diretrizes de inclusão, e os centros espíritas devem se adequar a esse contexto, não só pela lei e suas regras, mas por tratarmos com “Seres humanos”, e esse fato por si só  já nos deveria tornar inclusivistas.

 No do espiritismo, aprendemos que o corpo nada mais é que uma casca onde habita-se o espírito, mas na pratica do dia a dia, percebemos que esse conhecimento não é absorvido na pratica, e muitas vezes o preconceito, ou racismo, ou mesmo a indiferença, parecem sobrepor os ensinamentos da doutrina

Houve muitos avanços graças às novas tecnologias, e encontramos mais facilmente muitos livros adaptados para o Braile ou “áudio-books”, muitas  instituições  para melhor acessibilidade de seus frequentadores fizeram  adaptações das estruturas físicas das instituições para que possam receber cadeirantes; todavia, sabemos que ainda há muito a ser feito. E dentre as coisas a serem feitas, o pensar e aceitar é prioritário com relação às deficiências.

Joanna de Ângelis (espírito) através  Divaldo Franco  na obra “Novos Rumos para o Centro Espírita”[i] nos alerta que devemos : “Espiritizar, qualificar e humanizar” o centro espírita.

Nessa obra Joanna de Ângelis  nos explica que :   

Espiritizar tem,  o sentido de resgate, de atrair as pessoas que frequentam o Centro  Espírita para que se tornem praticantes, aceitando o Espiritismo e não querendo ser adotados por ele, permitindo que o Espiritismo entre neles e não apenas eles entrem no Espiritismo. É viver a Doutrina como ela é, na sua essência, sem adulterações, ou adaptações.

Qualificar significa adquirir conhecimento necessários à tarefa do bem; é saber o que fazer e como realizar; como nos diz Divaldo Franco : "[...] buscar a qualificação

espírita é tentar saber realmente o que é o Espiritismo... procurar melhorar as qualidades morais, sociais, familiares, funcionais e as de trabalhador da Casa Espírita..."

   Humanizar é a caridade na sua mais pura expressão. Humanizar é o oferecer-se, o despersonalizar-se, libertando-se do ego dominador para se dedicar ao próximo, é a percepção de que tudo o que se faz visa o ser humano, espírito imortal, rumo à perfeição.

Sob essa perspectiva, para que possamos ter instituições “humanizadas”, precisamos “qualificar” os trabalhadores, torna-los aptos a lidar com as diversas e complexas situações de atendimento, orientação, e atenção aos frequentadores.

O ato de “espiritizar”, ultrapassa o pensamento equivocado de “recrutar” frequentadores, para que os tornem trabalhadores, é na oferta de qualificação que se vê os candidatos, e, em suas atuações nos cursos que perceberemos suas vocações, sob esse prisma  destacamos que é ele ( o frequentador da casa), que vai se ofertar  aos trabalhos quando sentir-se apto.

A casa deve sempre ofertar o trabalho, mas nunca o pressionar para que o faça,  devidamente qualificados, os trabalhadores devem saber lidar com a inclusão das minorias, nesse quesito,  podemos propor cursos externos e que depois  efetuar adequação desses  cursos nas CEs, pode-se citar a exemplo o curso de  LIBRAS.

Muitos deficientes auditivos deixam de frequentar instituições, ir a palestras ou mesmo eventos de maior porte por não haver interpretes.

Nas bibliotecas das federações ter uma seção de livros em Braile e/ou áudio-books, no auditório ou salão, ter espaço para cadeirante, e ter trabalhadores que saibam  conduzir o cadeirante.

Hoje no MEB, percebem-se duas correntes contrarias ao dialogo a esse tema, a primeira, quer restringir-se a inclusão social; acham-se satisfeitos com a distribuição de sopa, material de higiene ou mesmo amparo com roupas para bebês,  o que é muito bom e realmente é um tipo de caridade  a qual as instituições não devem se abster, outra vertente diz que a quantidade de deficientes é pouca para que tenha de “qualificar” trabalhadores nas instituições, pois não haveria publico para isso.

As duas vertentes estão certas nas afirmações e erradas em seu julgamento, As mesmas instituições que distribuem caridosamente aos menos favorecidos sopas, cestas básicas e etc. podem receber publico de baixa renda, mas também deficientes.

E aos que afirmam não terem frequentadores deficientes, devemos ter em mente que a inclusão é para as “Minorias”, e, portanto se um entrar em na  casa espírita ,  a  instituição não saberá o receber. Além do fato que pode-se pensar o inverso, ou seja, não há frequentadores deficientes, porque a casa não oferta pessoal qualificado e nem condições físicas para isso.

O planejamento de políticas sociais e educacionais na estrutura doutrinária e práticas inclusivas nas evangelizações garantem a vinda e permanência de pessoas com deficiência.

A formação de qualidade, ofertando a igualdade de oportunidades e o reconhecimento das diversas e complexas deficiências assim como  orientações sexuais e  identidades de gênero [e étnico-raciais], contribuem para a melhoria das instituições espíritas.

“O espiritismo é a nossa escola, a nossa oficina, é nosso o hospital, nosso santuário e também nosso lar. O lar da fraternidade universal, onde todos nos encontramos para demonstrar que é possível viver em sociedade, sem agressividade; que é possível viver-se fraternalmente, sem estarmos a ferir-nos uns aos outros, e, quando isso acontecer, a tolerância virá em nosso socorro, a humanização virá para auxiliar-nos, a qualificação nos dirá que não temos mais o direito de permitir-nos erros, e a espiritização nos alçará à condição de verdadeiros espíritas, mínimas qualidade do Homem de Bem, precisamente definidas em O Evangelho Segundo o Espiritismo.” ( FRANCO. 1998) [ii]

 

 

Referencias:

[ii] FRANCO, Divaldo P. Novos Rumos para o Centro Espírita. 1.ed., Salvador, BA: LEAL, 1998

 

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