Kardec: da desencarnação para a vida pulsante

Antonio Cesar Perri de Carvalho (*)

 

   Em 31 de março de 1869, em Paris, desencarnou Allan Kardec com 64 anos, entre 11 e 12 horas, pelo rompimento de um aneurisma, em pleno labor de estudo e organização de novas tarefas espíritas e assistenciais.

   O sepultamento ocorreu no Cemitério de Montmartre. Um ano depois seu corpo foi transladado para o Cemitério do Père Lachaise, onde foi construído o dólmen com a famosa frase “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar tal é a Lei”. O túmulo de Kardec, no famoso cemitério histórico de Paris, continua a ser dos mais visitados.

   O importante não é se rememorar o episódio da desencarnação e se cultivar homenagens no túmulo. A maior homenagem é a valorização da obra do Codificador.

   O fato mais significativo será a vida pulsante de seus ensinos na seara espírita e na comunidade em geral.

   Allan Kardec cumpriu muito bem a sua missão e num período de tempo curtíssimo, haja vista que lançou O livros dos espíritos, o marco inicial do Espiritismo, em abril de 1857.

   O trabalho do Codificador é de fundamental importância. As Obras Básicas e inaugurais da Doutrina Espírita – O livro dos espíritos, O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese, efetivamente representam a base e devem ser o ponto comum, de convergência, do Movimento Espírita.

   Agora em 2018, transcorrem 150 anos do lançamento de A gênese, obra pouco lida na seara espírita e que merece nossa atenção.

   Registros de contemporâneos de Kardec e Amélie Boudet têm vindo à tona, como Léon Denis, Gabriel Delanne, Henri Sausse e Berthé Fropo, e reavivados por pesquisa documental feita por Simoni Privato Goidanich, apontado sérias deturpações doutrinárias ocorridas logo após a desencarnação de Kardec, na Revista Espírita e na Sociedade Anônima que tinha por objetivo propagar as obras do Codificador. Naquela época produziram muitas alterações no texto da 5ª. edição de A gênese (1872).(1)

   Os lamentáveis fatos nos remetem aos cuidados para a atualidade no sentido de manter viva a fidelidade às obras de Kardec.

   Numa época de proliferação de livros espíritas – e com a influência de vários modismos -, criando desfocagens sobre a literatura básica e de ações a ela relacionadas, e também pelo fato de que muitos cursos se basearem em material apostilado, torna-se muito importante que os centros e o Movimento Espírita dêem prioridade para a divulgação e o estímulo à leitura e ao estudo das Obras Básicas do Espiritismo.

   Parece-nos cabível e muito necessária a Campanha “Comece pelo Começo” que tem por foco a valorização das obras da Codificação Espírita, de Allan Kardec, como indicação ao estudo e conhecimento da Doutrina Espírita através das cinco Obras Básicas acima citadas.

   Historicamente, o lançamento original dessa campanha ocorreu em São Paulo, em 1972, pela União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, pelo seu antigo Conselho Metropolitano Espírita, e, em 1975, pela USE Estadual. A campanha foi idealizada por Merhy Seba. Em nível nacional esta Campanha foi aprovada pelo Conselho Federativo Nacional da FEB, em reunião de novembro de 2014.(2)

 

  O livro O legado de Allan Kardec de Simoni Privato Goidanich tem riquíssimo valor histórico e é restaurador de importantes episódios que se encontravam encobertos. No final, registra Simoni Privato Goidanich: “A responsabilidade ante o legado de Allan Kardec é de todos os espíritas, e cada um herdará as consequências de seus atos e de suas omissões”.(1)

Torna-se oportuna a reflexão sobre considerações de Emmanuel na mensagem “Ante Allan Kardec”:

   “Perante as rajadas do materialismo a encapelarem o oceano da experiência terrestre, a Obra Kardequiana assemelha-se, incontestavelmente, à embarcação providencial que singra as águas revoltas com segurança.

   Por fora, grandes instituições que pareciam venerandos navios estalam nos alicerces, enquanto esperanças humanas de todos os climas, lembrando barcos de todas as procedências, se entrechocam na fúria dos elementos, multiplicando as aflições e os gritos dos náufragos que bracejam nas trevas.

   De que serviria, no entanto, a construção imponente se estivesse reduzida à condição de recinto dourado para exclusivo entretenimento de alguns viajantes, em tertúlias preciosas, indiferentes ao apelo dos que esmorecem no caos?

   [...] Urge, desse modo, que os seus tripulantes felizes não se percam nos conflitos palavrosos ou nas divagações estéreis.

   Trabalhemos, ascendendo fachos de raciocínio para os que se debatem nas sombras. Todos concordamos em que Allan Kardec é o apóstolo da renovação humana, cabendo-nos o dever de dar-lhe expressão funcional aos ensinos com a obrigação de repartir-lhe a mensagem de luz, entre os companheiros de Humanidade.”(3)

Referências:

1) Goidanich, Simoni Privato. O legado de Allan Kardec. 1.ed. São Paulo: USE/CCDPE. 2018. 447p.

2) Carvalho, Antonio Cesar Perri. Em ações espíritas. 1.ed. Araçatuba: Cocriação. 2017. 131p.

3) Xavier, Francisco Cândido. Pelo espírito Emmanuel. Construção do amor. São Paulo: CEU.

(*) Ex-presidente da FEB e da USE-SP.

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