KARDEC E POLÍTICA

(Alfredo Zavatte)

Temos ouvido muitos dizerem que Kardec não se preocupou com o problema político e  não escreveu nenhuma linha sequer  sobre o assunto, considerando-o até alheio a esse importante movimento, em que  são feitas as  leis que devem proteger e trabalhar para o bem estar do povo e da Nação.

Enganam-se aqueles que assim pensam, pois ele teve participação efetiva no cenário político. Porém, em nenhum momento se mostrou partidário.

Observemos alguns acontecimentos em torno do ilustre codificador que, à  sua maneira, colocou nas mãos dos homens normas de conduta, leis organizadoras para gerenciar um povo e uma Nação. Seguindo-as,  teremos um povo protegido, honestidade impoluta, ética não protecionista e, por consequência, uma Nação conduzida por princípios envoltos no respeito e amor ao próximo, tanto por parte dos que fazem política, quanto por aqueles que são conduzidos por ela.

Kardec não poderia fica alheio a isso. Nascido em 1804, viveu um dos mais importantes momentos da história, logo depois da Revolução Francesa (1789-1799), período de intensa agitação politica e social na França, que teve um impacto social duradouro na história do país e, mais amplamente, no continente europeu. A monarquia absolutista, que tinha governado a nação durante séculos, entrou em colapso em apenas três anos. A sociedade francesa passou por uma transformação épica, quando privilégios feudais, aristocráticos e religiosos, evaporaram-se sobre um ataque sustentado de grupos políticos radicais de esquerda, das massas nas ruas e de camponeses na região rural do país. Antigos ideais da tradição e da hierarquia de monarcas, aristocratas e da Igreja Católica foram abruptamente derrubados pelos novos princípios de Liberté, Égalité, Fraternité (liberdade, igualdade e fraternidade). As casas reais da Europa ficaram aterrorizadas com a revolução e iniciaram um movimento contrário que, até 1814, tinha restaurado a antiga monarquia, mas, muitas reformas importantes tornaram-se permanentes. O mesmo aconteceu com os antagonismos entre os partidários e inimigos da revolução, que lutaram politicamente ao longo dos próximos dois séculos. (1)

Viveu a  queda de Napoleão Bonaparte (1769-1821). Viu o restabelecimentos da monarquia francesa e o lançamento do Manifesto Comunista, em 1848, por Karl Marx e Engels, fatos esses que marcaram sobremaneira um novo período na sociedade do ocidente.(2)

Outra figura importante no cenário, embora que pós-Kardec, foi David Émile Durkeim (1858-1917), considerado o pai da sociologia, disciplina acadêmica que se estabeleceu na Europa, e principal arquiteto da moderna Ciência Social, ao lado de Max Weber e Karl Marx. Durkeim, um dos maiores estudiosos do suicídio, propõe uma série de estudos em seu livro “ O Suicídio”(2). Além desse, publicou outras obras importantes em favorecimento de uma solidariedade na sociedade. São sua principais obras: Da divisão do trabalho social (1893); Regras do método sociológico (1895); O suicídio (1897); As formas elementares de vida religiosa (1912). Fundou também a revista L'Année Sociologique, que afirmou a preeminência durkheimiana no mundo inteiro.

Karl Emil Maximilian Weber, (1864 - 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e considerado um dos fundadores da Sociologia. Max é  considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia, mas sua influência também pode ser sentida na economia, na filosofia, no direito, na ciência política e na administração.

Como poderia Kardec, humanista que era, professor que cercou-se dos princípios de Pestalozzi, ficar alheio a todos esses movimentos e ideias revolucionárias no campo social? Depois da revolução Industrial, que veio substituir o domínio absoluto da economia primária,  o trato com a terra e a urbanização da sociedade tomaram rumos crescentes, necessitando empenhos inovadores entre a força do trabalho e o capital.

Kardec em nenhum momento tomou partido das  ideias desses acontecimentos e não poderia ser  diferente. Ele, entretanto, elaborou todo um modelo que, com seu bom senso, versou sobre uma sociedade mais justa, ética e voltada ao bem estar das pessoas.

O mestre lionês via como a vida terrena era precária e a vida futura era o ponto importante para o homem, a felicidade total.

Através de  suas obras mostrou à humanidade novos caminhos. Acreditando na imortalidade da alma e na justiça divina pelos mecanismos da reencarnação, sabia que causariam impacto e produziriam uma revolução social.

Ele sabia que os homens não mudariam suas ideias de uma forma brusca, sendo necessário assimilar aos poucos as novas ideias, principalmente em se tratando de algo como a crença na imortalidade da alma e a reencarnação, em meio a todos os conceitos que existiam na época.  Havia necessidade de uma fé inteligente e não cega, mais racional, que busca a claridade e não as trevas e que fosse ousada o suficiente para rasgar o véu dos mistérios que estavam ocultos, para alargar seus horizontes para uma vida melhor.

Era seu desejo estabelecer uma sociedade ideal, mais avançada na moral até então definidas, sem as quais qualquer esforço de resolver definitivamente as questões sociais seria inútil.

Assim é que, imbuído de todos esses  desejos, e com a ajuda da Equipe do Espirito Verdade, publica o primeiro livro da codificação, O Livro dos Espíritos (18/04/1857), que vem estabelecer Leis que estão, intrinsecamente, voltadas ao bem-estar dos homens, de uma Nação e, porque não dizer, do Planeta.

Nessa tarefa, o desejo por uma sociedade mais justa e humana e, Kardec, sabedor que era, de que o progresso não é uma lei de inércia, mas que depende do esforço, da inteligência e, acima de tudo, do desejo de  mudança, os indivíduos pouco a pouco, vão se esclarecendo e ela só toma impulso quando a massa humana toma essa decisão e vai, então, arrastando outros. De tempos em tempos, surgem indivíduos geniais, que proporcionam esse impulso necessário, depois homens de autoridade, instrumentos  divinos que, em pouco tempo, fazem com que a humanidade  avance muitos séculos ( 4).

Há o progresso regular e lento, que resulta da força  das coisas. Quando, porém, um povo não progride tão depressa quanto deveria, Deus o sujeita, de tempos a tempos, a um abalo físico ou moral que o transforma.

O homem não pode conservar-se indefinidamente na ignorância, porque tem de atingir a finalidade que a Providência lhe assinou. Ele se instrui pela força das coisas. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram nas ideias pouco a pouco; germinam durante séculos; depois, irrompem subitamente e produzem o desmoronamento do carunchoso edifício do passado, que deixou de estar em harmonia com as necessidades novas e com as novas aspirações.

Nessas comoções, o homem quase nunca percebe senão a desordem e a confusão momentâneas que o ferem nos seus interesses materiais. Aquele, porém, que eleva o pensamento acima da sua própria personalidade, admira os desígnios da Providência, que do mal faz sair o bem. São a procela, a tempestade que saneia a atmosfera, depois de a terem agitado violentamente. (5)

Quanto à Igualdade  social, temos o apoio na pergunta 803 do L.E., desta forma colocada:

Perante Deus, todos os homens são iguais, pois que todos tendem ao mesmo fim e suas leis são para todos, indistintamente,  não havendo privilégios, essa é a verdade maior e mais geral. Todos estão submetidos às mesmas  leis  da Natureza. Todos nascem igualmente fracos, acham-se sujeitos às mesmas dores e o corpo do rico se destrói como o do pobre. Deus, a nenhum homem concedeu superioridade natural, nem pelo nascimento, nem pela morte: todos, aos seus olhos, são iguais.(6)

 

        1. A desigualdade das condições sociais não é uma lei natural, mas obra dos homens. (7)                          

 

    2. Essa desigualdade desaparecerá juntamente com a predominância do orgulho e do egoísmo, restando 

    apenas a desigualdade do mérito. (8) 

    3. A desigualdade das riquezas pode ter origem na desigualdade das faculdades, que dão a uns mais meios  

    de adquirir do que a outros, mas também da astúcia e do roubo.(9)

    4. A igualdade absoluta das riquezas, não é possível. A diversidade das faculdades e dos caracteres se 

    opõe a isso.(10)

 

Assim, a  estrutura mental do homem é que rege os principio de liberdade. É o livre-arbítrio que o diferencia de uma máquina. Não havendo a liberdade, não existe a conquista que aspira.

Sobre a questão da propriedade, podemos buscar respostas no mesmo livro, em que estão esboçadas as Leis que regem o homens:

1.  O desejo de possuir é natural. Mas, quando o homem só deseja para si e para sua satisfação pessoal, é egoísmo.(11)

2. Só podemos considerar legítima a propriedade se adquirida sem prejuízo de outros.

3. A Doutrina nos ensina:  tudo o que é legitimamente adquirido é uma propriedade, mas a legislação humana é imperfeita e consagra, frequentemente, direitos convencionais que a justiça natural reprova.

 

É com essa  imperfeição que os homens reformam suas leis, à medida em que o progresso se realiza, onde o homem, infelizmente, esquece-se de legislar a bem do próximo.

Allan Kardec se tornará cada vez mais imperioso. A sociedade chegará a esse patamar, como diz o fundador da Doutrina, pela força das circunstâncias. Essas mudanças, ainda que sob a pressão de fatores monetários ou de divisão de mercado, são produzidas, mesmo indiretamente, pela ação das necessidades morais, pois, teoricamente, todos aspiram por uma sociedade mais justa e equilibrada. Não será por meios de campanhas religiosas, nem tampouco através de revoluções armadas, que alcançaremos uma sociedade perfeita, mas, sim, pela convivência harmoniosa entre os povos e de governanças pautadas na ética e na moral, onde se legislará para o povo e pelo povo e não para os interesses pessoais dos legisladores.

Os dois últimos séculos (XX e XXI) vêm sendo marcados pela tecnologia em franco desenvolvimento, que de um lado  facilita a vida, do outro, provoca uma sobra da mão de obra que, obviamente, gera problemas de  difícil solução, problema esse que não é só destes séculos atuais. Sempre o foi.

O desejo de bem-estar pelos homens sempre foi presente em qualquer época.  A Sociedade projetada por Kardec com a inspiração recebida da Espiritualidade maior, está baseada no bem-estar para todas as criaturas indistintamente. Bem-estar é desejo social e não individual.

Não merece nenhuma censura aquele que procura o bem-estar, é natural esse desejo. Deus só proíbe o abuso, por ser contrário à conservação. Ele não condena a procura do bem-estar, desde que não seja conseguido à custa de outrem e não venha a diminuir nem as forças físicas, nem as forças morais (12)

Notório é que, se há a multiplicação das necessidades pelos homens, também haverá a  multiplicação das fontes de trabalho, muito embora, nesse  sentido, há muito que ser feito. A Lei a Conservação prevê que quando ela tiver realizado a sua obra, ninguém poderá dizer que lhe falte o necessário, a menos que o falte por sua própria culpa. (13)

Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que, o que vive do seu trabalho, encontre ocupação e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo, como a escassez. A ciência econômica procura remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo, mas esse equilíbrio, supondo que seja possível, sofrerá sempre intermitência e durante essas fases o trabalhador tem necessidade de viver. (14)

O grande problema a enfrentar é solucionar a  questão do trabalho, que, certamente será encontrada, pois em todos os países esse problema é crucial, criando situações desconfortantes. Sem emprego não há renda, sem renda não há consumo e sem consumo não há expansão de mercado. É uma consequência que se desencadeia em série e isso é inevitável. Há que se trabalhar para se conseguir uma economia eficiente, em qualquer regime que seja, alijando, do seio da humanidade, recursos antidemocráticos, antiéticos e desumanos.

 A filosofia moral do Espiritismo é contra a coerção e a exploração do homem. A lei do trabalho deve ser natural, imprescindível em qualquer regime, constituindo problema básico para a solução das  desigualdades. Busca-se a dignidade do homem pelo bem-estar e se abomina a corrupção, seja ela de qual forma se apresente.

Prima-se pelo direito à liberdade de criar, propor, exprimir ideias e sentimentos, sem, contudo, permitir que o partidarismo faça parte disso tudo.

O que a Doutrina propõe é o nivelamento da conduta moral dos detentores do poder, seja econômico ou político. Desnecessário para tal, um Estado com poderes sobre a pessoa, nem um Estado assistencialista que, no fundo, representa uma forma de dominação.

Ela, a politica, pode não estar no desejo de todos os homens, outro engano. Salientemos a célebre  frase de  Aristóteles: "o homem é um animal político". Os homens fazem política a todo instante:  em sua família, no trabalho, no prédio onde mora, na escolha dos filhos, na religião, etc, pois ele manifesta, a todo instante, os seus desejos e suas tendências. Isso não deixa de ser politica.

A politica  está no topo das preocupações da sociedade, das pessoas. No fundo, todos sabem que numa sociedade de  nível moral equilibrado, será possível não apenas a distribuição de riquezas, mas a equitativa relação de direitos e deveres

Eis aí esboçado, de forma clara por Kardec, as  normas  que devem reger a  vida dos homens e de uma Nação e que podem ser melhor  analisadas no Livro do Espíritos, no que se refere às Lei de Liberdade, Lei de Sociedade, Lei do Progresso  e Lei de Igualdade.

 Caminhos para uma sociedade melhor, mais humanizada, mais respeitada, com liberdade de expressão, sem vandalismo, os  temos, basta desejarmos colocá-lo em prática, para um amanhã mais consciente de que todos temos direitos, mas também temos deveres a cumprir.

  Paz ao seu Espírito.

      Citações:

1)- Disponível no Site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Francesa – Acessado em 07.09.14

2)- _____/ http://pt.wikipedia.org/wiki/Napole%C3%A3o_Bonaparte

3)- BERTOLOTE. José Manuel. O Suicídio e sua prevenção- Editora UNESP- 1ª Edição 2012

4)- KARDEC, Allan- Livro dos Espíritos -  P-789  - 45º edição 1978

5)-_____/    P- 783  ( Lei do Progresso )

6)- _____/   P- 803  ( Lei da Igualdade )

7)- _____/  P- 803   ( Lei da Igualdade)

8)- _____/  P- 806a ( Lei da Igualdade )

9)-_____/   P- 804   ( Lei da Igualdade )

10)-_____/ P- 808   ( Lei da Igualdade )

11)- ____/  P- 883   ( Direito de Propriedade )

12)- ____/  P- 719   ( Lei da Conservação )

13)- ____/  P- 707   ( Lei da Conservação)

14)- ____/  P- 685a (Lei do Trabalho).

 

Como no dia 3/10/2014 será aniversário de nascimento de Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais tarde conhecido como Allan Kardec, codificador do Espiritismo, não poderíamos deixar de prestar nossa homenagem, assim, decidimos trazer algo que mostrasse a época em  que viveu, os movimentos sociais e que tivesse relação com as eleições que se aproximam.

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Comentário de Juarez Mendes de Almeida em 3 outubro 2016 às 10:10

Bom dia meus amigos

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