Lançamento: “Herdeiros de nós Mesmos”, de Sidney Fernandes

Lançamento: “Herdeiros de nós Mesmos”, de Sidney Fernandes

O Autor, em 25 perguntas-respostas, explica, de forma simples, o conteúdo do seu novo livro.

Perguntas e Respostas

1 – Há espíritos que se comprazem no imobilismo, e se recusam a progredir?

Segundo Allan Kardec, todos temos duas perspectivas. A primeira, a de sofrer muito. A segunda, a de ser ditoso como os bons espíritos que nos rodeiam. Alguns pensam que poderão ficar para sempre na inércia e na imobilidade. Impossível!

O progresso é indefectível, ocorrerá quer queiramos ou quer tenhamos que ser empurrados.

Ninguém, no entanto, está fadado ao eterno estacionamento nas esferas inferiores. A um simples empurrão da espiritualidade, e a um simples gesto de protagonismo, sairemos da má situação em que nos encontramos.

Importante lembrar: cada dia de demora é um dia perdido na nossa felicidade.

2 – Em seu novo livro você trata do primeiro holocausto do século XX, ocorrido na África. Por que ele é tão desconhecido e somente agora começa a ser analisado, tanto sob o ponto de vista dos homens, como pela espiritualidade?

Em primeiro lugar, o holocausto dos judeus abrangeu cerca de seis milhões de vítimas. O genocídio dos hererós e namaquas atingiu algumas dezenas de milhares de vítimas (cerca de setenta a oitenta mil pessoas). A seguir, pelo poder e pela fibra do povo judeu. Hoje grande parte de Nova Iorque pertence aos judeus. E mesmo sem o seu território, mantiveram a unidade de sua raça. Isso é realmente impressionante. Não obstante, não é o número de vítimas que deve ser considerado e sim o mesmo desrespeito de que homens, mulheres e crianças foram vítimas.

3 – Os espíritos das vítimas não descansaram e voltaram para soprar para longe as areias e descobrir seus ossos clamando por justiça?

Atualmente a Ilha Shark — situada no sudoeste da Namíbia — é um local turístico. Os nativos que morreram nesse local foram esquecidos e estavam quase apagados da lembrança. No entanto, os ventos sopraram para longe as areias e apareceu uma enorme quantidade de ossadas, revelando o local de suas mortes horrendas. Esse aparecimento reavivou a tragédia vivida por hererós e namaquas. Muitos dizem que os espíritos dessas vítimas não descansaram e voltaram para, com seus ossos, clamar por justiça e dignidade.

4 – O que acontece com as vítimas de perseguições, torturas e assassinatos, quando chegam de volta ao plano espiritual?

Alguns desses irmãos, desarvorados, permanecem por tempo indeterminado em tenebrosas regiões espirituais. Outros, de índole pacífica e condescendente, prosseguem em suas jornadas evolutivas e consideram seus desafetos como enfermos, deixando que se entendam com a justiça divina. Outros, ainda, reencarnam com o objetivo precípuo de fazer justiça com as próprias mãos, empenhados em combater os inimigos e seus povos, imantando-se a eles, infiltrando-se em suas raízes, com a finalidade de lhes provocar os mesmos medos, as mesmas dores e as mesmas humilhações de que foram vítimas.

5 – Muitas dessas entidades trevosas aproximam-se de círculos de poder?

Tornam-se ardorosos seguidores de ideologias políticas, sociais e religiosas, que representam núcleos de poder, alastrando-se por pontos geográficos, os mais amplos possíveis, de preferência nos centros econômicos e culturais de maior projeção mundial. Galgam altos escalões hierárquicos e passam a influenciar acontecimentos e largos segmentos da sociedade.

6 – Basta o arrependimento e o reconhecimento dos próprios erros para que quitem suas responsabilidades?

Certas impurezas de nosso corpo perispiritual somente são liberadas com o filtro da reencarnação, cujo tempo restaurador corresponderá ao tempo da culpa deliberada. André Luiz chama esse fenômeno de carvão milagroso.

O Espiritismo, todavia, esclarece que a dor, a carência, a deficiência e os duros trabalhos de reajuste despertam, mas não renovam. A evolução somente acontecerá por intermédio da introspecção e da mudança interior.

7 – Você conta, em seu livro a história de Samuel, um ardoroso jovem cuja voz ressoou para chamar a atenção do mundo para os tristes momentos vividos por seus ancestrais, naquele que pode ser considerado o primeiro crime contra a humanidade ocorrido no século XX. Como veem, os protetores da Terra, essas reinvindicações?

Por um lado, lídimas e justas. Por outro, com preocupação, porquanto estão carregadas de ódios, ressentimentos e desejos de vingança. A condição de vítimas não nos outorga o poder de sermos tão cruéis quanto foram nossos verdugos.

8 – Por que, no livro, você chega a compará-lo a Paulo de Tarso e a chamá-lo de filho do trovão ou até de boi bravo?

Pelo temperamento muito parecido com o do jovem de Tarso, em quem Jesus investiu e transformou no maior divulgador do cristianismo de toda a história da humanidade. Samuel é um rochedo áspero que precisa ser lapidado, cujos olhos precisam ser abertos para sua verdadeira missão, na Terra.

9 – Qual, na sua opinião, é o personagem mais importante do seu livro?

Há muitos, que coadjuvam Samuel em sua abençoada tarefa de renovação própria e da causa que defende. Vó Tásia, no entanto, que encaminhava-se para o fim da vida, teve suas energias renovadas pela espiritualidade, uma verdadeira sobrevida, para, firme, mas com muita ternura, tentar domar Samuel, o boi bravo, o filho do trovão da modernidade, ao mesmo tempo, um verdadeiro vaso escolhido, assim como era Paulo de Tarso.

10 – De onde surgiu o destemor e à propensão à luta e à defesa dos direitos dos antepassados de Samuel Blake? Da mesma fonte étnica e da bravura de seus antepassados africanos?

Sim e não. No transcorrer do romance veremos outras influências, além das africanas, sobre a figura do jovem negro Samuel, que, gradativamente, serão conhecidas pelo leitor.

11 – — Por que o Cristo foi convocar um moço apaixonado e caprichoso, ferrenho defensor da Lei de Moisés? Qual a razão de aparecer para um perseguidor político-religioso, que não vacilava em torturar e matar, quando concluía que essas medidas extremas eram necessárias e oportunas? O moço de Tarso parecia mais um rochedo áspero, portador de um coração impulsivo e envenenado, um louco incapaz de ser piedoso diante de mulheres indefesas e crianças misérrimas. Por que motivo Jesus o escolhera?

Para tentar responder essas seculares perguntas, teríamos que conhecer o que o Cristo sabia e nós, até hoje, apenas podemos deduzir. Muito provavelmente, de longa data Jesus havia detectado no futuro rabino Saulo a energia, a determinação e a inflexibilidade, capazes de serem transformadas em lealdade e sinceridade, incondicional e consagradas ao serviço da mensagem cristã. Jesus fechou os olhos para os espinheiros ingratos, estendeu suas mãos divinas sobre aquela ovelha perdida e a transformou no gigante do Evangelho, que a ele se entregou para sempre.

12 – De onde surgiu a expressão filhos do trovão?

Dois discípulos de Jesus eram chamados de Filhos do Trovão. João e Tiago tinham caráter impulsivo e agressivo. Certa feita, quando transitavam pela Samaria ao lado de Jesus, por não encontrarem quem os abrigasse, perguntaram ao Mestre se poderiam evocar o fogo do céu para queimar os infiéis.

Jesus deve ter estranhado o caráter belicoso dos seus dois seguidores, pois os repreendeu dizendo que ele não tinha vindo para destruir, e sim para salvar os homens.

***

Seria Samuel um Saulo ou um Filho do Trovão, do século XX, que poderia se converter num Paulo de Tarso dos nossos tempos? A sua atitude de boi bravo teria sido considerada pelos mandatários da espiritualidade, para aproveitar o seu ímpeto, a sua determinação, a sua intensidade e veemência na defesa da honra de seus ancestrais, para redirecioná-lo a projetos de maior envergadura e importância aos olhos da vida maior? Com certeza, sem a menor sombra de dúvida…

13 – O personagem João DeOliveira é bastante importante em sua narrativa. Ele é totalmente fictício?

Na verdade, inspirei-me em personagem real, um brasileiro que mora nos Estados Unidos há mais de cinquenta anos, que conheci em uma de minhas viagens. Você tem razão, ele teve bastante influência na trama vivenciada pelo ativista Samuel.

14 – Você menciona o cerco que espíritos vingativos fazem em torno de um dos personagens. Isso realmente acontece?

Sim. Quando vítimas não perdoam seus algozes, podem se organizar para melhor atingir seus objetivos de vingança. André Luiz nos dá essa informação em vários de seus livros, particularmente no livro Libertação, em que ele descreve a existência de grandes organizações das trevas, na espiritualidade, como é o caso da dirigida por Gregório.

15 – A entidade San Francisco Spirit Society é fictícia?

Não. Utilizei o nome do centro espírita de São Francisco com autorização de seus dirigentes.

16 – Os personagens Theodor, Von Trotha e o rei Guilherme II são reais. De onde você tirou os desdobramentos na espiritualidade de seus desmandos e suas atividades posteriores aos seus desencarnes?

Embora os personagens Theodor Gotthilf Leutwein, Adrian Dietrich Lothar Von Trotha e o Kaiser Guilherme II tenham sido criados com base em pessoas reais, as informações sobre as suas reencarnações são ficcionais, com identidades diferentes, frutos de pesquisas e inspirações da espiritualidade

17 – A reencarnação de Theodor, como Teodoro, também foi ficcional? Não aconteceram a salvação das crianças judias a que você se refere em seu livro?

Este capítulo foi adaptado de fatos reais que envolveram Nicholas Winton, que realmente salvou 669 crianças judias, cujos descendentes, atualmente, perfazem mais de 5000 pessoas.

18 – O encontro de Naomi com Samuel é impressionante. Essa história foi criada por você mesmo?

Na verdade, baseei-me em belíssimo conto denominado O Guinéu da Coxa, de autoria de Charles Dickens, que adaptei à minha narrativa.

19 – Quando Samuel e Naomi se encontravam em Nova Iorque, eles recebem um telefonema da Inglaterra, provindo da Bisavó Tásia, que os advertiu de um atentado que poderia ocorrer nas proximidades do Central Parque. Esse atentado realmente existiu? Como ela sabia o que iria ocorrer? Já estava escrito?

Sim, esse atentado existiu e pôs termo à vida do beatle John Lennon, na noite de 08 de dezembro de 1980. Destino? Já estava escrito? Por isso foi possível que Tásia tomasse conhecimento prévio da crítica situação?

Lançamos, geralmente, à conta do destino, o que decorre de nossas falhas e fraquezas. A cada momento, com nossas atitudes, criamos o nosso próprio destino. Como nos ensina a Doutrina Espírita, se existisse o determinismo absoluto e o homem não tivesse o livre-arbítrio, não teria responsabilidade pelo mal que causasse, nem mérito pelo bem que praticasse.

O que aconteceu, afinal, com Vó Tásia? Pressentimento? Visão além dos sentidos humanos? Inspiração de espíritos bondosos?

No caso presente, sem dúvida, estivemos diante de avisos de Espíritos protetores. A sintonia de Tásia com espíritos elevados permitiu que o espírito familiar Teodoro pudesse avisá-la do iminente perigo. Pelos méritos de Samuel e Naomi — ambos sinceros e empenhados em causas nobres —, mobilizaram-se os recursos para que fossem alertados e protegidos.

20 – O arrependimento é passaporte para regiões felizes?

O arrependimento é caminho para a regeneração e nunca passaporte direto para o céu — ensina-nos André Luiz. A Divina Lei não concede paraísos de favor, nem estabelece infernos eternais.

21- Há um momento em que Samuel e Naomi são consultados sobre a possibilidade de receber um filho, viabilizando o resgate de vida pretérita, quando ele morreu por suicídio. Como ela poderia se tornar mãe, sendo estéril?

Mais uma vez baseei-me em fato real, narrado pelo Dr. Jorge Andréa no seu livro Os insondáveis caminhos da vida, em que sua esposa, mesmo sem mais poder engravidar, recebe novamente a bênção de ser mãe. Naomi, após assumir o compromisso, ao lado de seu marido Samuel, passou por processo espiritual que permitiu a maternidade, contrariando todos os prognósticos da medicina terrena.

22 – Você fala, em seu livro do fenômeno déjà vu, uma ilusão da memória que leva o indivíduo a crer já ter visto alguma coisa desconhecida ou nova. Isso realmente acontece?

Para alguns sensitivos, é um fenômeno comum, identificando desdobramentos, contatos na vida espiritual e mesmo acontecimentos futuros anunciados, geralmente durante o sono, por espíritos autorizados a levantar uma pequena ponta do véu que cobre o futuro. Para outros, uma curiosa e leve lembrança. O fenômeno pode ser acentuado, quando os espíritos julgam útil alguma revelação.

23 – O personagem Samuel tem uma parte de seu passado revelada. O esquecimento não é uma bênção para nossas vidas?

O teimoso personagem não acordaria para seus sérios compromissos, não fosse a interferência dos espíritos. Nesse caso, as lembranças foram providenciais para o seu despertamento.

24 – O que é o carvão milagroso?

É uma expressão de André Luiz, contida no livro Entre a Terra e o Céu para ensinar que o corpo físico não é apenas um vaso divino para o desenvolvimento de nossas potencialidades, mas também uma espécie de carvão milagroso capaz de absorver os tóxicos e resíduos que trazemos de volta no corpo perispiritual. Ele vê, no carvão milagroso, a solução mais adequada para o personagem Júlio, que há muitas vidas porta um mal em sua garganta, herdado de vidas anteriores.

Quando contrariamos as leis divinas, nosso envoltório semimaterial sensibiliza-se pela ação desequilibrante, obrigando-nos, mais cedo, ou mais tarde, ao trabalho de reajuste. A perturbação, que pode se expressar como doença, desequilíbrio, deformidade ou deficiência, geralmente nos acompanha na reencarnação. O abençoado corpo físico fará a mágica transformação, funcionando como abafador das moléstias da alma, curando-as gradativamente.

25 – Explique-nos o que é a Living is the best, citada em seu livro.

Trata-se de uma nova organização que, ao final do livro, os personagens criam, em Los Angeles, destinada a consolar e prevenir os casos de suicídio. O sugestivo nome foi retirado da última obra de Richard Simonetti, como homenagem ao autor de O Melhor é Viver.

Sidney Fernandes

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