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MEDIUNIDADE - dar de graça o que de graça se recebeu

Mediunidade - dar de graça o que de graça se recebeu

Por que Jesus recomendou a seus discípulos para que dessem de graça o que de graça receberam? Com que finalidade a mediunidade é concedida tanto a pessoas dignas como indignas? Quando se faz comércio com tal faculdade, ela verdadeiramente se presta ao socorro e à ajuda ao próximo? A mediunidade é a marca da grandeza espiritual do medianeiro?

 

 

 

        No Evangelho de Mateus (10:1-10), temos:

 

            Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades (de acordo com os postulados espíritas, podemos deduzir que Jesus apenas estimulou em seus discípulos uma faculdade que eles já traziam em estado latente). Ora, os nomes dos dozes apóstolos são estes: Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas, que foi quem o traiu.

            A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: (...) Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebeste, de graça dai. Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre nos vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador de seu alimento. [1] 

 

         Nessas palavras, podemos constatar que Jesus, ao estimular em seus discípulos os dons mediúnicos – ou seja, a capacidade de curar os mais diversos tipos de males, tanto os físicos como os espirituais –, alertou-os a que se abstivessem do usufruto de vantagens materiais na execução de tal tarefa. E o porquê dessa recomendação? Para que seus discípulos se conscientizassem da importância da generosidade que deve prevalecer entre todos os indivíduos, bem como da necessidade de não se buscarem motivações interesseiras no socorro que se presta a outrem. Somente assim é que eles, verdadeiramente, se tornariam dignos do bem que estariam praticando.

         A mediunidade, quando conduzida de forma abnegada, trata-se de valioso instrumento de disseminação do bem. E nessa sua associação com a benevolência e a generosidade, Allan Kardec assim a define:

 

            A mediunidade se prende a uma disposição orgânica da qual todo homem pode estar dotado, como a de ver, de ouvir, de falar.

          (...) A mediunidade é dada sem distinção, a fim de que os Espíritos possam levar a luz em todas as fileiras, em todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico; aos sábios para os fortalecer no bem, aos viciosos para os corrigir.

            (...) A mediunidade não implica, necessariamente, em intercâmbio habitual com os Espíritos superiores; é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos flexível aos Espíritos em geral. O bom médium não é, pois, aquele que comunica facilmente, mas aquele que é simpático aos bons Espíritos, e não é assistido senão por eles.  É neste sentido somente que a excelência das qualidades morais tem tanto poder sobre a mediunidade.  [2] 

 

         A mediunidade, patrimônio da alma imortal, é uma faculdade inerente a uma disposição orgânica, que se manifesta em maior ou menor estado de desenvolvimento, não implicando necessariamente relações habituais com os Espíritos Superiores.

         Na realidade, tal aptidão permite ao indivíduo encarnado – isto é, aquele que se encontra vivendo no mundo material – registrar vibrações, radiações ou estímulos que não podem ser captados por nenhum dos cinco sentidos, bem como servir de instrumento mais ou menos flexível aos habitantes do mundo espiritual. Trata-se, portanto, de uma habilidade profunda e complexa, cujo surgimento em uma pessoa não depende de idade, sexo, condição social ou filiação religiosa.

 

         A faculdade medianímica prende-se ao organismo; ela é independente das qualidades morais do médium, e é encontrada nos mais indignos como nos mais dignos. [3]

         A faculdade medianímica é um dom de Deus, como todas as outras faculdades, que se pode empregar para o bem, como para o mal, e da qual se pode abusar. Ela tem por objeto nos colocar em comunicação direta com as almas daqueles que viveram, a fim de receber seus ensinamentos e nos iniciar na vida futura. Como a vista nos põe em comunicação com o mundo visível, a mediunidade nos coloca em comunicação com o mundo invisível. Aquele que dela se serve com fim útil, para seu próprio adiantamento e o dos seus semelhantes, cumpre uma verdadeira missão, da qual terá a recompensa. Aquele que dela abusa e a emprega em coisas fúteis ou no objetivo do interesse material, a desvia do seu fim providencial, suportando disso, cedo ou tarde, as consequências, como aquele que faz mau uso de uma faculdade qualquer. [4] 

 

         Nessas considerações, podemos encontrar a possível motivação da advertência de Jesus. Ele sabia que se seus discípulos não fossem suficientemente firmes em suas responsabilidades perante os necessitados, poderiam desvirtuar-se, principalmente se deixassem seduzir-se pelos atrativos, ilusões e facilidades da vida material.

         Nesse sentido, o escritor espírita francês Léon Denis, poeticamente assim se expressa:

 

            A mediunidade é uma delicada flor que, para desabrochar necessita de acuradas precauções e assíduos cuidados. Exige o método, a paciência, as altas aspirações, os sentimentos nobres. [5] 

            (...) Mercadejar com a mediunidade é dispor de uma coisa de que se não é dono; é abusar da boa vontade dos mortos, pô-los a serviço de uma obra indigna deles e desviar o Espiritismo de seu fim providencial. [6]

 

         Os postulados espíritas professam que a mediunidade representa um importante e útil instrumento de Deus para alívio e instrução dos seres humanos, pois pode servir de veículo aos pensamentos e às idéias dos Espíritos Superiores. Porém, para ser colocada a serviço da benevolência e da generosidade, ela requer do médium um exercício bastante disciplinado, uma vida íntima ativa e bem direcionada, um consistente conhecimento do seu mecanismo e da sua estrutura, além da sintonia com as Esferas Superiores. No entanto, via de regra, é oportunidade de reabilitação e de evolução do próprio medianeiro, em virtude de ela ser concedida tanto aos dignos como aos indignos.

 

 

         A mediunidade, longe de ser a marca da nossa grandeza espiritual, é, ao contrário, o indício de renitentes imperfeições. Representa, por certo, uma faculdade, uma capacidade concedida pelos poderes que nos assistem, mas não no sentido humano, como se o médium fosse colocado à parte e acima dos vis mortais, como seres de eleição. É, antes, um ônus, um risco, um instrumento com o qual o médium pode trabalhar, semear e plantar, para colher mais tarde, ou ferir-se mais uma vez, com a má utilização dos talentos sobre os quais nos falam os Evangelhos. O médium foi realmente distinguido com o recurso da mediunidade, para produzir mais, para apressar ou abreviar o resgate de suas faltas passadas. Não se trata de um ser aureolado pelo dom divino, mas depositário desse dom, que lhe é concedido em confiança, para uso adequado. Enfim: o médium utiliza-se de uma aptidão que não faz dele um privilegiado, no sentido de colocá-lo, na escala dos valores, acima dos seus companheiros desprovidos dessas faculdades. [7]

 

 

Mediunidade gratuita

7. Os médiuns modernos – porque os apóstolos também tinham mediunidade – igualmente receberam de Deus um dom gratuito: o de serem os intérpretes dos Espíritos para a instrução dos homens, para mostrar-lhes o caminho do bem e conduzi-los à fé, e não para vender-lhes palavras que não lhes pertencem, porque não são o produto de sua concepção, nem de suas pesquisas, nem de seu trabalho pessoal. Deus quer que a luz alcance a todos; não quer que o mais pobre dela seja deserdado de possa dizer: Eu não tenho fé porque não pude pagá-la; não tive a consolação de receber os encorajamentos e os testemunhos de afeição daqueles que choro porque sou pobre. Eis porque a mediunidade não é privilégio, e se encontra por toda a parte; fazê-la pagar seria, pois, desviá-la da sua finalidade providencial.

9. Ao lado da questão moral, se apresenta uma consideração efetiva, não menos importante, que se prende à própria natureza da faculdade. A mediunidade séria não pode ser, e não será jamais, uma profissão, não somente porque seria desacreditada moralmente, e logo comparada aos ledores de sorte, mas porque um obstáculo material a isso se opõe; é uma faculdade essencialmente móvel, fugidia e variável, com a permanência da qual ninguém pode contar. (...) Mas a mediunidade não é uma arte, nem um talento, por isso ela não pode tornar-se uma profissão; não existe senão pelo concurso dos Espíritos; se esses Espíritos faltarem, não há mais mediunidade; a aptidão pode subsistir, mas o exercício está anulado; assim, não há um só médium no mundo que possa garantir a obtenção de um fenômeno espírita em dado instante. Explorar a mediunidade é, pois, dispor de uma coisa da qual não se é realmente senhor; afirmar o contrário é enganar aquele que paga; há mais, não é de si mesmo que se dispõe, são dos Espíritos, das almas dos mortos, cujo concurso é posto à venda; esse pensamento repugna instintivamente. Foi esse tráfico, degenerado em abuso, explorado pelo charlatanismo, a ignorância, a credulidade e a superstição que motivou a proibição de Moisés. O Espiritismo moderno, compreendendo o lado sério da coisa, pelo descrédito que lançou sobre a exploração, elevou a mediunidade à categoria de missão (Ver O Livro dos Médiuns, capítulo XXVIII; O Céu e o Inferno, capítulo XII).

10. A mediunidade é uma coisa santa que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requer essa condição de forma ainda mais absoluta, é a mediunidade curadora. O médico dá o fruto dos seus estudos, que fez ao preço de sacrifícios, frequentemente penosos; o magnetizador dá o seu próprio fluido, frequentemente mesmo a sua saúde; eles podem a isso por um preço; o médium curador transmite o fluido salutar dos bons Espíritos; ele não tem o direito de vendê-lo. Jesus e os apóstolos, conquanto pobres, não faziam pagar as curas que operavam.

Todo aquele, pois, que não tem do que viver, procure os recursos em outra parte do que na mediunidade; que não consagre a ela, se preciso for, senão o tempo de que possa dispor materialmente. Os Espíritos lhe terão em conta o devotamento e seus sacrifícios, ao passo que se afastam daqueles que esperam fazer deles um meio para subir. [8]

 

 

 

 A causa geral dos desastres mediúnicos é a ausência da noção de responsabilidade e da recordação do dever a cumprir.

Quantos de vós fostes abonados, aqui (essa é um palestra que se passa no mundo espiritual, onde Telésforo está falando para alguns Espíritos que faliram em sua mediunidade, quando encarnados), por generosos benfeitores que buscaram auxiliar-vos, condoídos de vosso pretérito cruel? Quantos de vós partistes, entusiastas, formulando enormes promessas? Entretanto, não soubestes recapitular dignamente, para aprender a servir, conforme os desígnios superiores do Eterno. Quando o Senhor vos enviava possibilidades materiais para o necessário, regressáveis à ambição desmedida; ante o acréscimo de misericórdia do labor intensificado, agarrastes à idéia da existência cômoda; junto às experiências afetivas, preferistes os abusos sexuais; ao lado da família, voltastes à tirania doméstica, e aos interesses da vida eterna sobrepusestes as sugestões inferiores da preguiça e da vaidade. Destes-vos, na maioria, à palavra sem responsabilidade e à indagação sem discernimento, amontoando atividades inúteis. Como médiuns, muitos de vós preferíeis a inconsciência de vós mesmos; como doutrinadores, formuláveis conceitos para exportação, jamais para uso próprio.

Que resultado atingimos? Grandes massas batem às fontes do Espiritismo sagrado, tão só no propósito de lhe mancharem as águas. Não são procuradores do Reino de Deus os que lhe forçam, desse modo, as portas, e sim caçadores dos interesses pessoais. São os sequiosos da facilidade, os amigos do menor esforço, os preguiçosos e delinquentes de todas as situações, que desejam ouvir os Espíritos desencarnados, receosos da acusação que lhes dirige a própria consciência. O fel da dúvida invade o bálsamo da fé, nos corações bem intencionados. A sede de proteção indevida azorraga os seguidores da ociosidade. A ignorância e a maldade entregam-se às manifestações inferiores da magia negra.

Tudo por quê, meus irmãos? Porque não temos sabido defender o sagrado depósito, por termos esquecido, em nossos labores carnais, que Espiritismo é revelação divina para a renovação fundamental dos homens. [9]

 

 

Silvia Helena Visnadi Pessenda

sivipessenda@uol.com.br

 

REFERÊNCIAS

 

 [1] BÍBLIA. PortuguêsBíblia de estudo AlmeidaBarueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999

 

[2] KARDEC, Allan. O livro dos médiunsTradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa36. ed. Araras, SP: IDE, 1995. Cap. 24. Item 12.

 

[3] KARDEC, Allan. O que é o espiritismoTradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa34. ed. Araras, SP: IDE, 1995. Cap. 2. Item 79.

 

[4] Idem. Item 88.

 

[5] DENIS, Léon. No invisível: espiritismo e mediunidade. Tradução de Leopoldo Cirne.15. ed.Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1994. Cap. 5. p. 67.

 

[6] Idem. Cap. 24. p. 377.

 

[7] MIRANDA, Hermínio C. Diálogo com as sombrasteoria e prática da doutrinação. 16. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2002. Cap. 2. p. 58.

 

[8] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismoTradução de Salvador Gentile, revisão de Elias Barbosa195. ed. Araras, SP: IDE, 1996. Cap. 26. Itens 7, 9 e 10.

 

[9] ANDRÉ LUIZ (espírito); XAVIER, Francisco Cândido (psicografado por). Os mensageiros33. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 1999. Cap. 6. p. 37-38.

 

 

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