Minha neta e a reencarnação

Antecipadamente peço permissão aos caros leitores para escrever na primeira pessoa, pois se trata de uma experiência real e particular.

Certa feita, quando minha neta contava cinco anos de idade, eu a convidei para uma visita à casa de meus pais, e de pronto ela aceitou.

Com os meus pais morava também minha avó materna, com quase cem anos de existência, e foi com ela que se deu, nessa oportunidade, uma experiência muito interessante.

É preciso destacar que, embora com desajustes físicos naturais da idade, a avozinha tinha uma inteligência invulgar, altamente espiritualizada e “antenada” nos fatos importantes do dia a dia da sociedade humana, fazendo uso da leitura constante, embora, curiosamente, não soubesse escrever.

Conversávamos descompromissadamente quando minha neta, em voz baixa ao meu ouvido, deu início a alguns questionamentos e um interessante diálogo se deu entre nós, que me chamou muito a atenção, e que tento reproduzir abaixo.

– Vovô, a avozinha está doente?

– Bebê, a vovozinha está com quase cem anos, e por isso com o corpo muito debilitado. Quando a gente envelhece o corpo perde as forças.

– Vovô, ela vai morrer?

– Sim, Bebê, mas não sabemos quando. Acontecerá com todos nós.

Com o semblante muito sério, e depois de pensar um pouco, falou:

– Vovô, eu não quero morrer.

– Não se preocupe com isso, Bebê, você ainda vai viver tanto quanto ela. Tomara, pensei eu.

– Vovô, eu não quero que o meu papai e a minha mamãe morram.

– Eles também ficarão velhinhos como ela, Bebê, não se preocupe. Vocês viverão juntos por muito tempo. Novamente, tomara, pensei eu.

Percebi nela um olhar triste, com o pensamento distante, talvez buscando uma explicação para a fatalidade da morte física, quando então lhe disse:

– Bebê, a avozinha vai desencarnar, e não morrer. Ela vai para o mundo espiritual, que é de onde nós saímos para viver aqui, e onde mora Jesusinho – Nosso Senhor Jesus Cristo, para ela – e depois de um certo tempo ela voltará a nascer aqui novamente.

– Ela vai nascer de novo, Vovô? Vai voltar a ser criancinha outra vez? Perguntou com um enorme brilho nos olhos, e com o semblante iluminado pela “solução” do problema morte.

– Sim, meu Bebê, e acontece com todos nós. Nascemos e desencarnamos muitas e muitas vezes para melhoramos nossos espíritos.

– Vovô, eu também quero nascer de novo. Eu posso?

– Fique tranquila, meu amor, você nascerá muitas e muitas vezes.

Já novamente alegre e descontraída, arrematou:

– Vovô, eu quero nascer de novo para chupar chupeta outra vez.

Rimos muito da motivação dela com a possibilidade do renascimento.

Bem, foi impressionante como o conceito da reencarnação solucionou suas dúvidas e dirimiram seus temores pela interrupção da vida. Ao tomar contato com a realidade do renascimento sua alegria transbordou, e rapidamente se descontraiu voltando à sua condição de criança feliz.

Duas lições se apresentaram à minha consciência.

A primeira é que sem preconcepção, cultural e religiosa, coisa que as crianças não têm em relação à reencarnação, é muito mais fácil entendermos e incorporarmos novas informações e regras reais da vida.

E a segunda, é que no transcurso do diálogo fiquei esperando ela dizer que também não queria que eu morresse. Mas ela não disse. Talvez porque eu não fizesse tanta falta a ela, e por isso mesmo passei a me analisar no quesito “que tipo de vovô tenho sido para ela?” e por extensão, que falta farei para todos os que convivem comigo?

Cheguei à conclusão que preciso melhorar muito com todos. Preciso participar de tal forma na vida alheia, para que as pessoas, ao menos em parte, tenham motivos suficientes para me amar e sentirem a minha falta, nas minhas ausências temporárias enquanto encarnado, ou definitiva quando desencarnado.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Minha neta e a reencarnação

Antecipadamente peço permissão aos caros leitores para escrever na primeira pessoa, pois se trata de uma experiência real e particular.

Certa feita, quando minha neta contava cinco anos de idade, eu a convidei para uma visita à casa de meus pais, e de pronto ela aceitou.

Com os meus pais morava também minha avó materna, com quase cem anos de existência, e foi com ela que se deu, nessa oportunidade, uma experiência muito interessante.

É preciso destacar que, embora com desajustes físicos naturais da idade, a avozinha tinha uma inteligência invulgar, altamente espiritualizada e “antenada” nos fatos importantes do dia a dia da sociedade humana, fazendo uso da leitura constante, embora, curiosamente, não soubesse escrever.

Conversávamos descompromissadamente quando minha neta, em voz baixa ao meu ouvido, deu início a alguns questionamentos e um interessante diálogo se deu entre nós, que me chamou muito a atenção, e que tento reproduzir abaixo.

– Vovô, a avozinha está doente?

– Bebê, a vovozinha está com quase cem anos, e por isso com o corpo muito debilitado. Quando a gente envelhece o corpo perde as forças.

– Vovô, ela vai morrer?

– Sim, Bebê, mas não sabemos quando. Acontecerá com todos nós.

Com o semblante muito sério, e depois de pensar um pouco, falou:

– Vovô, eu não quero morrer.

– Não se preocupe com isso, Bebê, você ainda vai viver tanto quanto ela. Tomara, pensei eu.

– Vovô, eu não quero que o meu papai e a minha mamãe morram.

– Eles também ficarão velhinhos como ela, Bebê, não se preocupe. Vocês viverão juntos por muito tempo. Novamente, tomara, pensei eu.

Percebi nela um olhar triste, com o pensamento distante, talvez buscando uma explicação para a fatalidade da morte física, quando então lhe disse:

– Bebê, a avozinha vai desencarnar, e não morrer. Ela vai para o mundo espiritual, que é de onde nós saímos para viver aqui, e onde mora Jesusinho – Nosso Senhor Jesus Cristo, para ela – e depois de um certo tempo ela voltará a nascer aqui novamente.

– Ela vai nascer de novo, Vovô? Vai voltar a ser criancinha outra vez? Perguntou com um enorme brilho nos olhos, e com o semblante iluminado pela “solução” do problema morte.

– Sim, meu Bebê, e acontece com todos nós. Nascemos e desencarnamos muitas e muitas vezes para melhoramos nossos espíritos.

– Vovô, eu também quero nascer de novo. Eu posso?

– Fique tranquila, meu amor, você nascerá muitas e muitas vezes.

Já novamente alegre e descontraída, arrematou:

– Vovô, eu quero nascer de novo para chupar chupeta outra vez.

Rimos muito da motivação dela com a possibilidade do renascimento.

Bem, foi impressionante como o conceito da reencarnação solucionou suas dúvidas e dirimiram seus temores pela interrupção da vida. Ao tomar contato com a realidade do renascimento sua alegria transbordou, e rapidamente se descontraiu voltando à sua condição de criança feliz.

Duas lições se apresentaram à minha consciência.

A primeira é que sem preconcepção, cultural e religiosa, coisa que as crianças não têm em relação à reencarnação, é muito mais fácil entendermos e incorporarmos novas informações e regras reais da vida.

E a segunda, é que no transcurso do diálogo fiquei esperando ela dizer que também não queria que eu morresse. Mas ela não disse. Talvez porque eu não fizesse tanta falta a ela, e por isso mesmo passei a me analisar no quesito “que tipo de vovô tenho sido para ela?” e por extensão, que falta farei para todos os que convivem comigo?

Cheguei à conclusão que preciso melhorar muito com todos. Preciso participar de tal forma na vida alheia, para que as pessoas, ao menos em parte, tenham motivos suficientes para me amar e sentirem a minha falta, nas minhas ausências temporárias enquanto encarnado, ou definitiva quando desencarnado.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

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