Nova tradução do Novo Testamento contribui para estudos

Nova tradução do Novo Testamento contribui para estudos

Os estudiosos do Evangelho dispõem agora de uma tradução que não é vinculada a interpretações de uma religião. Com apresentação, tradução e notas de Frederico Lourenço – tradutor premiado que já verteu obras clássicas do grego para o português -, traduziu a Bíblia direta do grego, isenta de interpretações religiosas, com interesse “histórico-linguístico, e não teológico”. Frederico Lourenço é professor de Estudos Clássicos, Grego e Literatura Grega da Universidade de Coimbra (Portugal).
Em Portugal está disponível toda sua obra completa, e agora, chega às livrarias brasileiras, pela Editora Companhia das Letras, o primeiro volume, contendo os quatro Evangelhos.
O leitor conta com preciosas informações históricas e comparativas desde a Apresentação. O tradutor também fornece ricas contribuições nos capítulos iniciais “Introdução aos quatro Evangelhos” e “O grego dos Evangelhos e a presente tradução”. Apresenta ainda Notas Introdutórias aos textos de cada um dos quatro evangelistas.
Junto aos textos dos evangelistas há uma grande quantidade de notas de rodapé trazendo contribuições para a melhor compreensão dos versículos.
Ao final da obra de 412 páginas, o tradutor Lourenço inclui um “Quadro alfabético-temático dos quatro Evangelhos” e depois apresenta a Bibliografia utilizada para seu trabalho de tradução e de estudos históricos e linguísticos.
A nova tradução do Novo Testamento contribui com subsídios bem fundamentados e extremamente valiosos para os estudiosos dos textos dos Evangelhos.
Dados da ficha catalográfica:
Bíblia, volume I: Novo Testamento: os quatro Evangelhos / tradução do grego, apresentação e notas por Frederico Lourenço. 1a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

http://grupochicoxavier.com.br/primeira-edicao-da-biblia-toda-tradu...
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Tradução da Bíblia do grego, feita por especialista, isenta de interpretações religiosas, com interesse “histórico-linguístico, e não teológico”.
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Primeira edição da Bíblia toda traduzida do grego para o português começa a ser lançada no Brasil
Português Frederico Lourenço, que vem para Flip em julho, comenta diferenças no texto

POR LEONARDO CAZES
29/04/2017 4:30 / ATUALIZADO 29/04/2017 11:52
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O tradutor português Frederico Lourenço, que se dedica a traduzir a Bíblia do grego para o português

RIO - Apesar da onipresença da Bíblia em lares e igrejas brasileiras — é o livro mais lido no país, segundo a pesquisa “Retratos da Leitura”, realizada pelo Ibope Inteligência para o Instituto Pró-Livro —, as edições do Brasil, e também de Portugal, foram traduzidas de várias línguas diferentes. A principal fonte foi o latim, graças à difusão ao longo de séculos pela Igreja Católica. Os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, presentes no Novo Testamento, foram escritos originalmente em grego. Agora, chega às livrarias brasileiras, pela Companhia das Letras, uma tradução direta do grego feita pelo português Frederico Lourenço, professor de Estudos Clássicos, Grego e Literatura Grega da Universidade de Coimbra. O seu interesse pela Bíblia é “histórico-linguístico, e não teológico”, afirma ele, que já traduziu os outros livros do Novo Testamento e e está trabalhando no Velho Testamento. Esses volumes também serão lançados no Brasil.
Em entrevista ao GLOBO, o professor conta que decidiu encarar a empreitada após escrever “O livro aberto”, de ensaios sobre a Bíblia. Essa obra será lançada pela editora Oficina Raquel durante a 15ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), em julho, da qual Lourenço será um dos convidados. Ele destaca que a nova tradução dá a oportunidade de ler um texto mais próximo da intenção original dos seus autores.
— Achei que faltava em português uma tradução feita para ser lida sob a perspectiva da história do primeiro cristianismo e não à luz das igrejas que vieram depois — explica. — Após ter decidido traduzir o Novo Testamento, decidi traduzir também o Antigo Testamento grego, por esse ser a Escritura judaica lida pelos primeiros cristãos.
A Bíblia grega nasceu em Alexandria, no Egito. Qual foi o contexto histórico que levou a essa empreitada, que teria envolvido cerca de 70 tradutores?
Não se sabe ao certo como nasceu a tradução do Antigo Testamento grego. A lenda dos 72 tradutores não passa disso mesmo, de uma lenda; mas o fato de ter sido necessário traduzir o Antigo Testamento hebraico para grego mostra a crescente helenização da cultura judaica em toda a zona oriental do Mediterrâneo. A Escritura não foi só traduzida para grego para que pudesse ser lida por não judeus; foi sobretudo para ser lida por judeus que já eram falantes de grego como língua materna.
O senhor aponta indícios de que os quatro evangelistas eram leitores da Bíblia grega. De que maneira isso pode ter influenciado a redação dos seus evangelhos?
Nota-se a presença da Bíblia grega em cada página do Novo Testamento, na forma como a Escritura judaica (o Antigo Testamento) é citada e também interpretada. O caso mais evidente que todos conhecem ocorre no primeiro capítulo de Mateus, com a citação de Isaías sobre a virgem que engravidará e dará à luz um filho. A palavra “virgem” não está na frase hebraica de Isaías; está só na tradução grega de Isaías. Os exemplos são incontáveis. Também nas cartas de Paulo vemos em cada página citações da Bíblia grega que têm uma fraseologia diferente da que conhecemos do texto hebraico.
O conceito de autoria dos evangelhos é bastante controverso. Devemos acreditar que os quatro evangelistas foram quatro pessoas diferentes?
Essa é uma questão que, ao fim de quase 2000 anos, continua em aberto. Eu penso que não é possível sabermos ao certo quem escreveu os quatro evangelhos. Para quem lê o texto em grego fica claro que Mateus e Lucas se inspiraram em Marcos, e que João pertence a uma tradição independente. Também não sabemos os nomes reais dos autores, porque nenhum evangelho está internamente assinado, como é o caso das cartas de Paulo ou do livro de Apocalipse. No caso do evangelho de João, custa-me acreditar na autoria coletiva, dado que o texto tem uma coerência estilística muito coesa, tirando o episódio da mulher adúltera e o último capítulo.
Toda tradução carrega uma dose de mediação. A Bíblia grega é capaz de nos aproximar de um texto dos evangelhos mais próximo de como eles foram escritos?
É o texto grego do Novo Testamento que nos leva mais perto das intenções da sua escrita. Por isso não concordo com Bíblias traduzidas do latim, do inglês ou do francês, como é o caso de muitas que circulam em língua portuguesa. No caso do Novo Testamento, temos sempre de partir do texto grego. No entanto, é impossível recuperar o texto original tal como ele foi primeiramente escrito, porque os manuscritos mais antigos que temos no Novo Testamento completo são do século IV. E depois disso há milhares de manuscritos até ao século XV, e todos apresentam diferenças.
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O senhor enumera uma série de contradições entre os quatro evangelhos em episódios fundamentais da história de Jesus. Há uma explicação para a Igreja manter essa diversidade de versões?
Quando nós comparamos os evangelhos canônicos com os apócrifos, não temos dificuldade em entender a importância que foi dada a Mateus, Marcos, Lucas e João. Estão numa categoria conceitual e literária muito acima de qualquer evangelho apócrifo que tenha chegado até nós. Não se sabe a razão da manutenção dos quatro evangelhos em vez da opção pela fusão dos quatro num só, como fez Taciano, mas é algo que deve inspirar a nossa gratidão. Uma das maiores riquezas do cristianismo é termos esses quatro retratos diferentes de Jesus. O que me parece errado é desvalorizar as diferenças e fingir que os quatro dizem a mesma coisa.
Você poderia falar sobre o “O livro aberto”, que será lançado em julho, na Flip?
Nesse estudo procuro colocar as questões que se levantam quando lemos a Bíblia de uma perspectiva crítico-histórica, sem recurso à interpretação teológica. O que proponho é que as incoerências são uma característica compreensível, dado o fato de o Livro constituir a reunião de muitos livros escritos por pessoas diferentes em épocas diferentes. Proponho linhas de leitura para quem se interesse pela Bíblia fora do âmbito eclesiástico, seja ele católico ou protestante.
Afinal, a Bíblia que se lê na maioria dos lares e igrejas do Brasil está errada?
Essas Bíblias (traduzidas de outras línguas) não trazem diferenças na trama, mas trazem no pormenor. A melhor tradução será sempre aquela que leva o leitor a entrar nas complexidades e nos pormenores do grego e do hebraico. Uma tradução da Bíblia que fomente a ilusão de que o texto não levanta problemas linguísticos não é, na minha opinião, uma boa tradução. Aceito que, para leitura na igreja, se queira uma Bíblia traduzida de modo a facilitar o entendimento oral do texto. Mas depois em casa as pessoas podem interessar-se por conhecer os problemas que estão por trás das palavras que ouviram na igreja. É nesse sentido que eu pretendo contribuir para uma leitura crítica e informada da Bíblia.
Extraído de: https://oglobo.globo.com/cultura/livros/primeira-edicao-da-biblia-t...

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