O ATEÍSMO MUNDIAL EM NÚMEROS INQUIETANTES (Jorge Hessen)

Jorge Hessen
http://aluznamente.com.br

A propagação do ateísmo e do materialismo é inquietante. Nos dias atuais tem crescido o número de pessoas que se declaram sem religião. No Brasil, até os anos 70, elas eram menos de 1% da população. Nos anos 90, 5,1%; em 2013 mais de 15 milhões de brasileiros dizem não ter religião conforme o IBGE. Segundo dados da Enciclopédia Britânica, em 1994 cerca de 240 milhões de pessoas declaravam-se ateístas e mais de 900 milhões diziam-se não religiosas. Hoje o grupo dos que se declaram ateus, agnósticos (1) ou sem religião em todo o mundo só fica atrás daqueles que se dizem cristãos (2 bilhões de pessoas) e muçulmanos (1,2 bilhão de pessoas).
Na era do “homo tecnologicus”, os ateus, agnósticos ou não filiados a alguma religião formam 16,3% da população mundial (aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas), percentual superior ao de hindus (15%), budistas (7,1%), seguidores de religiões étnicas ou folclóricas (5,9%) e judeus (0,2%).
Crer ou não crer? - Os números do ateísmo no mundo são os seguintes: Na Suécia, 85% da população não acredita em Deus; na Dinamarca, 80%; na Noruega, 72%; no Japão, 65%. A China ocupa o 36º lugar no ranking de países com mais percentual de ateus (14%). Em números absolutos, porém, é onde vivem mais pessoas sem crença; na Rússia, 69 milhões; no Vietnã, 66 milhões; na Alemanha, 40 milhões, na França, 32 milhões; nos EUA, 26,8 milhões; na Inglaterra, 26,5 milhões. (2)
O teórico ateu Mikhail Bakunin, da Rússia, afirmava que "a ideia de Deus implica a abdicação da razão e da justiça humanas; é a negação mais decisiva da liberdade humana e, necessariamente, termina na escravização do homem. Bakunin inverteu o aforismo voltairiano – “se Deus não existisse, seria preciso inventá-lo” – afirmando que se “Deus realmente existisse, seria necessário aboli-lo”. Não é por acaso que significativa parte dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião estão em países comunistas ou ex-comunistas, onde tradicionalmente a religião foi rejeitada em grande medida.
Não cremos que haja ateus na essência, embora entendamos que existam pessoas que divergem das concepções equivocadas acerca de um deus (minúsculo), criado pela teologia que foi formando na dinâmica dos evos. Porém, ateus convictos, isto é, fundamentados com contextos validos, não acreditamos que existam. A todo pensamento lógico, Deus surge, na verdade jamais como importância negativa, mas como positiva, fundamentante, como o Ser que torna plausível todo o existir.
O complexo ideológico ateísta esbarra no problema do “mal” no contexto das revelações inconsistentes e no argumento da descrença. Outros assuntos do universo ateísta são de cunhos filosóficos, sociais e históricos. Os ateus tendem ao ceticismo em relação a afirmações sobrenaturais, citando a falta de evidências empíricas que provem sua existência (os materialistas têm alergia ao mundo espiritual). A demanda racionalista de Kant e do Iluminismo só acolhe o conhecimento deduzido pelo racionalismo lógico. Esta forma de “ateísmo” afirma que as divindades não são perceptíveis como uma questão de princípio e, portanto, sua existência não pode ser conhecida. O ceticismo, baseado nas ideias de Hume, por exemplo, afirma que a certeza sobre qualquer coisa é impossível, por isso nunca se pode saber da existência de um Deus.
A obra “Essência do Cristianismo” publicada em 1841, por Ludwig Feuerbach, entusiasmou filósofos como Engels, Marx, David Strauss e Nietzsche. Feuerbach considerava que Deus é uma invenção humana e que as atividades religiosas são usadas para a realização de desejos. (3) Karl Marx e Friedrich Engels argumentaram que a crença em Deus e na religião são funções sociais, utilizadas para narcotizar a mente. Marx procurou “alforriar” o homem de Deus, entretanto, algemou-o a um outro deus (terrível, cruel e alienante), ou seja, o “estado totalitário”, cuja individualidade se torna volátil e aprisionada ideologicamente para escorar a grande máquina fabricante de abastanças para pequenos clãs dirigentes.
Nietzsche regurgitava que Deus foi a maior ameaça do homem. O ceticismo nietzschiano do século XIX almejou “matar” Deus a fim de introjetar a ideia de um “Super-Homem”, ou seria o precursor do Clark Kent do planeta diário? Vamos raciocinar um pouco. De que maneira o irrequieto filósofo poderia proclamar a “morte” de um ente que, segundo expunha, inexistia? A “morte” de Deus nos termos em que se exprimem os nietzschianos (se possível distantes das “kryptonitas”), culmina na confissão de sua existência, exceto se pudéssemos “matar” o nada.
É por essas e outras que Louis Pasteur afirmava no século XIX que “um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”. Esse pensamento induz a ideia de que uma noção científica pouco profunda serve tão somente para distanciar o homem de Deus e, em sentido contrário, leva à conclusão de que todos os profundos conhecedores da Ciência estão adjuntos de Deus.
Por mais que os materialistas procurem justificar seu ateísmo, este só pode subsistir em palavras desocupadas, ocas, desprovidas de qualquer substância moral, filosófica e científica. Os Espíritos asseguram que “nunca houve povos de ateus. Todos seres compreendem que acima de tudo há um Ente Supremo.” (4) Para Allan Kardec, “sempre houve e haverá cada vez mais espiritualistas do que materialistas e mais devotos do que ateus.”. (5) Certa vez, o mestre de Lyon consultou a condição espiritual de um ateu desencarnado. Este revelou o seu estado psicológico no além, nos seguintes termos: “Sofro pelo constrangimento em que estou de crer em tudo quanto negava. Meu Espírito está como num braseiro, horrivelmente atormentado”. (6)
A prova da existência de Deus está no axioma que aplicamos às ciências. Não há efeito sem causa, logo, tudo o que não é obra do homem a razão responderá. Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O Universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa. Todos nós trazemos na consciência a certeza da existência de Deus que não poderia ser fruto da educação ou resultado de ideias adquiridas, pois se assim fosse por que existiria nos selvagens esse sentimento inato?
É verdade! “Se o sentimento da existência de um ser supremo fosse tão-somente produto de um ensino, não seria universal e não existiria senão nos que houvessem podido receber esse ensino, conforme se dá com as noções científicas.”. (7)


Referências bibliográficas:
(1) Enquanto os ateus negam a existência de Deus, os agnósticos garantem não ser possível provar a existência divina.
(2) Pesquisas de Phil Zuckerman (2007), Richard Lynn (2008) e Elaine Howard Ecklund (2010), ONU, adherents.com, American ReligiousIdentification Survey, The Pew Research Center, Gallup Poll, The New York Times, Good, Nature, Live Science e Discovery Magazine.
(3) Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ate%C3%ADsmo acesso em 24/11/2013
(4) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questão 651 , RJ: Ed FEB, 2001
(5) Kardec Allan. A Gênese, Cap. XI item 4 RJ: Ed FEB, 2001.
(6) Kardec Allan. O Céu e o Inferno Segunda Parte, Cap. V , RJ: Ed FEB, 2001
(7) Kardec Allan. O Livro dos Espíritos, questões 4,5 e 6 , RJ: Ed FEB, 2001

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Comentário de Marcos Vieira dos Santos em 16 dezembro 2013 às 7:16

Não falo pelos ateus mas me sinto contente por eles, Paulo C.Castro, pelas suas palavras. Não temer o outro é o primeiro passo para tentar entender. Minha mulher é espírita e por causa do meu ateísmo ela não pratica o espiritismo, o que acho uma pena. E o que você diz tem tudo a ver. Ela teme as coisas que penso e tenta me impedir de dizer mas também se limita em praticar o que acredita.

Eu não creio em Deus e não sei bem porque, porque assim como não há nenhuma boa razão para crer em Deus, parece não hever para não crer também. Então, a gente não deve temer o outro. Devemos, sim ouvir o que o outro tem a dizer, esmiuçar seus argumentos, ler seus livros, etc.

Eu gosto da idéia do espírito. Não do espiritismo em sí que é religião baseada em Deus e na bíblia cristã. Porque do espírito se alega ser parte integrante das pessoas, e essas eu posso ver. E acho que a gente, se não tiver medo do outro, consegue conversar essas coisas dentro do respeito, que é a crença do outro.

E por falar nisso, e para fechar, medo é o que fez o Jorge escrever esse texto.

Mais coragem, Jorjão!

        

Comentário de Carla Porto Fabres em 10 dezembro 2013 às 20:50

Obrigada amigo marcos Vieira dos Santos!!!Entendi sua explicação. Foi exatamente isso que você explicou que tentei colocar, faltou complementar com a "idéia". Obrigada pelo reforço!!! É isso que admiro nos amigos, estamos sempre aprende juntos!!!Abraços.

Comentário de Marcos Vieira dos Santos em 9 dezembro 2013 às 12:43

Não está de todo errada, Carla Porto Fabres, quanto à personalidade dos ateus, he he he. Mas quanto à negação de Deus, tem um errinho básico. O ateu não nega Deus como existindo ou não existindo. Deus existe e é uma ideia! Sua negação só é possível porque a ideia existe! Porque se não, eu posso negar a existência do homem aranha e você vai me dizer a mesma coisa, ou seja, se eu estou negando o homem aranha, o homem aranha existe, kkkkkkk.

Comentário de Carla Porto Fabres em 6 dezembro 2013 às 23:04

Partindo do princípio que só podemos negar, rejeitar, temer, como também acreditar, aceitar,simpatizar com aquilo que existe, então o ateu pode não acreditar em Deus, mas sua negação só é possível porque Deus existe. Os ateus em sua grande maioria, não todos claro, são pessoas dotadas de auto suficiência, e não gostam ou não admitem necessitarem dos outros. Normalmente são bem autoritários e nada flexíveis em suas opiniões!!! No fundo, são pessoas inseguras e que necessitam passarem uma imagem inversa do seu verdeiro "eu". Assim eu os vejo!! Desculpem se estou errada.

Comentário de Marcos Vieira dos Santos em 2 dezembro 2013 às 15:08

"Não cremos que haja ateus na essência" - Penso que a existência dos ateus está condicionada à não crença em Deuses, sejam eles pequenos, grandes, energéticos, ondulatórios ou seja lá a forma que se queria dar-lhes. Ateu na essência é tão somente quem não acredita em Deus, e não está condicionado à crença dos espíritas. Essa forma de colocar o argumento é falacioso. Trata-se do ad-hominem ou seja, descaracterizar o oponente não pelo seu argumento mas pela sua característica. Isso não é honesto intelectualmente e portasnto em nada contribui com a doutrina espírita.

Ciência/Louis Pauster/Deus - Embora o espiritismo queira se apoderar da ciência como veículo de suas idéias, ainda não encontraram o elo entre o que se alega( existência de alma/espírito ) e o mundo real, físico, tridimensional com o tempo sendo uma quarta dimensão. Então, segundo a ciência metódica da natureza, o espiritismo se quer pode ser considerado ciência. Uma das premissas básicas da ciência é a conclusão a partir de uma hipótese. No espiritismo a conclusão já existe( e existência de espíritos/planos espirituais ) antes da busca. De forma que ciência espírita não existe conceitualmente! Existe apenas uma faceta de várias religiões sincretizadas por Kardec.

 

Comentário de Maria Cristina Ribeiro Adkins em 1 dezembro 2013 às 11:56

Concordo com a explanação dos amigos Paulo Castro e Marcelo Lima. O mundo em geral está muito materialista, há uma perda de valores muito grande e vem transmitindo as gerações mais jovens e sabemos que o mundo sofre grandes transformações no momento. O acreditar, a Fé, O Amor também são esquecidos da Humanidade e esse tema sem dúvida é muito amplo sob todos os prismas. Muito obrigada por compartilhar esse artigo.

Comentário de Marcelo Lima em 27 novembro 2013 às 10:34

Somos espíritas conscientes, entendemos sobre a imortalidade da alma, das leis universais e do planejamento divino, contudo, cada um tem seu entendimento, chegará a hora que os "Ateus" se renderão a verdade da forma primária.

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