A ideia da existência das Almas Gêmeas se perde na noite dos séculos.

O filósofo grego Aristófanes, contemporâneo de Sócrates, há quase dois mil e quinhentos anos, descreveu o mito das Almas Gêmeas no livro O Banquete, de Platão.

Conta ele que no princípio de todas as coisas os Deuses criaram os seres vivos, dentre eles os seres humanos, então chamados Andróginos, que tinham uma característica muito curiosa: eram seres duplos. Masculino e feminino unidos pelas costas, com duas cabeças, quatro pernas e quatro braços, e as respectivas morfologias sexuais correspondentes.

A felicidade era uma constante na vida dos Andróginos, pois que todas as suas necessidades eram satisfeitas por eles mesmos, uma vez que tudo conseguiam, ora pela personalidade masculina, ora pela feminina. Elas, as personalidades, se completavam.

Viviam de tal forma descontraídos que em determinada época resolveram formar uma pirâmide humana para alcançar a morada dos Deuses, o que foi considerado uma petulância. Um humano jamais poderia alcançar tal objetivo.

Zeus, o maior dos Deuses, e em nome de todos, tomou uma decisão definitiva e logo a pôs em prática. Separou à fio de espada as personalidades masculinas e femininas que formavam os andróginos, fazendo cicatrizar a ferida resultante da divisão corporal, e espalhou-os, individualmente, pelo mundo.

Desde então, os dois seres, que outrora se completavam, se procuram um ao outro para concretizar o sonho da felicidade sem fim.

* * *

Ainda nos dias de hoje deixamo-nos levar pela ideia de que a nossa felicidade será satisfeita pela simples presença de um outro ser humano junto de nós. Transferimos assim a responsabilidade de nos fazer feliz para ombros alheios que, por sua vez, além de não conseguirem se fazer felizes, passam a ter a obrigação de atender nossos anseios.

A ingenuidade precisa ser substituída pela lógica. Como não há seres perfeitos neste mundo, jamais haverá alguém que nos atenda em todos os nossos desejos, mesmo porque, imperfeitos que somos, há situações que nem nós próprios sabemos o que queremos.

Aprendemos com a Doutrina Espírita, que vivemos em um mundo em que os seres que aqui estamos estão em processo evolutivo, recém-saídos da animalidade, que tem como objetivo a felicidade, mas que só será concretizada com a perfeita sintonia com a Lei de Deus que, segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, é a Lei de Amor.

Esperar, portanto, a perfeição do próximo para sermos felizes é infantilidade espiritual, pois que a felicidade é consequência, e não um presente em si mesma, por isso a troca de parceiros tão somente porque não mais nos satisfazem as pretensas necessidades, é trocar de problema quando ainda não conseguimos entender qual é a solução.

Se para a vida de relação o Senhor Jesus aconselha o perdão, a abnegação de si, o fazer para o próximo o que queremos para nós, porque a cada um é dado conforme suas obras, muito mais precisamos fazer para aqueles que elegemos como parceiros afetivos.

Se para os inimigos, o amor, o quê então para os amigos e parceiros conjugais?

Trata-se, portanto, de dar amor, de fazer o outro feliz no que depender de nós, tendo em conta que, segundo Jesus, não há prova maior de amor do que dar alguém a sua vida pelos seus amigos – leia-se, nesse caso – parceiros conjugais.

E assim, e só assim, conseguiremos construir relacionamentos felizes, planejados ou não anteriormente à esta vida, tanto quanto se pode conseguir na Terra, enquanto planeta de expiação e provas.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro.

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Comentário de Tácito Pereira em 12 junho 2018 às 23:12

Uma boa reflexão para o dia de hoje, ou todos os dias do ano. 

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