Perdoar ao próximo nos liberta de um pesado fardo e nos livra de uma série de doenças físicas e psicológicas. Contudo a pergunta principal que fazemos é: como perdoar?
O primeiro passo é colocarmo-nos em prece, perante o Criador e expormos sinceramente nossa raiva, nossa indignação e nossa dificuldade para perdoar.
O segundo passo, como nos orienta o mestre de Nazaré, é pedirmos auxílio para que a Misericórdia Divina acalme o nosso coração, nos pacifique.
Poderemos evitar revidar o mal que o outro nos fez, contudo, para vencer a mágoa ao nível das emoções e da mente, precisamos de ajuda e essa ajuda nos vem através da oração. Por isso o meigo rabi da Galileia nos aconselhava a orarmos pelos nossos inimigos.
Em alguns casos o efeito da prece ocorre de imediato. Em outros, a prece terá que ser repetida em várias oportunidades, mas, aos poucos, inexoravelmente a nossa mágoa e rancor irão diminuir, por mais motivos que tenhamos para nos indignar.
Quando a nossa raiva diminuir, vale a pena tentarmos enxergar a beleza do outro, a sua humanidade, a sua singularidade, a presença de Deus nele, ainda que escondida. Se não conseguirmos fazer isso, mais uma vez a oração é um auxílio indispensável.
O terceiro passo é usarmos a nossa mente para vestirmos a pele daquela pessoa e perguntarmo-nos:
E se eu estivesse no lugar dessa pessoa?
Se eu não dispusesse de todas as oportunidades materiais e morais que hauri ao longo da vida, como agiria nessa situação?
Um dos maiores malefícios é nos colocarmos como vítimas (mesmo que de fato sejamos), pois a nossa mágoa aumenta exponencialmente. Por mais que tenhamos razão, esse mecanismo de defesa nos isola da nossa essência divina e coloca-nos uma venda nos olhos que impede que enxerguemos a luz no outro e, consequentemente, em nós mesmos.
Jesus, que não fez mal a ninguém, no último momento na cruz em meio a zombarias e agressões das pessoas, em vez de se “vitimizar”, exclamou: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem!”.
Que possamos nos lembrar de Jesus, nosso modelo e guia (pergunta 625 de O livro dos espíritos) toda vez que nos julgarmos prejudicados por alguém. Mesmo que contra-argumentemos que não somos Cristo, que não temos ainda a sua evolução, é importante recordar que ele próprio nos disse que o ‘reino dos céus’ está dentro de cada um de nós, ou seja, todos nós somos capazes de perdoar, porque, como ele, estamos unidos a mesma fonte de misericórdia e amor e podemos acessá-la sempre que quisermos.
Uma das atitudes que aumentam bastante nossa vitimização é compartilhar o mal que sofremos com outras pessoas. Nossos amigos tendem a nos dar razão, endossando o nosso de vista e polarizando nossa percepção. Poderemos, sim, desabafar o ocorrido com alguém, desde que essa pessoa seja sensata, imparcial e nos ajude a perceber os nossos próprios erros ou, pelo menos, o ponto de vista do outro.
Assim, pedindo ajuda ao nosso ‘eu superior’, indaguemo-nos:
- Por que isso me irrita tanto?
- Qual a parte de mim que não estou aceitando?
-  O que me leva agir assim, mesmo que de forma camuflada e sutil?
Ao descobrir a sombra que vemos no outro em nós mesmos, o ressentimento tende a diminuir acentuadamente.
Uma vez descoberta essa negatividade em nós, o importante é por em prática um trabalho de autoperdão. Para que perdoemos o outro é necessário que primeiro nos perdoemos.
O quarto passo é colocarmos a mão no arado e trabalhar na seara do bem, mesmo magoados com alguém. Quanto maior a mágoa, mais devemos nos entregar de corpo e alma a um trabalho voluntário. Visita a hospitais, campanha do quilo, trabalhos mediúnicos, idas a creches... A doutrina espírita nos oferece inúmeras oportunidades para pacificarmos o nosso coração mediante o trabalho. Como tudo é uma unidade, quando fazemos um bem, estamos beneficiando a nós mesmos e, indiretamente, ao nosso desafeto. O próprio verbo ‘perdoar’ significa doar-se através de si.
Então esses são os passos para o perdão: no campo emocional a admissão de nossa mágoa; na esfera espiritual a oração; no plano mental a empatia, a autoanálise e autoperdão; no terreno físico o trabalho no bem, mesmo que direcionado a outras pessoas.
Se praticarmos todos esses passos, perceberemos que o perdão não é propriamente para o outro, mas para uma parte de nosso psiquismo que não queríamos ver ou aceitar. Constataremos que nunca tivemos inimigo algum, pois este estava dentro de nós, em nossa mente. E, finalmente, daremos conta de que aquele desafeto era, na verdade, um grande mestre, um anjo instigador, que fomentou a nossa evolução e autoconhecimento.
Aprendendo a perdoar seremos gratos aos nossos inimigos, a Deus e à vida, e encontraremos, aqui e agora, o ‘reino dos céus’ em nós!  (Por Fernando Antonio Neves)

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