RELIGIÃO E POLÍTICA


Aylton Paiva (*)

É comum as pessoas dizerem que a religião e a política não se combinam. Que não se deve discutir política.

Na primeira afirmação há confusão entre a religião formal e a politicalha e mesmo com a política partidária. Na segunda afirmação continua haver confusão e ignorância, pois poucas pessoas, e mesmo poucos espíritas, sabem o significado do termo política e as suas diferentes categorias.

O termo política precisa ser convenientemente entendido para que se saiba que, em sua essência, a política não é incombinável com a religião, ou melhor esclarecendo, com a religiosidade. Então, nesse emaranhado de desconhecimentos só pode haver mesmo confusão e desentendimento.

Abordando apenas a religião cristã, em suas múltiplas interpretações, seu fundamento são as palavras de Jesus, narradas pelos evangelistas. A essência desses ensinamentos são: a Justiça e o Amor. Disse Jesus: “Amará o teu próximo com a ti mesmo.” ( Matheus, 22:39) e “ Tratai todos os homens com quereríeis que eles vos tratassem. (Lucas, 6:31).

Revelando o amor solidário o Mestre conta a Parábola do Samaritano (Lucas, 10:25). Esses mesmos fundamentos norteiam a Política quando a entendemos como: ” A ciência e a arte da administração justa para o Bem comum.”. O que só pode ser feito baseando-se nos valores da justiça e do amor solidário.

A confusão surge e o repúdio aparece quando, por ignorância, se confunde a Política com a política partidária e com a ” politicalha “. A política partidária é instrumento fundamental do processo democrático que, se não é perfeito, é o melhor na atual fase do processo sócio político da humanidade.

Destarte, das agremiações partidárias é que devem sair, pelo exercício do voto livre dos cidadãos, as pessoas que ocuparão os cargos nos poderes Legislativos e Executivos, nos níveis: municipal, estadual e nacional.

Já a “ politicalha” é o uso indevido dos cargos políticos legais e legítimos por pessoa canalha que quer se beneficiar da política para a satisfação dos seus interesses egoísticos individuais e de grupos. Esta merece sempre a indignação individual e coletiva e os meios legais para anulá-la. Não se deve levar, pois, para o ambiente do centro ou do movimento espírita a política no sentido da política partidária e, menos ainda, da” politicalha”.

No entanto, a Política como ciência e arte da administração justa para o bem comum, já está no conteúdo das Leis Morais, 3ª parte de O livro dos Espíritos, ditado pelos Mentores Espirituais e organizado e sistematizado por Allan Kardec. Esse conteúdo referente à administração justa e amorosa, expressando a solidariedade está contido nos capítulos: Da lei do trabalho, Da lei Da lei de reprodução, Da Lei de destruição, Da lei de sociedade, Da lei do progresso, Da lei de igualdade, Da lei de liberdade, Da lei de justiça, de amor e de caridade e Da perfeição moral.

Portanto, esse conteúdo que se relaciona com a Filosofia, com a Sociologia, com a Economia, com a Política, com o Direito, com a Ecologia e com os ensinamentos de Jesus sobre a Justiça e o Amor deve merecer o estudo de todos os espíritas e deve ser estudado nos centros, instituições espíritas e em palestras, seminários e congressos espíritas.

Tal visão da Política os espíritas precisam ter para serem cidadãos conscientes dos direitos e deveres individuais e coletivos e, assim, terem critérios para avaliação dos candidatos indicados pelos partidos para os cargos nos Poderes Legislativo e Executivo, no âmbito do Município, do Estado e da União.

Como todo cidadão, o espírita deve, portanto, ser consciente da Política. Conforme sua vocação ou aptidão poderá participar ou não da política partidária. Todavia, jamais poderá participar da “politicalha”, sob pena de declinar dos seus conceitos éticos e morais. “Amará o teu próximo como a ti mesmo.”. Jesus ( Mateus, 22:39).

(*) INSTITUTO ESPÍRITA DE PESQUIS, ESTUDO E AÇÃO SOCIAL – www.iepeas.blogspot.com.br

DE: http://grupochicoxavier.com.br/religiao-e-politica/

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Comentário de Sheila Maria Rangel Marques em 29 janeiro 2018 às 20:57

Estamos ainda no aprendizado das escolhas e, só o exercício e a evolução moral nos colocarão em melhores assertivas. Mas o não julgar, o respeito ao semelhante e aos seus equívocos é importante, é caridade para ele e para nós mesmos, particularmente aos nossos enganos também!

Comentário de Euclides em 23 janeiro 2018 às 15:04

Muito bem colocado, bem fundamentado e insofismavelmente verdadeiro.

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