“... A obediência e a resignação, duas virtudes companheiras da doçura, muito ativas, embora os homens as confundam erradamente com a negação do sentimento e da vontade. A obediência é o consentimento da razão, a resignação é o consentimento do coração...”
 
      
A subserviência pode esconder falta de iniciativa, passi­vidade indesejável, complexo de inferioridade e uma imaturi­dade de personalidade.
       Obedecer não é negar a vontade e o sentimento, mas exercitar o próprio poder de escolha para cooperar com os outros na produção de algo maior e melhor do que aquilo que se faria sozinho.
       Assim considerando, a obediência deve ser uma postura in­terna, racional, lógica, compreensiva e a mais consciente possível.
       Os problemas do servilismo ou da subserviência nas cria­turas foram gerados em muitas circunstâncias na infância, quando pais instigavam o medo e a ameaça como forma de obter obediência dos filhos. Trata-se de um propósito cômodo e muito rápido, mas contra-indicado na complexa tarefa de educar.
       Adultos que herdaram tal formação familiar, se não fo­rem espíritos maduros e decididos, com farta bagagem espiri­tual e valores desenvolvidos, poderão viver com essa “intrusão educacional”.
       Esse modo forçado de obedecer aos outros de­senvolve neles uma postura de anulação das próprias metas, pois substitui sua independência pela vontade alheia.
       Outros tantos trazem das vivências anteriores sentimentos de culpa por abandonarem sem nenhuma consideração entes que­ridos. São verdadeiros “clichês mentais” arquivados no inconsciente profundo, que detonam em forma de obediência e servidão com­pulsória, para compensar o passado infeliz.
A Psicologia, por seu turno, assevera que certos indivíduos desequilibrados por conflitos herdados na infância trazem enraiza­dos em sua personalidade uma necessidade enorme de satisfazer seus “sentimentos de mando” e “de autoridade”, sempre impondo ordens, métodos e regras que, obedecidos passivamente, lhes trazem um enorme prazer e satisfação.
Essas pessoas ao entrarem em contato com personalida­des submissas, compensarão sua neurose de “dar ordens”, e em muitos casos, somam ao seu impulso agressivo a “neurose de autoridade”, satisfazendo assim suas características sádicas, dominando e afligindo essas criaturas servis, por anos e anos.
O ser humano que se sujeita a ordens de comando vive constantemente numa confusão mental, absorvendo na atmosfera íntima uma sensação de “não ter agradado o suficiente”. Numa tentativa inútil de cumprir e concordar com ordens recebidas, cai quase sempre na decepção, na revolta e na indignação, pois esperava receber amor e consideração pela obediência executada.
Muitos de nós tivemos pais que nunca se importaram em nos “impor limites”, fatores indispensáveis para que a criança aprenda a conhecer o “não”, evitando a ilusão de que terá tudo a seu dispor e que jamais encontrará obstáculos e dificuldades.
Viver querendo ter sempre nossos desejos realizados e executados é “exigir obediência”, a qualquer preço, daqueles que nos cercam.
Paralelamente, com o passar do tempo, essa postura pode se tornar inversa. Ao invés de exigirmos sujeição de todos os nos­sos pontos de vista, passamos a “nunca dizer não”, sempre tentan­do satisfazer os outros, sempre dizendo “sim”, ainda que precise­mos ir às últimas conseqüências.
Por outro lado, uma pessoa que “nunca diz não” só pode ser “desonesta”, porque diz que “faz” e “dá” muito mais do que “tem” e “pode”, expondo-se sempre ao risco de ser tachada de hipócrita e, além de tudo, de não realizar sua própria missão na Terra, porque se arvorou em correr atrás das realizações dos outros.
“A obediência é o consentimento da razão”. Quem con­sente alguma coisa permite que se faça ou não, conforme achar conveniente à sua maneira de agir e pensar. “A resignação é o con­sentimento do coração”, ou melhor, os sentimentos falarão mais alto e a criatura abdicará o seu direito em favor de alguém, ou de uma causa, por livre e espontânea vontade, já que o direito era de sua competência.
Efetivamente, a obediência e a resignação, virtudes às quais Jesus de Nazaré se referia, não são aquelas que “os homens as confundem erradamente com a negação do sentimento e da vontade”, conforme bem define o espírito Lázaro no texto em reflexão.
Lembremo-nos, portanto, de que servir nem sempre será considerado virtude, visto que essa postura de nossa parte pode simplesmente estar camuflando uma obrigação compulsiva de agradar a todos, bem como pode estar desviando-nos de nossa real missão na Terra, que é crescer e amadurecer espiritualmente.
 
LIVRO: RENOVANDO ATITUDES
FRANCISCO DO ESPÍRITO SANTO NETO
DITADO PELO ESPÍRITO HAMMED

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Comentário de Margarida Maria Madruga em 8 março 2012 às 0:09

GLÓRIA,

Realmente a Irmã Vera tem suas razões. Um belíssimo texto que nos interioriza a reflexão de cada sim ou não - atitudes diversas.

Também vou fazer como a Vera - Estudar e Refletir.

Obrigada pela grande oportunidade.

Beijos em seu Coração!

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