Sobre os Eventos Espíritas pagos – Uma reflexão Doutrinária

Temos acompanhado o desenvolvimento da divulgação espírita no Brasil e no Mundo, e percebemos com que intensidade tem sido realizados Encontros, Congressos, Simpósios, e congêneres, com a cobrança de valor monetário para se adentrar aos referidos eventos.

A respeito do assunto, vos convidamos, humildemente, para refletirem sobre a questão em tela, sob duas vertentes.

A primeira vertente é a questão da composição da sociedade humana.

A divulgação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo Ele mesmo, deveria ser para toda a gente, dando de graça o que de graça se recebe, ou seja, sem nenhum tipo de pagamento, e toda gente significa todo tipo de gente com um mínimo de interesse em ouvir...

Acontece que muitos, diríamos mesmo a maioria, dos que desejam ver e ouvir não possuem condições financeiras para pagar pela participação nos eventos pagos. Cada um de nós tem suas possibilidades e prioridades financeiras.

Raciocinando em termos de Classes Sociais, que são decorrentes da distribuição das riquezas em nosso mundo, encontramos em O Livro dos Espíritos:

“A desigualdade das condições sociais é uma lei da natureza?

– Não. É obra do homem e não de Deus. (Item 806)

Se a divisão dos seres humanos em classes sociais não é obra de Deus, mas dos Homens, não está fundamentada na Lei de Amor, que se resume, na sua essência, em fazer ao próximo o que gostaríamos que a nós fosse feito.

Lembremo-nos, ainda uma vez, de algumas considerações a cerca das diferenças sociais, contidas na Codificação:

“Aquele que, investido de autoridade, segue as palavras do Cristo não despreza nenhum dos que estão abaixo dele, porque sabe que as diferenças sociais não existem perante Deus.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. VII, François, Nicolas, Madeleine, Cardeal Morlot - Paris, 1863);

“A lei de amor substitui o individualismo pela integração das criaturas e acaba com as misérias sociais.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XI, A Lei de Amor - Lázaro - Paris, 1862);

“Eu vos disse, recentemente, meus queridos filhos, que a caridade sem a fé não basta para manter entre os homens uma ordem social capaz de torná-los felizes.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XI, Um Espírito Protetor - Cracóvia, 1861);

"Acreditais, então, realmente, que vos serão levados em conta os cuidados e os esforços que fazeis movidos pelo egoísmo, a vaidade e o orgulho, enquanto esqueceis o cuidado com o vosso futuro, assim como dos deveres de solidariedade fraterna, obrigatórios a todos os que desfrutam das vantagens da vida social? (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XVI, Um Espírito Protetor - Cracóvia, 1861).

Por dedução, tudo o que for feito pelos homens que contribua para a manutenção desse estado de coisas – as Classes Sociais – será feito contrariando a Lei de Amor e, consequentemente, a Justiça Divina, portanto, contrário à caridade.

Isso torna toda e qualquer justificativa pela cobrança vazia de razão, porque só a defendem aqueles que não são impedidos, financeiramente, de entrarem nesses Eventos, ou os que ganham algum dividendo, material ou subjetivo, para si ou para suas Entidades Sócio - Jurídicas, com os referidos eventos.

A segunda vertente tem a ver com a mediunidade.

Sabemos que os espíritos são atraídos para junto dos encarnados pelo pensamento e desejos que estes desenvolvem e sustentam (Item 467 de O Livro dos Espíritos), e que por isso estamos todos sempre em relação, via conjunção de ondas afins, com os espíritos desencarnados.

Ora, a sintonia com desencarnados por si só indica ato mediúnico, ou seja, nenhum palestrante ou orador fala sem que esteja sendo assessorado por entidades espirituais, e é evidente que, por mais brilhante e em consonância com a pureza doutrinária seja a exposição, não significa que essa entidade aceite o mecanismo da cobrança pela entrada ao evento. Provavelmente só o faz para aproveitamento da situação a despeito de toda a estrutura humana em jogo, e lembremo-nos:

Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos; suprem-lhes os organismos materiais que lhes faltam para nos transmitir suas instruções; eis porque são capacitados com dons para esse fim. Nestes tempos atuais de renovação social, têm uma missão especial: são como árvores que devem dar o alimento espiritual aos seus irmãos. Devem multiplicar-se para que o alimento seja farto; serão encontrados em todas as partes, em todos os países, em todas as classes sociais, junto aos ricos e aos pobres, aos grandes e aos pequenos, a fim de que não faltem em nenhum lugar e para provar aos homens que todos são chamados.” (O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XIX, item 10, por Allan Kardec).

Diante do exposto, entendemos que não se justifica, em hipótese alguma, a cobrança por eventos doutrinários espíritas. Perguntar-se-ia então: como realizá-los? A resposta é simples: com qualquer outro mecanismo de arrecadação para o custeio dos eventos, que não seja a cobrança individual pela entrada.

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro.

Membro fundador do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier (Há 31 anos), de São José do Rio Preto - SP, e palestrante espírita há trinta anos.

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