Nunca foi tão necessário mergulhar em Kardec.

 

Wellington Balbo – Salvador BA.

 

Allan Kardec foi, com justiça, considerado um homem ponderado. Logo de cara, no início do regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, deixou clara a proibição da discussão de temas que poderiam suscitar paixões avassaladoras e brigas como as que vemos hoje em nosso movimento espírita. Diria que nos “odiamos” fraternalmente, tudo regado aos clichês de muita paz e beijos de luz.

Quais temas: política, economia e religião.

Abro um parêntese aqui para alguns comentários. Depois retornaremos ao assunto principal do texto.

Penso que podemos e devemos debater qualquer assunto, contudo ainda não estamos acostumados a sermos contrariados.

Quando divergem de nós logo consideramos tratar-se de um inimigo, de alguém que quer nos abater.

Em ambientes educados as pessoas divergem, mas respeitam-se, não se adjetivam de maneira pejorativa e utilizam da empatia, fórmula “mágica” que possibilita a convivência com civilidade.

É interessante ressaltar que ao concordar com o autor de um texto, uma ideia, artigo ou seja lá o que for, estamos, em realidade, prestando um triubuto à nossa forma de pensar e enxergar as coisas. Talvez seja este um dos motivos pelos quais temos repugnância ao diferente, ele não bate “continência” para nossas ideias.

Voltemos, porém, a Kardec.

Kardec não queria afastar-se do objetivo de estudar os fenômenos espíritas. A ideia dele era ter um grupo fechado, sem discussões infrutíferas que poderiam gerar animosidades e atrapalhar o bom andamento das coisas. Conhecedor da alma humana, sabia que temas deste quilate dão gigantescas dores de cabeça.

Melhor, por prudência, evitar os temas acima mencionados. Nada de palanque para impropérios. O objetivo do Espiritismo tinha uma amplitude muito maior do que guerra de egos, luta para ter razão e etc.

 Entretanto, Kardec deixa uma sugestão fabulosa caso ainda os espíritas arrumem confusão por questões políticas.

Se houver ruídos na comunicação e desentendimentos ameaçarem a segurança e estabilidade do grupo, Kardec propõe uma ideia muito interessante baseada nas concessões.

Em realidade, Kardec utiliza o termo "mútuas concessões" para que cessem os desentendimentos... Eu sei, é necessário uma boa dose de humildade para descer do pedestal e crer, mesmo que de forma pálida, a possibilidade de existir vida inteligente fora da nossa esfera de raciocínio.

Não há, para Kardec, o passo de apenas um indivíduo em direção ao outro, mas o passo de ambos a fim de que a paz seja restabelecida.

Por isso ele diz: mútuas concessões.

Parece-me que nunca Kardec foi tão atual.

Nunca os temas por ele propostos foram tão importantes de serem estudados pelos espíritas.

Fica uma sugestão para pensarmos a respeito.

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Respostas a este tópico

Se a necessidade de mergulharmos em Kardec se deve às nossas  necessidades de aprendizado, porq é que, já passados 20 séculos da chegada dos ensinamentos de Jesus, no Novo Testamento, e 1 e meio século da chegada dos ensinamentos que estão na codificação, até hoje esses ensinamentos não nos permitiram  conhecer  um dos temas básicos da doutrina, que é saber porq uns são bons e outros são maus? A doutrina explica que essa grande desigualdade se deve ao livre-arbítrio mas, se no princípio, éramos todos perfeitamente iguais, porq é que nossos livres-arbítrios não eram também perfeitamente iguais?!

Interessante questionamento, colega Luis.

Contudo, penso que a questão está bem esclarecida na resposta a pergunta 114, do livro dos espíritos, que diz que os espíritos não são bons ou maus por natureza, mas que, que se melhoram, escalando as escalas para a perfeição (todos tem que percorrer - resposta à questão 127, do livro dos espíritos). Ratificando tal ponto, está a resposta da pergunta 120, que diz que todos os espíritos passam pela fieira da ignorância (não do mal), sendo que, o que define o seu caminho (bom ou mal) é o seu livre arbítrio. A resposta a pergunta 122, que é ainda mais esclarecedora, diz que o livre arbítrio se desenvolve no espirito á medida em que ´cada espirito  adquire consciência sobre si mesmo, ou seja, nossos livres arbítrios não são perfeitamente iguais, porque cada espirito é único e tem consciência de si mesmo em momentos distintos. Não haveria liberdade se a escolha pelo bom ou mal caminho fosse determinada por causa independente  da vontade do espírito (veja também a resposta à questão 123).

A criação dos espíritos é igual (resposta à pergunta 127), mas como o livre arbítrio é uma construção do próprio ser a medida em que tem consciência de si, não há desigualdade por parte do criador. É como dizer de 2 irmãos gêmeos que nascem numa mesma familia, com igualdade de tratamento e condições e que tomam caminhos diferentes durante suas vidas.
Ainda que assim considere não estar esclarecida a questão, lei as respostas às perguntas 78, 83 e  96 do Livro dos Espíritos.

Espero ter contribuído de alguma forma.

Paz e Luz


luis conforti junior disse:

Se a necessidade de mergulharmos em Kardec se deve às nossas  necessidades de aprendizado, porq é que, já passados 20 séculos da chegada dos ensinamentos de Jesus, no Novo Testamento, e 1 e meio século da chegada dos ensinamentos que estão na codificação, até hoje esses ensinamentos não nos permitiram  conhecer  um dos temas básicos da doutrina, que é saber porq uns são bons e outros são maus? A doutrina explica que essa grande desigualdade se deve ao livre-arbítrio mas, se no princípio, éramos todos perfeitamente iguais, porq é que nossos livres-arbítrios não eram também perfeitamente iguais?!

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