ENTREVISTA COM PAULO FIGUEIREDO PARA A RIE – REVISTA INTERNACIONAL DE ESPIRITISMO

 

 

E A Vida Continua...”

Nova adaptação da literatura espírita chega aos cinemas prometendo emoção e consolidando a produção nacional do gênero

 

Cássio Leonardo Carrara – cassio@oclarim.com.br

 

Paulo Figueiredo nasceu em São Paulo-SP, em 6 de março de 1940, e ganhou destaque no cenário nacional por sua carreira de ator, diretor e roteirista na TV, no cinema e no teatro. Atuou em várias novelas, como “Éramos Seis”, “Terra Nostra”, “Laços de Família” e “Escrava Isaura”, na TV Globo. Em 2012 integrou o elenco da minissérie “Rei Davi”, na TV Record. No cinema, participou de vários filmes, principalmente na década de 1970, como ator, diretor e roteirista. Toda a sua experiência está agora voltada para a direção do 10o filme espírita produzido no Brasil nos últimos cinco anos: E A Vida Continua..., baseado no último livro da “Série André Luiz”. Nesta entrevista, Paulo Figueiredo fala sobre a produção e as expectativas de mais um longametragem espírita que em breve estará nos cinemas brasileiros.

 

RIE – Como surgiu a ideia e por que a escolha do último livro da série André Luiz para adaptação ao cinema?

Paulo Figueiredo – A Literatura Espírita oferece material amplo e variado, dividindo-se entre obras voltadas ao conhecimento puramente didático da Doutrina, e outras, identificadas como romances, contos, novelas,  cartas,  mensagens, que utilizam personagens quase sempre reais,  vivendo  ou relatando seus dramas, suas histórias, com o propósito de levar o leitor à reflexão, ao estudo, através da exposição dramatizada. Romances, em especial os biográficos ligados à Doutrina Espírita, têm sido adaptados para o cinema, com alguma frequência.  Os critérios que levam à escolha de determinada obra para a transposição de mídia partem, via de regra, do sucesso que o livro possa ter alcançado junto ao público e de sua viabilidade como filme.  Certas obras literárias são condenadas como “inadaptáveis”, por terem conteúdo e forma narrativa “não visual”, excessivamente verborrágica, descritiva demais. O primeiro e o último livros da série A Vida no Mundo Espiritual, de André Luiz (“Nosso Lar” e “E A Vida Continua...”) são obras perfeitamente adequadas à transposição para a tela. Contam histórias de seres humanos comuns, cujas vidas, na Terra e no Mundo Maior foram comoventes e exemplares processos de evolução espiritual.  Milhares de  livros ligados à Doutrina servem para adaptação cinematográfica. Eu apenas comecei com “E A Vida Continua...”.

 

RIE – O filme foi exibido em março no II Festival de Cinema Transcendental, em Brasília-DF. Como você sentiu a reação do público em relação ao filme?

Paulo – O II Festival de Cinema Transcendental, em Brasília/DF, em março último, serviu como importante teste junto ao grande público. Pude observar e sentir, da maneira mais objetiva e eficiente possível, as reações das pessoas na plateia durante a projeção do filme. Ao longo de cada diferente trecho, notei perfeita compatibilidade entre o que se passava na tela e a consequente reação de todos. Isso significa, eu acho, que as minhas intenções, meus propósitos como autor do filme foram transmitidos ao público da forma imaginada já a partir da criação do roteiro, o que é uma recompensa extraordinária.

 

RIE – Qual a data prevista para estreia? Quais cidades receberão primeiramente o filme?

Paulo – A estreia está prevista para agosto ou setembro. Serão em 60 salas de cinemas, primeiramente nas capitais, depois em outras cidades.

 

RIE – Comente sobre a trilha sonora.

Paulo – Música e silêncio. A arte de usar cada um destes componentes da melhor maneira num filme é dificílima. Convoquei um amigo chamado Beto Ninni, músico de grande talento e experiência para compor a trilha sonora. Mergulhou fundo, extraiu de cada cena a mais expressiva inspiração, e foi construindo, passo a passo, o que resultou numa bela sucessão de comentários incidentais e músicas temáticas, ao longo do filme.  “E A Vida Continua...” é uma história de características simples, e a música teria de seguir este propósito. Assim foi pensado e feito. Não mais que molduras para emoções.

 

RIE – Em quanto tempo e onde foram realizadas as gravações?

Paulo – Voltar no tempo é necessário, agora. No início dos anos 1970 escrevi uma peça teatral (inacabada) e dei-lhe o mesmo nome do livro no qual me inspirei: “E A Vida Continua...”.  Meio timidamente busquei estimular parceiros no ambiente artístico, e fora dele, para que embarcassem comigo no projeto. Mas fui descobrindo, aos poucos, a inviabilidade desta minha pretensão. Excessivo número de atores, montagem complexa e caríssima, participação de pessoal técnico e de produção altamente sofisticado, e o script incompleto, fizeram com que o projeto mergulhasse fundo numa gaveta e por lá ficasse. Até mesmo o nosso sempre querido Chico Xavier chegou a me dar conselhos quanto ao projeto, numa consulta que lhe fiz a respeito. Mais recentemente, por volta de 2004, tive o prazer de conhecer e privar da amizade de um homem chamado Oceano Vieira de Melo, historiador, documentarista, muito dedicado a estudos profundos do Espiritismo e de seus mais célebres expoentes. Afinidades e objetivos comuns vieram à tona quanto a unir experiências profissionais e vivências do cotidiano com a velha vontade de ajudar, através do cinema, na divulgação de histórias sempre tão atuais, dessas que impressionam e ao mesmo tempo levam à reflexão, sobre questões em geral muito próximas do dia a dia de todos nós, humanos aprendendo a viver. A parceria surgiu sem esforço e o antigo sonho voltou decidido a virar realidade. Vamos fazer “E A Vida Continua...”! Planejado o filme, saímos à procura de locações e recursos de várias espécies. Para nossa surpresa, as coisas foram se encaixando de tal forma, que logo tínhamos à nossa disposição locais como o Instituto Bairral, em Itapira, que cedeu suas instalações para que ali montássemos cenários reproduzindo recantos da Colônia Espiritual Nosso Lar. No Bairral rodamos cerca de setenta por cento de “E A Vida Continua...”. Outras tantas pessoas amigas, instituições, empresas de São Paulo e de Bragança Paulista colaboraram decisivamente para a realização, envolvendo-se material e espiritualmente no projeto. Esse envolvimento, a propósito, estende-se a todo o pessoal técnico e artístico participante, desde as funções mais humildes no set de filmagem até os protagonistas. Entre as fases a que chamamos pré-produção, produção e pós-produção, dois anos foram consumidos até o instante de apresentar o filme numa tela. É pouco trabalho, se comparado ao que os nossos mais belos sonhos esperam como resultado: plantar nos corações e mentes dos nossos irmãos pelo menos um pouco de amor.

 

RIE – Qual o critério de escolha dos atores principais?

Paulo – O elenco artístico foi determinado de um jeito que se pode entender como natural. Vieram sugestões de nomes para cada papel. Conforme me apresentavam os atores e as atrizes indicados, mais e mais me dominava o sentimento de que se tratava de uma escolha já feita, que aquelas eram as pessoas ideais, e pronto!

 

RIE – E a expectativa de público? Espera-se o mesmo sucesso de filmes como “Nosso Lar” e “Chico Xavier”?

Paulo – Não importa a quantidade de espectadores que o filme terá.  Se apenas um receber o recado e o usar para mudar sua vida para melhor, já teremos sido regiamente pagos.

 

RIE – Nos últimos cinco anos foram produzidos 10 filmes espíritas no Brasil. Qual a importância desse trabalho para divulgação espírita em relação ao público leigo?

Paulo – Finalmente estamos vendo filmes espíritas realizados por espíritas. Isso garante a fidelidade à obra adaptada ou aos princípios que abraçamos e que tanto nos ensina e consola. Como somos educados na Doutrina Espírita para a paz e para o bem, queremos compartilhar com outras pessoas o que recebemos da Espiritualidade, sem proselitismo, naturalmente.

 

RIE – E em termos artísticos? Pode-se dizer que foi criado um novo segmento de mercado?

Paulo – Sim e não. O gênero já existia, mas através de produções realizadas por pessoas que desconhecem o Espiritismo. Em algumas ocasiões, realizavam-se cenas inadequadas para assunto tão sério e que todos os espíritas já sabem. Quanto ao segmento, só o tempo dirá se ele se manterá. Público nós temos. Basta pensarmos em produzir filmes normalmente sem nos preocupar com grandes orçamentos, e pensar somente em adaptar obras caras de serem produzidas. Pode-se muito bem adaptar obras literárias espíritas respeitando não só nossos princípios, como também a arte cinematográfica.

 

RIE – Há projetos para novos filmes da série André Luiz ou com temática espírita?

Paulo – Sim, mas, por enquanto, esse projeto está em fase de negociação. 

publicado com autorização de Cássio Leonardo Carrara

 

 

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Respostas a este tópico

Muito obrigada ao Paulo Figueiredo e Oceano Vieira de Melo, que nos proporcionaram a alegria de assistir tão bonito trabalho dirigido a divulgação do espiritismo, E a Vida Continua.... Abrçs

Muito interessante. Filmes espíritas feitos por espíritas.

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