Apocalipse, 1: 11 e 12

11 Que dizia: O que vês, escreve-o num livro e envia- o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia.

que dizia: O que vês, escreve-o num livro; o que vês, a voz lhe chama a atenção para a necessidade de aguçar sua visão, ou seja, tornar seu olhar capacitado a ver o que é sutil. Dissemos que a audição apropria os nossos sentidos de forma mais imediata, mas para estarmos preparados para o Reino do Senhor é preciso que estejamos com estes sentidos mais perceptivos, é preciso “ver”, saber ver e discernir, e o que vermos divulgar com o objetivo de ensinar, de promover o Bem.

Escreve-o num livro; interessante aqui ser destacado o livro, que não disse o Senhor, simplesmente, escreve? Ou, escreve num pergaminho? A resposta está em Isaías:

Vai, pois, agora, escreve isto em uma tábua perante eles e aponta-o em um livro; para que fique escrito para o tempo vindouro, para sempre e perpetuamente.1

Ou seja, era uma Revelação de peso, que seria importante em todos os tempos da humanidade, por isso precisava ficar registrada de forma completa e para sempre.

Além disto, era uma Revelação ampla que não poderia ser analisada por um trecho apenas, tratava-se de um conjunto de informações e que deveria ser estudada como um todo; por isso teria que ficar registrada num livro.

e envia- o às sete igrejas que estão na Ásia; o livro tinha uma objetivo, assim, deveria ser enviado ao seu publico alvo. Não podemos guardar aquilo que nos é revelado, temos que dar divulgação ao que é bom. É muito comum em nosso meio comprarmos um bom livro, lermos, guardarmos em nossa biblioteca e deixá-lo lá quietinho.

Se for bom, é dever do Cristão enviá-lo a quem possa ser por ele ajudado, emprestarmo-lo, ou mesmo doá-lo se for o caso.

Às sete igrejas que estão na Ásia; já analisamos a mesma expressão quando comentamos o quarto versículo deste mesmo capítulo.

Elas podem ter vários significados no plano histórico, geográfico, religioso, e no campo pessoal.

Toda nossa evolução se dá num plano setenário, que são ciclos que envolvem sempre uma equação de “sete”.

Vamos ter a oportunidade de no decorrer deste texto explanar mais sobre o assunto apesar de nossas limitações.

Aqui devemos entendê-las em seu sentido de unidade, de universalidade, mas também de diversidade, pois cada uma, como cada um de nós se acha numa fase evolutiva e tem as suas peculiaridades.

Éfeso, e a Esmirna, e a Pérgamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia; estas são as “sete igrejas” a quem a Revelação é dirigida.

Vamos tentar trabalhá-las como componentes do movimento cristão de um modo geral; ou facetas de nossa própria personalidade. O objetivo do Evangelho é reeducativo, e reeducação como sabemos é algo que deve ser feito individualmente, no plano íntimo de cada um, pois educar do ponto de vista espiritual não é tarefa que pode ser feita em massa.

No segundo e terceiro capítulo do Apocalipse vamos ter o conteúdo das observações direcionadas a cada igreja, razão porque vamos deixar para quando estivermos analisando estes capítulos maiores comentários a respeito de cada uma individualmente e sobre as consequências morais que podem despertar em cada um de nós.

12 E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro;

E virei-me para ver quem falava comigo; foi dito anteriormente que a voz se fez ouvir detrás do médium; comentamos sobre isto, que trata-se da manifestação do Cristo em nossa vida no sentido inverso ao que é proposto pelo mundo.

João, como servo do Senhor, vivia uma vida voltada para as questões do Evangelho, seus interesses eram espirituais; mas aqui temos de ver a simbologia. Ele como elemento encarnado representa a humanidade que vive uma vida na ilusão do que pode ser visto pelos olhos.

Ao “virar-se”, ele demonstra interesse, ele volta a frente para ver quem falava com ele.

Ele ouvia, para ouvir não era preciso virar, portanto, não bastava apenas ouvir a mensagem, era preciso ver de quem ela partia, verificar qual a sua origem, o que nos sugere discernimento.

O Apocalipse ensina a discernir, o próprio autor encarnado deste texto já nos dissera:

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus2

Portanto, era preciso ver quem falava, quem era aquela voz tão significativa; ainda hoje ver quem fala. Se a mensagem vem da Esfera do Cristo, estejamos atentos, vivenciá-la é questão de bom senso, obra do homem prudente.

E a misericórdia divina é pródiga em nossa vida, se manifesta através das palavras de um pai, de um amigo, de um livro edificante, de um líder religioso…

Aprendamos com a Revelação, é preciso “virar-se” para quem tem para nós propostas reeducativas.

E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e virando-me, atitude obediente à consciência esclarecida.

Faz-se preciso não só conhecer a verdade, mas obedecê-la. Quantas vezes mesmo sabendo em nossa vida qual o melhor caminho seguimos por outro?

O Apocalipse é altamente simbólico, desvendar estes símbolos é o desafio de todos os que se propõem a estudar esta revelação. De nossa parte não temos a pretensão de compreender todos, pois não há em nós condições para tal. Retirar do texto uma proposta edificante para nossa vida, ou seja, aplicar a mensagem em nosso dia a dia é o objetivo maior. Mas para isso é preciso ir trabalhando estes símbolos e ver neles o que eles podem nos acrescentar em matéria de transformação moral.

A partir do quarto capítulo estes símbolos vão aumentar e exigir mais de nossa capacidade interpretativa, aqui, é apenas uma prefiguração do que vai acontecer mais adiante.

Sobre os sete castiçais de ouro, o próprio texto, no último versículo deste capítulo, nos esclarece: “são as sete igrejas”

Vamos comentar mais no desenvolvimento do texto, mas podemos ver neste castiçal, que é um suporte onde se coloca uma vela com o objetivo de iluminar, não apenas as igrejas; sim, toda comunidade que se reúne em torno de um princípio moral é um castiçal, todavia, nós também temos, individualmente, de sermos um castiçalatravés do qual a luz divina possa se irradiar.

Não é pretensão nenhuma de nossa parte dizer desta forma. O objetivo da luz é encerrar com a treva, e qual de nós diante de uma grande escuridão ainda não se serviu de um simples palito de fósforo para iluminar em volta? Portanto, qualquer um de nós tem esta prerrogativa. Não são palavras do próprio mestre que resplandecêssemos a nossa luz diante dos homens?3

O Evangelho por si só tem esta missão, iluminar as almas. Se o Antigo Testamento é uma grande trombeta a anunciar a existência de Deus e de Sua Lei, o Novo é a voz suave e doce que diz da necessidade de através do combustível da fé operacionalizada fazermos luz em favor de todos.

1 Isaías, 30: 8

2 I João, 4: 1

3 Cf. Mateus, 5: 16

 

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